Escolas municipais de Natal sofrem com falta de merenda e fardamentos
Natal, RN 17 de mai 2024

Escolas municipais de Natal sofrem com falta de merenda e fardamentos

21 de março de 2024
7min
Escolas municipais de Natal sofrem com falta de merenda e fardamentos
Imagem: Reprodução/G1/Lucas Cortez

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O ano letivo na rede municipal de educação em Natal iniciou no último dia 13, e até o momento os estudantes estão sentindo a falta da alimentação nas escolas e também dos fardamentos. A vereadora de Natal Brisa Bracchi (PT) denunciou nas redes sociais, nesta semana, as condições precárias encontradas nas escolas municipais da capital potiguar. De acordo com Brisa, “diversas escolas estão precisando liberar os alunos mais cedo por falta de merenda e água. Além disso, muitas não têm previsão de entrega dos fardamentos”. Ela ainda relembrou que, neste ano, 1200 crianças ficaram sem vagas nas creches, em decorrência do sorteio realizado pela Prefeitura de Natal para escolher quem ficaria com as vagas.

A Secretaria Municipal de Educação de Natal (SME/Natal) informou à Agência Saiba Mais que todos os gestores das 147 unidades de ensino receberam, por meio de ofício circular, orientações acerca da aquisição dos gêneros alimentícios para garantir a merenda escolar desde o primeiro dia do ano letivo de 2024. Ainda de acordo com a Secretaria, “Os fornecedores estão realizando a entrega dos gêneros alimentícios conforme os diretores encaminham os seus respectivos pedidos”.

Já com relação à falta da entrega dos uniformes, a SME declarou que já adquiriu o fardamento para ser distribuído este ano e, à medida que a empresa fornecedora realizar a entrega, o fardamento vai ser novamente distribuído, tanto para os estudantes novatos, como para aqueles que já eram da rede. A SME ainda lembrou que os uniformes são adquiridos e repostos anualmente.

Denúncias repercutiram a partir de escola na Zona Oeste

Também nesta semana, surgiram denúncias a respeito da Escola Municipal Professor Zuza, localizada no bairro Nazaré, na Zona Oeste de Natal. As reclamações alegam a falta de alimentos para a merenda dos estudantes, bem como o não recebimento dos fardamentos. Élida Desirèe tem 13 anos e estuda na escola em questão. Segundo ela, as alegações são verdadeiras.

“Tem gente que não tem muito o que comer em casa e vai para a escola pra ver se consegue comer algo, mas chega lá e não tem”, ressaltou a estudante.

Ela também reafirmou o que a vereadora Brisa disse a respeito das escolas estarem liberando os alunos mais cedo por causa da falta de merenda. Normalmente, as aulas acabam às 17h20, mas Élida tem sido liberada às 15h da tarde.

Para Élida, o mais complicado é ver as crianças mais novas que vão para a escola e ficam sem merenda: “Essas crianças realmente precisam [do alimento], porque elas não têm como comprar comida, como nos casos em que a mãe está desempregada”, pontuou.

De acordo com a SME/Natal, nesta terça-feira (19), o diretor da escola Professor Zuza “foi convocado pelo Departamento de Gestão Escolar e compareceu na SME-Natal para justificar o motivo de não ter solicitado merenda em tempo hábil”. De acordo com a pasta, ele foi notificado e orientado a garantir a merenda escolar a partir da quarta-feira (20), mesmo que fosse com cardápio adaptado. Segundo Élida, no dia de ontem (20) a situação não havia voltado ao normal, mas ela diz que foi informada pela escola que a previsão para a volta da merenda é nesta quinta (21).

Professores se organizam por melhorias na rede e para a categoria

Fátima Cardoso, coordenadora geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte (Sinte/RN), afirmou que o cenário de precarização já é recorrente quando tem início o ano letivo na rede municipal: “Isso tem contribuído para que o ensino nessa rede seja, hoje, abaixo da expectativa”, ressalta

Cardoso ainda chama atenção para como essa conjuntura afeta a saúde mental dos professores: “A qualificação profissional não se reverte na sala de aula em aprendizado e melhor desempenho da educação, uma vez que as condições são precárias”, argumenta a coordenadora. “Soma-se a isso o desprezo com que o prefeito vem tratando a nossa categoria, como na questão sobre as perdas salariais. Isso se reflete nos profissionais que, hoje, se encontram, muito doentes [mentalmente] e bastante desestimulados, vendo com tristeza o que está acontecendo na rede municipal”.

De acordo com a coordenadora geral, o Sinte vem fazendo as cobranças e a mobilização da categoria para que os profissionais da educação possam debater essa temática, a fim de buscar “melhores momentos para a educação no município”, apesar de, como afirma ela, não haver perspectivas de melhorias com a gestão atual do prefeito Álvaro Dias. “Mas a gente não vai desistir da luta”, afirma.

Como informado no início deste mês à Agência Saiba Mais pela diretora de comunicação do (Sinte/RN), Thelma Farias, as reivindicações dos profissionais de educação de Natal, no momento, perpassam por diversas questões. Uma das principais é a do reajuste salarial de professores e professoras de acordo com a lei do piso nacional. “Já somamos 60% de perdas salariais, de defasagem no nosso salário”, afirmou em entrevista.

Calendário de lutas

Nesta quarta (20), dirigentes do Sinte/RN dialogaram com o deputado estadual Francisco do PT, que é líder do Governo na Assembleia Legislativa. Na ocasião, pediram celeridade na tramitação e aprovação do projeto de lei que vai garantir a atualização do Piso Salarial 2024.

"De acordo com Francisco do PT, a matéria, que foi enviada à AL pelo Governo na terça (19), já foi apresentada no plenário da Casa. A expectativa é que em breve o PL passe no colégio de líderes e semana que vem tramite na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da AL. O parlamentar está trabalhando para que o projeto seja dispensado do colegiado de líderes e votado o mais rápido possível", afirmou o Sindicato em nota.

Diante disso, uma nova assembleia está marcada para o próximo dia 25 (segunda-feira), com início às 8h, na Escola Estadual Winston Churchill, tendo como pauta a Campanha Educacional e Salarial.

Confira abaixo as demais datas da agenda de lutas:

27/03 - Participar do faixaço que o Sinte/RN vai realizar na calçada do Midway, às 15h;

02/04 - Paralisar atividades por 24 horas e participar de Ato Público em frente à Prefeitura, às 9h, e da Assembleia que vai avaliar o cenário e tirar outros encaminhamentos, às 14h;

05/04 - Promover reunião com representantes de escolas (direção do Sinte/RN);

08/04 a 19/04 - Colocar carro de som nas feiras/bairros e visitar escolas (direção do Sinte/RN);

17/04 - Participar de Ato Público em frente à Câmara Municipal de Natal, às 15h;

10/04 a 30/04 - Participar das atividades da Semana Nacional de Educação;

01/05 - Participar das atividades do Dia do/a Trabalhador.

Para mais informações sobre o calendário acesse o site do Sinte - http://sintern.org.br/

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