Cidade do RN recebe primeira simulação lunar do hemisfério sul
Natal, RN 19 de jun 2024

Cidade do RN recebe primeira simulação lunar do hemisfério sul

27 de maio de 2024
4min
Cidade do RN recebe primeira simulação lunar do hemisfério sul
Complexo espacial. Foto: cedida/Julio Rezende

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A primeira simulação lunar no hemisfério sul acontece em Caiçara do Rio do Vento, município localizado a cerca de 100 km de Natal, entre os próximos dias 29 de maio e 1 de junho. A ação é realizada pela Habitat Lunar, ação da startup Inovatix Habitat Marte, incubada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A atividade comemora a chegada do homem à lua, que aconteceu no ano de 1969.

A estação de simulação espacial Habitat Lunar funciona no Aerospace Complex, zona rural de Caiçara do Rio do Vento. A atividade ocorre juntamente com a estação espacial Habitat Marte que, entre as 5 estações existentes no mundo, é a única no Brasil análoga ao planeta Marte em operação no Hemisfério Sul.

Financiada com recursos do programa Centelha e apoiada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a estação é uma ação do projeto Inovação e Sustentabilidade Espacial e Formação de Astronautas, pensado pela startup.

Julio Rezende é professor do Departamento de Engenharia de Produção da UFRN e coordenador da iniciativa. Ele explica que, com a experiência do Habitat Marte, já foram desenvolvidos cerca de 200 protocolos e pesquisas que também serão aplicados no Habitat Lunar. Mas o que é uma simulação lunar e qual sua importância? Rezende explica:

“Nesta simulação lunar, a gente vai realizar vários protocolos, rotinas e atividades que podem estar ocorrendo futuramente em uma estação na lua. Esse tipo de experiência é chamado de Habitat espacial análogo ou Missões espaciais análogas. A gente utiliza esse termo internacional para designar essas missões de simulação espacial que são realizadas na Terra”, explica o professor.

Rezende ressalta que os protocolos de simulação são bem variados, envolvendo as atividades que acontecem dentro da estação e as que ocorrem fora dela – quando se usa uma roupa que simula a do astronauta.

De acordo com o professor, esses métodos estão relacionados a vários temas, como “saúde, engenharia, segurança, alimentação, comunicação, atividades subaquáticas e ainda na área de gestão. Então são vários temas diferentes que são apoiados a partir desses protocolos, que são operacionalizados na missão e são eles que dão a característica da missão de simulação espacial”.

Estão convidadas para a primeira simulação lunar do Hemisfério Sul pessoas de diferentes formações que tenham curiosidade no assunto, desde estudantes a profissionais e pesquisadores. Rezende reforça que são bem-vindas pessoas de diferentes idades que tenham interesse pela área espacial e querem aprender sobre como é o trabalho dos astronautas e o que eles estariam fazendo em uma estação localizada na Lua.

O objetivo do Habitat é promover pesquisa e educação de qualidade relacionada ao espaço, sustentabilidade, ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Rezende, coordenador da iniciativa, aponta ainda que uma das motivações do projeto vem a partir do convite que a iniciativa, da UFRN, recebeu para colaborar com a Missão Artemis, da NASA, que pretende levar os humanos de volta à Lua ainda nesta década.

“ O Habitat Lunar é motivado também porque o Brasil agora é signatário do programa Artemis, da NASA, de retorno à Lua. E nesse acordo que foi firmado no programa Artemis, a participação do Brasil vai ser através da Agência Espacial Brasileira e a Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária]. E nós aqui da UFRN fomos convidados para fazer parte desse grupo, colaborando nessa parte do habitat análogo, imaginando, antes, as variedades de batata doce e grão de bico, que vão estar sendo estudados e adaptados para o espaço. Eles vão passar em missões análogas e vai ser testado, nessas missões, também esse cultivo. E o Habitat Lunar vai estar disponível para essa atividade. Então, uma das motivações é essa questão da sintonia e a possibilidade que esse programa lunar venha se realizar agora nos próximos anos a partir da Missão Artemis da NASA.”

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