Ato em júri popular pede justiça pelo jovem Gabriel no próximo dia 04
Natal, RN 13 de jun 2024

Ato em júri popular pede justiça pelo jovem Gabriel no próximo dia 04

28 de maio de 2024
7min
Ato em júri popular pede justiça pelo jovem Gabriel no próximo dia 04
Desde o acontecimento, familiares e amigos de Gabriel, junto aos movimentos sociais, vêm se mobilizando. Foto: Jana Sá

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O julgamento dos réus acusados de matar o jovem Giovanni Gabriel de Souza Gomes, assassinado em 2020, aos 18 anos, acontece na próxima terça-feira, 04 de junho, às 8h15, na 1ª Vara Criminal da Comarca de Parnamirim. No júri popular, acontece também um ato que pede justiça por Gabriel, com o objetivo de pressionar a condenação dos principais suspeitos do homicídio qualificado, sequestro e ocultação de cadáver, sendo eles os policiais militares: Paullinelle Sidney Campos Silva, Bertoni Vieira Alves, Valdemi Almeida de Andrade e Anderson Adjan Barbosa de Sousa.

Mateus Freitas é militante da Unidade Popular pelo Socialismo (UP), partido que tem lutado pelo julgamento dos suspeitos de assassinar o jovem Gabriel. Ele conta que há o esforço para que a população esteja presente no ato para que o crime não passe impune.

“É extremamente importante a mobilização massiva da população para participar do acompanhamento do júri do caso do Gabriel, porque a gente sabe que no nosso país, no sistema judicial brasileiro, existe uma tendência muito grande de absorver os agentes policiais que cometem crimes como o que ocorreu com o Gabriel. São inúmeros os casos. A impunidade é muito alta. Então nós precisamos ter o povo junto e no acompanhamento, na repercussão desse caso para que se diminua os riscos disso acontecer”, ressalta Freitas.

A investigação realizada pela Polícia Civil apontou que o jovem Gabriel foi assassinado por policiais militares ao ser confundido com um suspeito de ter roubado o carro da cunhada de um sargento da Polícia Militar, que acionou colegas na busca pelo veículo, inclusive, fora da área de atuação da equipe. Como explica Freitas, os policiais foram absolvidos em júri militar.

De acordo com o militante, a mobilização em torno do caso tem sido essencial para manter a discussão a respeito do crime.

“A gente sabe que se não fosse esse processo de mobilização, dos familiares e amigos de Gabriel, do movimento negro e demais movimentos sociais, provavelmente esse processo do júri popular se estenderia ainda por muitos outros anos. A gente está falando de um crime que aconteceu em 2020 e só agora, 4 anos depois, é que a gente está prestes a efetivar esse júri popular. São 4 anos da aflição de Priscila, mãe do Gabriel, esperando que esses assassinos sejam condenados.”

Saiba mais - Caso Gabriel: A dor de perder o filho e a demora em julgar os acusados

Freitas ainda ressalta que a participação popular no acompanhamento do caso pode, ainda, fomentar o debate sobre a violência policial no país.

“É muito importante a gente manter essa mobilização, manter a vigilância atenta, para que isso também sirva como um processo de denúncia dessa violência policial que existe no nosso país, e que não dá para ser velada, nem silenciada, porque ela é muito gritante na vida de milhares de brasileiros que perdem seus familiares pela mão da polícia, do Estado.”

A condenação dos principais suspeitos, apesar de não trazer de volta a vida de Gabriel, é legítima, defende o militante.

“Primeiro de tudo, é uma forma da gente validar a dor dessa família que perdeu um ente querido”, afirma. “Nós não podemos permitir que essa vida seja tratada de forma tão desvalorizada, e quando a gente absolve esses assassinos, é isso que a gente diz para essas famílias: que a vida dele era só mais uma e que não era importante."

“E também é uma forma da gente tentar enfrentar esse sistema. A gente enfrentar essa política que tende a desprezar a vida do povo pobre e acaba que tudo é mais importante do que a vida de um jovem negro. Então essa necropolítica de desvalorização da vida do povo preto e pobre está presente em todas as principais instituições e representações do poder na nossa sociedade" complementa Freitas. “E nós precisamos dar enfrentamento a isso, então a luta por justiça por Gabriel também representa o enfrentamento a essa política nefasta de desvalorização das nossas vidas.”

Plenária

Uma plenária de preparação para discutir a mobilização que acontece no próximo dia 04, no júri popular, está sendo organizada por movimentos sociais e entidades estudantis.

A atividade plenária acontece nesta quarta-feira, 29, às 17h, no Setor I da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), campus central.

Relembre o caso

Na manhã do dia 5 de junho de 2020, Giovanni Gabriel havia saído de casa para visitar a namorada, que morava no Loteamento Cidade Campestre, em Parnamirim.

Ele tinha acabado de chegar ao local, mas como o relacionamento não era aprovado pelo pai da garota, Gabriel foi esconder a bicicleta numa área próxima à casa para evitar maiores problemas. 

Nessa mesma manhã, policiais foram acionados após o roubo de um carro em Parnamirim. O veículo pertencia à cunhada de Paullinelle Sidney Campos Silva, sargento da polícia militar que acionou outros três agentes, todos eles lotados no município de Goianinha, para buscas do veículo.

O grupo deslocou-se, inclusive, para uma área fora de sua guarnição à procura do veículo. O carro foi encontrado próximo ao local onde Gabriel tinha deixado a bicicleta e o rapaz acabou sendo confundido com o responsável pelo roubo do carro. 

Durante as buscas, uma primeira equipe de policiais abordou Gabriel, que explicou que estava indo visitar a namorada. Os PMs checaram a veracidade da história dele, liberando-o logo em seguida. 

No entanto, ao sair da área de mata onde estava, Gabriel foi novamente abordado, mas por outra equipe de policiais, quando moradores da região avisaram a uma outra viatura da PM que havia um jovem em atitude suspeita no local.

Gabriel foi novamente abordado e chegou a avisar aos policiais que já tinha sido revistado por policiais de outra viatura. Mesmo assim, ele foi colocado dentro da mala do veículo. Essa foi a última vez que Gabriel foi visto com vida. 

De acordo com as investigações da Polícia Civil, o jovem foi executado a tiros pelos policiais, que deixaram o corpo dele em São José de Mipibu, distante 30 km de Natal e 20 km de Parnamirim.  

O cadáver de Giovanni Gabriel só foi encontrado em 14 de junho, depois das buscas realizadas por amigos e familiares do jovem. Gabriel sonhava em ser professor de educação física e servir ao Exército.

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