Professores de Natal enfrentam maratona para inserir notas em sistema
Natal, RN 2 de mar 2024

Professores de Natal enfrentam maratona para inserir notas em sistema

23 de janeiro de 2024
4min
Professores de Natal enfrentam maratona para inserir notas em sistema
Professor tenta usar diferentes dispositivos. | Foto: Cláudio Rocha

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Os professores da rede municipal de Natal contam com o sistema eletrônico e-Cidade para registro de notas e frequência dos estudantes. Mas desde novembro de 2023, a plataforma passou por atualização e tem sido um obstáculo para a conclusão do ano letivo, ainda em finalização neste mês de janeiro.

O prazo para inserir as notas encerra nesta quinta-feira (25 de janeiro) e alguns educadores relatam longas jornadas de trabalho em casa para cumprimento dessa meta. Após uma sequência de reclamações, na tarde desta terça-feira (23), a Secretaria Municipal de Educação disse, por meio de assessoria de imprensa, que “constatou uma inconsistência no sistema” e imediatamente acionou a nova empresa que está customizando o e-Cidade em parceria com a Secretaria Municipal de Planejamento (Sempla).  “O problema já foi solucionado.”, garante.

Professor de Artes em escola da zona Leste, Cláudio Rocha chegou a calcular 28 horas perdidas diante do computador enquanto tentava inserir os dados dos estudantes. Segundo ele, o sistema usado desde 2017 funcionava de forma lenta, mas não impossibilitava o andamento do trabalho. “Era meio lento, você aguardava em torno de cinco segundos pra mudar de campo de preenchimento. No ano passado, colocando as provas do terceiro bimestre, percebemos que o sistema começou a ficar muito lento e descobrimos que estava passando por uma manutenção. Depois disso, virou uma carroça”, lembra o professor.

Cláudio relata que os cinco segundos se transformaram em 40 e a confirmação de uma turma, chegou a demorar 36 minutos. Contando cada minuto chegou a uma soma exaustiva. “Eu, que tenho 20 turmas, cheguei a esperar 28 horas olhando pra tela de um computador sem poder fazer nada somente esperando a página atualizar pra colocar a próxima nota. No momento de férias escolares, ninguém pode sair. Minha família está de férias, mas o pai não tá disponível porque está parado”, lamenta o professor, que considera perverso o sistema por mantê-los imóveis diante da máquina por longos períodos.  

“Se eu der o comando e sair, pode ser que ele volte. Se eu não confirmar eu perco tudo. Isso te prende, coloca numa prisão psicológica. O que a Prefeitura está fazendo com os recursos públicos, que foram investidos na manutenção?  Uma coisa que era razoável, ficou uma porcaria e gera um nível de stress altíssimo e improdutividade. Eu tô com notebook, computador e tablet pra tentar atualizar. E nenhum desses aparelhos foram disponibilizados pela Secretaria”, reclamou.

Professora de História em escola do bairro Santos Reis, Carla Genuncio apresenta como agravante da situação a pressão sofrida pelos profissionais pela gestão municipal para término da atividade que está sendo prejudicada.

“O sistema é extremamente lento, o que torna o nosso trabalho extremamente penoso. Levei horas tentando acessar o sistema, tive que trabalhar de madrugada. O grande problema é a pressão da SME em termos que digitar o resultado no prazo estabelecido, sem possibilitar os meios necessários para realizar essa tarefa. É um trabalho desumano e não remunerado, pois o meu contrato de trabalho é de 20 horas, e eu praticamente tripliquei a minha carga horária, para digitar as notas dos discentes.”, detalhou a professora, que leciona em sete turmas e está há seis dias nesse procedimento.

A precarização do sistema é percebida independente do usuário. Professora de Artes no bairro Cidade Nova, Sandra Maria conta que desde a semana passada tenta entrar no sistema e que todos os colegas da escola onde trabalha reclamam:

“Todos reclamam. Tem gente que só consegue colocar as notas no sistema de madrugada. Ah, tá! A gente ganha bem demais pra passar a noite em claro esperando a boa vontade do sistema e-Cidades resolver funcionar. Muitas vezes, perco quatro horas pra conseguir fazer uma turma, pois o sistema fica inoperante ou em estado de espera. E a gente esperando, esperando, esperando.”

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