FullChico: mulheres homenageiam Chico Buarque no Carnaval de Natal
Natal, RN 5 de mar 2024

FullChico: mulheres homenageiam Chico Buarque no Carnaval de Natal

28 de janeiro de 2024
5min
FullChico: mulheres homenageiam Chico Buarque no Carnaval de Natal

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Rita, Maria, Cecília, Ana, Iracema, Teresa e outras, algumas vezes sem nome, estão no cancioneiro de Chico Buarque de Hollanda. A presença da mulher na obra do artista é contemplada, estudada e recebe homenagens em todo o Brasil, inclusive em blocos de Carnaval.  Em Natal, ele cai na folia pela primeira vez em 2024, com desfile de estreia do FullChico, na sexta-feira (9). A concentração será no Bar 294, no bairro Petrópolis, às 17h.

O grupo reúne 34 mulheres e homens convidados em performance, canto e batucada regida pelo mestre Jorge Negão. Quem completa com frevo é a charanga de Gilberto Cabral. A ideia é da servidora pública e produtora cultural Ilana Félix, fã de Chico e Carnaval.  

“Eu pensei em fazer esse bloco, não apenas pra cantar Chico Buarque, mas um bloco de viver a obra dele. De viver em todas as suas possibilidades. Vamos trabalhar teatro, dança, artes plásticas, das mais possíveis formas. Neste ano, a gente vai ter duas performances durante o desfile. A gente vai surpreender, com um bloco não convencional. A gente é um bloco performático.”, avisa a produtora, anunciando que a cada ano uma canção será homenageada com enredo. O primeiro tema usado será “Mulheres de Atenas”.

Fã de Chico Buarque, Ilana Félix traz para Natal homenagens ao artista durante Carnaval.

Na opinião de Ilana, a música, feita em 1976 sob a vigilância da ditadura militar, é controversa: “Muitas pessoas não entendem. Mulheres de Atenas é uma ironia de Chico, ele está justamente dizendo que não é para se mirar naquele tipo de sistema em que a mulher tem que ser submissa ao homem. E vamos homenagear as mulheres de Atenas. Vamos sair fantasiadas de gregas, da cabeça aos pés, maquiagem, a caráter, cabelo, totalmente fantasiadas. Nós vamos estar na personagem. A gente está se propondo a colocar um projeto cultural na avenida, que, por acaso, é no Carnaval.”

Bloco dos Chicos, Soul Chico e Ópera do Malandro, em São Paulo; Mulheres de Chico, no Rio de Janeiro; Amantes de Chico, em Recife; As Raparigas de Chico, em João Pessoa; Acorda, Amor, em Belo Horizonte. A palavra do compositor se espalha na festa popular.

Ilana se inspirou em troça paulista. “Eu trabalhei com organização de eventos por uns 15 anos. Mas já faz 10 anos que eu me afastei, porque passei em um concurso. Eu estava morando no Espírito Santo e passando um carnaval em casa quando vi um bloco em São Paulo que homenageava Chico Buarque. Aí eu fiquei louca. Eu disse ‘Nossa Senhora, o sonho da minha vida’”, brinca, ao lembrar de quando tinha 12 anos de idade e conheceu a música “Rita” na escola. Por ter se saído mal na interpretação da letra, procurou conhecer mais desse universo e encontrou com a mãe um livro que explicava as metáforas buarquianas. “Eu me apaixonei nessa época. Isso mudou minha vida.”

Foto: Clube da Criação

De volta a Natal logo depois da pandemia, considerou o Carnaval potiguar maior do que havia conhecido e se animou com a efervescência. Era hora de realizar o desejo. Em junho de 2023, criou o perfil @full_chico no Instagram e começou a juntar pessoas interessadas em contribuir.

Desde então, os ensaios da percussão ocorrem aos domingos. Na batuta, Jorge Negão se refere ao bloco como um “desafio maravilhoso”, entre as várias funções que assume durante o reinado de Momo. Jorge é integrante da tradicional Banda da Ribeira e da banda Nêgo Zâmbi, além de diretor do grupo Folia de Rua, que já saiu em cortejo com mulheres, em Pirangi.

O músico detalha que a tarefa é instigante inclusive pelo aspecto técnico, já que o artista homenageado brinca com o samba e no chão do bloco, os clássicos mudam de compasso.

“O tempo era curtinho, desde junho. Mas as gurias se dedicaram e está tendo um resultado maravilhoso, com ritmos aqui do Nordeste, maculelê, ciranda. Eu acredito que o FullChico vai provocar o Carnaval de Natal. A princípio, por ter mulheres tocando tambor com uma força diferente, com ritmos mais fortes. Mas também pelos objetivos do grupo, as provocações que vão ser feitas. O bloco não é só de tocar tambor e cantar chico. Vale a pena ir lá pra ver”, convida o mestre da percussão.

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