Não quero que você concorde
Natal, RN 21 de abr 2024

Não quero que você concorde

24 de fevereiro de 2024
3min
Não quero que você concorde

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Não! Não estou esperando que você concorde comigo, nem que discorde. Na verdade, isso não interfere na opinião que eu desenvolvo sobre certos temas. Ou sobre como certos assuntos me atingem ou me atravessem. Ou ainda como meu olhar pousa sobre algumas situações complexas (ou simplórias demais) do meu entorno.

Não é por que alguém discorda de mim, que o ponto de vista que eu tenha sobre sei lá o que vá, obrigatoriamente, mudar. Posso pensar sobre, posso ponderar, posso até levar em consideração aspectos outros que, por ventura, não tenham sido pescados pelo meu radar, mas mudar... acho difícil.

Sou uma pessoa de convicções muito fortes. Teimosa e cabeça dura, duríssima, às vezes. Por que isso? Porque me impor foi e ainda tem sido uma prerrogativa de sobrevivência. Afirmo, logo existo! Escrevo, logo tenho voz! E isso é potente. Não abro mão!

Digo isso pois recebo com frequência mensagens cujos remetentes são pessoas que algumas vezes concordam comigo, mas são, curiosamente e geralmente as discordantes as que mais me enviam textinhos (ou textões) com suas opiniões sobre os temas que trago à baila a cada semana nesta coluna: “Eu acho que vc não devia...”

Se digo não estar esperando que pessoa alguma concorde comigo, nem que discorde de mim é por que não escrevo com o intuito de abrir discussão minha com ninguém. Nem de convencer ninguém de nada. Ao contrário disso, desejo que quem me leia, discuta com outras pessoas os assuntos que jogo na rede. Que reflitam sobre os pontos de vista que trago. Que a minha escrita possa fazê-las observar a visão de mundo e o impacto que algumas vivências e experiências existenciais causam a uma mulher Trans. Afinal, poucas pessoas que me leem são pessoas Trans/Travestis. E, portanto, não têm muito o que discutir quanto às minhas vivências, não é mesmo!?

Isso pode parecer soberba, ou que não me interesso pelas opiniões alheias, mas a verdade é que não tenho muita paciência para discussões. Tenho procurado evitar isso há algum tempo para manter minha saúde mental em bom estado. Concordar ou discordar de mim é um direito seu, mas não é uma obrigação que eu tenha que carregar. Se isso te fere, ou te decepciona, peço desculpas! Mas, entenda, não escrevo na intenção de angariar seguidores, nem de convencer ninguém sobre o que público.

Escrevo, porque para mim é uma atividade vital. Escrevo para dar voz a outras pessoas iguais a mim. Escrevo sobre o que me incomoda. Escrevo sobre o que vivo. Escrevo sobre o que vejo... Mas não escrevo para receber a concordância de ninguém!

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