Benzedeira e parte do Pastoril, Dona Chiquinha Ferreira morre 114 anos
Natal, RN 30 de mai 2024

Benzedeira e parte do Pastoril, Dona Chiquinha Ferreira morre 114 anos

13 de maio de 2024
3min
Benzedeira e parte do Pastoril, Dona Chiquinha Ferreira morre 114 anos
Dona Chiquinha Ferreira, de óculos escuros I Foto: Lenilton Lima

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Amante e praticante da cultura popular, dona Francisca Ferreira de França, mais conhecida como Dona Chiquinha, nasceu em Estivas, no município de Extremoz, na região metropolitana de Natal, em 11 de janeiro de 1910. Ela foi para São Gonçalo do Amarante ainda criança e aos 20 anos começou a dançar no Pastoril Estrela do Norte, da mestra Maria Alice Monteiro, e no Bambelô da Alegria, do Mestre Sérvulo Teixeira. Ela faleceu na tarde desta segunda (13), às 14 horas, aos 114 anos de idade.

Sem conseguir se alimentar, Dona Chiquinha estava internada no Hospital de São Gonçalo há cerca de três meses.

Ela estava bem, só ficou enfraquecida depois da doença porque não conseguia comer nem beber nada”, conta Pai Francisco, neto que cuidava de Dona Chiquinha e que leva adiante as histórias da avó.

“Ela tinha um baú de histórias... passou pela malária, fome, guerra, covid-19... já tem mais de seis tataranetos, já é a 4ª geração!  Ela reconhecia todo mundo, rezava, estava lúcida... a vista é que estava pouca, mas brincava com todo mundo”, lembra Pai Francisco.

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Por causa dos problemas de vista, Dona Chiquinha costumava estar sempre de óculos escuros. Além do Congos de Combate e Pastoril, ela também brincava no Bambelô da Alegria e Coco de Roda.

A disposição dela era impressionante. Nos últimos aniversários era o tempo todo dançando. Se quisesse ver ela feliz, era só cantar música do Bambelô. Ela não dançava mais no grupo, mas nos aniversários vestia a roupa, colocava o chapéu de couro, ficava toda caracterizada”, relembra Lenilton Lima, pesquisador e Integrante da Fundação de cultura Dona Militana.

Dona Chiquinha teve 14 filhos, mas apenas sete sobreviveram. Ela dançava em grupos folclóricos, como o Pastoril e o Bambelô, era benzedeira e parteira, por isso, foi homenageada e deu nome à lei estadual que institui como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do povo potiguar os saberes, conhecimentos e práticas tradicionais de saúde popular e cura religiosa das rezadeiras, benzedeiras e demais figuras de saberes tradicionais populares. A lei foi sancionada em 2021.

Achei que ela fosse chegar aos 200 anos, estávamos planejando a festa de aniversário dos 115 anos. Ela conversava sobre como era antigamente, parecia que não tinha problemas de saúde, mas são coisas da velhice”, lamenta Lenilton Lima.

Dona Chiquinha Ferreira, no aniversário de 113 anos I Foto: Lenilton Lima

O velório de Dona Chiquinha está marcado para as 16h, desta terça-feira (14), no Ginásio Poliesportivo Senador Luiz de Barros, no bairro de São Paulo do Potengi, em São Gonçalo do Amarante. Um pedido feito por ela a amigos e familiares foi que quando ela morresse, as pessoas levassem ramos, planta que Dona Chiquinha usava para benzer as pessoas.

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