Meio Ambiente ou Ambiente Inteiro?
Natal, RN 16 de abr 2024

Meio Ambiente ou Ambiente Inteiro?

30 de março de 2024
7min

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Desde os tempos de mestrado em educação na UFRN que gosto de usar esse trocadilho entre meio ambiente e ambiente inteiro para alertar sobre as questões socioambientais pelas quais vivemos. Embora saibamos que o meio ambiente diz respeito ao espaço, local, região e não como sentido de metade.É muito importante refletirmos um pouco mais sobre o meio ambiente em que vivemos. Antes de tudo precisamos entender que nós seres humanos somos parte dele, pois somos igualmente natureza como os demais seres, assim como dotados de cultura. Então, se destruímos o meio ambiente, estamos destruindo a nós mesmos, pois reforço, também somos uma parte da natureza. Por isso, não há como falar da separação entre o ser humano e a natureza. O planeta Terra é um só. Tudo que é vivo, são compostos naturais. Só a partir do momento que entendermos isso, é que conseguiremos nos preocupar atentamente e verdadeiramente com o meio ambiente.

Mas muitos dizem que não importa, pois quando os efeitos dessa destruição que fazemos cotidianamente ao meio chegarem, nós já não estaremos mais aqui e nem iremos mais sentir nada. Ora… Será mesmo que já não estamos sentindo?

Essa semana ouvi dizer que o “outono chegou ao Brasil, mas desistiu e foi embora devido ao calor exagerado”. Foi uma frase em um primeiro momento, engraçada. Porém, logo depois me veio a reflexão de que a cidade do Natal e o Brasil estão muito quente esse ano. Cada dia pior… E a sensação térmica cada vez mais alta! No Rio de Janeiro, semana passada, a sensação térmica chegou a 62ºC, algo surreal de se imaginar, pelo menos para mim, tendo em vista que nossa temperatura corporal é de 36 graus.

E as chuvas que sempre acontecem em larga escala nesse período e geram tantos transtornos e em muitos casos, grandes tragédias, como alagamentos, deslizamento de morros e encostas, soterramentos, etc. Causando além de inúmeros prejuízos financeiros, o acarretamento de centenas de pessoas mortas, famílias destruídas. Entretanto, ao contrário do que a grande mídia sempre noticia, o problema não é da chuva, ou da natureza cruel, ou da sua fúria. Mas, sim, são consequências de todo um desequilíbrio causado pelo ser humano à sua própria casa, que é o planta Terra.

Essa semana ficamos sabendo da queda de uma parte das falésias de Tabatinga, ali próximo à igrejinha dos pescadores. Em 2020 vimos também a queda de uma falésia na praia da Pipa, que na ocasião tiveram três vítimas fatais, um casal e seu filho. Ambos acontecimentos são frutos da construção inadequada em cima das falésias, bem como do aumento do nível do mar, causado pelo desequilíbrio generalizado do meio ambiente como consequência do aquecimento global, que antes era apenas uma previsão, mas agora é uma realidade.

Observamos também, nos últimos anos, a seca não só no sertão nordestino, como muito se fala, inclusive de maneira preconceituosa. Mas também a seca e a falta d’água ficou evidente e se tornou realidade em cidades da região sul e sudeste do país.

E se formos falar da alta no preço dos alimentos? Principalmente os de origem rural? As frutas, legumes e hortaliças, são alimentos que dependem diretamente do equilíbrio climático para serem produzidas de forma suficiente para abastecer as prateleiras dos mercados. Uma vez que temos tal desequilíbrio climático, certamente as condições de escassez irão afetar o preço desses alimentos, pesando cada vez mais ao bolso dos consumidores.

Os pontos mencionados acima são todos consequências de nossas ações e do modelo de desenvolvimento capitalista em que vivemos e não questionamos. Pois esse é um modelo de mundo que não se leva em consideração a qualidade e preservação do meio ambiente. Logo, destruímos nossa própria existência. Existe uma frase simples e profunda que diz: “quando o último peixe morrer, a última árvore cair e a última gota de água potável secar é que nós iremos entender que dinheiro não se come, não se bebe, nem se respira”.

Então, a reflexão que deixo para quem nos lê é exatamente essa. Precisamos começar a analisar todas essas situações e passar a identificar como poderemos mudar e sermos cidadãos comprometido com a defesa verdadeira do meio ambiente. Mais que isso, cobrarmos das empresas que cumpram seu papel social e ambiental de maneira eficaz. Ou seja, como consumidores que somos, precisamos escolher o que comprar, de quem comprar, e por que comprar.

Diante de todo o exposto, fica cada vez mais clara a necessidade de valorizarmos as instituições comprometidas com o meio ambiente. E, principalmente, os órgãos ambientais tais como o Ibama, ICMBio, Serviço Florestal. Você sabia que nestes órgãos existem servidores e servidoras, que são comprometidos com a preservação do planeta, além de terem qualificação e competência técnica para as mais variadas atividades? Você sabiam que as atividades desenvolvidas por eles são sempre para manter o equilíbrio do meio ambiente?

Nesse sentido, fica aqui meu sincero apoio às lutas desses servidores e servidoras que nesse exato momento estão numa dura batalha junto ao Governo Federal para conseguir melhorias nas condições de trabalho, pois os órgãos ambientais federais estão sucateados, com força de trabalho reduzida quase que pela metade, sem concursos públicos, sem novos investimentos e com orçamentos cada vez menores.

O governo federal anterior foi um desastre total em diversas áreas, inclusive na área ambiental. Foi um governo que trabalhou para destruir os órgãos ambientais, financiando o garimpo ilegal, o desmatamento, o extermínio de povos indígenas, os madeireiros, tráfico de animais silvestres, entre outros crimes ambientais.

Cabe, portanto, ao atual Governo Federal a retomada imediata e verdadeira, para além do discurso político, eleitoral e midiático, o fortalecimento da pauta do meio ambiente no Brasil. Não adianta nosso Presidente encontrar o Presidente da França na Amazônia, pousar para fotos e dizer que vai receber 5 bilhões de reais para investir na Amazônia, Ou então nossa Ministra do Meio Ambiente viajar pelo mundo afora dizendo que a pauta ambiental é prioritária no Brasil, sendo que temos um governo que não fortalece órgãos como Ibama, Serviço Florestal e ICMBio, por exemplo.

Vale lembrar que os servidores e servidoras dessas casas estão em mobilizados desde janeiro passado, em favor da reestruturação da carreira e por maiores investimentos na área ambiental. Inclusive, desde o ano passado, estão em negociação sem até o momento, nenhum avanço considerável. Li em alguns jornais desta semana que já estão com indicativo de greve para o mês de abril. Essa é uma pauta muito delicada e fragilizada, principalmente por ter sido uma das áreas mais destruídas pelo ex-presidente.
Contudo, para que o Brasil possa de fato crescer, se tornar um país sustentável, que seja modelo internacional de sustentabilidade, com a verdadeira valorização e preservação ambiental, é necessário o olhar dos governantes atento aos órgãos e instituições que trabalham diariamente em prol dessa pauta. Senão, de nada vale um discurso bonito para o mundo ver, e sua própria casa desarrumada.

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