Depressão: pesquisa da UFRN recruta pacientes resistentes a tratamento
Natal, RN 23 de fev 2024

Depressão: pesquisa da UFRN recruta pacientes resistentes a tratamento

30 de janeiro de 2024
4min
Depressão: pesquisa da UFRN recruta pacientes resistentes a tratamento
Fotos: Cícero Oliveira

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Pessoas com depressão resistente (ou seja, que não responderam a pelo menos dois tipos de tratamento) podem ser voluntários de pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O estudo investiga a substância cetamina, desta vez, aliada à psicoterapia no combate à doença. 

O tratamento é gratuito e dura nove semanas. A cetamina é injetável, com administração subcutânea semanal. Cada sessão tem um tempo médio de duas a três horas. Para participar, é preciso enviar um e-mail para [email protected] demonstrando interesse até 15 de fevereiro. As instruções serão enviadas e o médico do paciente deverá responder a questionário para validar a participação. 

A equipe de pesquisadores é formada pelos professores Dráulio de Araújo e Fernanda Fontes, do Instituto do Cérebro (ICe); Nicole Galvão, do Departamento de Fisiologia e Comportamento (DFS) do Centro de Biociências (CB); Patrícia Cavalcanti e Emerson Arcoverde, do Departamento de Psiquiatria do Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol). 

Nicole Galvão explica que o grupo tem recrutado voluntários e a primeira fase do estudo terminou em 2022. A nova fase começou em outubro de 2023, quando seis pacientes foram tratados.  Agora as vagas estão abertas para mais 8 pacientes. Em seguida, mais oportunidades serão abertas para rodadas de 8-12 pacientes. 

“Observamos uma forte resposta na redução do suicídio, que durou até 6 meses. A fase 1 foi um sucesso. Aplicamos a cetamina em modelo biomédico com 60% de resposta clínica. Valores de taxa de resposta ao tratamento similar a outras vias de administração. Agora estamos fazendo uma composição da cetamina com a psicoterapia, com a finalidade de elevar a taxa de resposta”, contou a pesquisadora. 

“Muitos estudos fazem administração intravenosa, porém essa é mais custosa, demanda equipamentos mais complexos e é mais invasiva. Um dos objetivos é validar a resposta clínica e segurança da aplicação subcutânea”, detalhou Nicole, avisando que a psicoterapia é realizada por equipe treinada pela Dra, Gisele Fernandes, da Universidade da Califórnia, em São Francisco (EUA).

Alerta ainda que o novo tratamento não é indicado para todos os casos. “Paciente com psicose ou doença cardiovascular descompensada não devem realizar o tratamento. Existem critérios de inclusão e exclusão que são instituídos junto com o comitê de ética para garantir a segurança do paciente. Tudo é analisado pela nossa equipe de psiquiatras”, explicou.

Apesar de não serem comuns efeitos colaterais, podem ocorrer enjoo e dor de cabeça até 48h após a aplicação. Também elevação da pressão arterial e dissociação no momento da aplicação. “Por isso, é feito no hospital, com médicos e psicólogos acompanhando. Não deve ser feito em casa e sem orientação”, adverte a doutora em Psicobiologia.

A cetamina é uma substância psicodélica com ação anestésica que age no sistema nervoso central e altera a função cerebral. Foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso no Brasil, em 2020, em versão inalável.

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