Mãe denuncia despreparo de escola estadual com filho autista
Natal, RN 30 de mai 2024

Mãe denuncia despreparo de escola estadual com filho autista

22 de março de 2024
4min
Mãe denuncia despreparo de escola estadual com filho autista
Imagem: Reprodução

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Priscila Oliveira é mãe de Piero, de 13 anos, uma criança com deficiência que está dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Nesta quarta-feira (20), a mãe usou as redes para denunciar, por meio de um vídeo e de uma carta, a falta de inclusão e mesmo o direito de frequentar a escola que o filho vem enfrentando desde o ano passado. O estudante está regularmente matriculado na Escola Estadual Augusto Severo, na Zona Leste de Natal e parte da rede pública do estado do Rio Grande do Norte.

Como conta Priscila, durante todo o ano de 2023 o filho dela, Piero, teve dificuldades para ter professores em sala de aula que pudessem dar atenção especial a ele. “E quando havia, a falta de adaptação curricular era evidente”, narra a mãe. Ela ainda denuncia que Piero era colocado em um lugar da sala de aula assistindo vídeos no YouTube, ou mesmo “isolado na salinha do arquivo, sem nenhum suporte adequado”.

Ainda no ano passado, durante os últimos meses, uma série de atestados apresentados pelos professores impossibilitaram o retorno de Piero à escola, como narra a mãe. Além disso, Priscila foi surpreendida quando descobriu, por meio das redes sociais da escola, passeios dos quais Piero não participou, e que sequer foram comunicados à família: “Um em especial para uma peça teatral, um dos seus programas favoritos, ir ao teatro”, conta.

Mas os problemas da falta de inclusão da escola não pararam por aí. Neste ano, Piero, que é um estudante não oralizado e não alfabetizado, foi matriculado antecipadamente para que a comunidade escolar do Augusto Severo pudesse se preparar para recebê-lo, mesmo já sendo o segundo ano dele na instituição. No entanto, Priscila foi informada extraoficialmente, quatro dias antes do início do ano letivo de 2024, de um atestado de 90 dias que impossibilitaria o filho de iniciar as aulas junto aos demais colegas de turma.

Até o momento, quase um mês após o início das aulas na rede estadual de ensino, o estudante ainda não pode frequentar a escola, pois não há professor para atendê-lo e, como a mãe foi informada, a cuidadora está sem previsão para receber o salário. “Pra que a gente faz a matrícula se a escola não se prepara para recebê-lo? Eu não estou mais brigando por adaptação curricular, mas pelo acesso à escola. Estou lutando por educação básica e de qualidade”, expressou a mãe.

Priscila ainda destacou o papel fundamental da educação inclusiva: “Que tipo de vida uma pessoa com deficiência terá se não receber a inclusão, atenção, dedicação e estratégias de desenvolvimento necessárias durante a fase mais importante da sua vida escolar?”, questionou a mãe. “A negligência e ausência de pensamento estratégico por parte da comunidade escolar e das instituições de ensino impactam significativamente o futuro e a qualidade de vida desses estudantes. Sinto-me humilhada por ter que pedir por um direito garantido em lei. Fere os princípios da dignidade humana uma criança de 13 anos não poder começar o ano letivo com seus pares”, desabafou.

Posicionamento da SEEC/RN

Em resposta à Agência Saiba Mais, a Secretaria de Estado da Educação, da Cultura, do Esporte e do Lazer do Rio Grande do Norte (SEEC/RN), informou que, no início deste ano, a secretaria convocou professores para atuarem no atendimento da Educação Especial, mas o número de profissionais que compareceram ao chamado foi menor do que o esperado pela pasta.

A SEEC ainda afirmou que está organizando “as demandas para uma nova convocação de professores em substituição aos que não compareceram ao primeiro chamado. Na escola estadual Augusto Severo, uma das professoras da educação especial, teve que se afastar por motivo de doença, no início do ano letivo, que começou no dia 4 deste mês. Mas a escola conta com professores da base comum curricular, de atendimento educacional especializado e cuidador. A secretaria, por meio da Subcoordenadoria de Educação Especial, reafirma o compromisso e a luta constante por uma educação inclusiva”, finalizou.

A reportagem também entrou em contato com a Escola Estadual Augusto Severo, mas ainda está no aguardo da nota de posicionamento.

Apoiar Saiba Mais

Pra quem deseja ajudar a fortalecer o debate público

QR Code

Ajude-nos a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Este site utiliza cookies e solicita seus dados pessoais para melhorar sua experiência de navegação.