Estamos inundados pela emergência climática
Natal, RN 19 de jun 2024

Estamos inundados pela emergência climática

20 de maio de 2024
5min
Estamos inundados pela emergência climática

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Em primeiro lugar presto toda minha solidariedade e compaixão aos irmãos e irmãs do Rio Grande lá de baixo, nosso vizinho de nome e coração. Como todos já sabem via redes sociais e televisão, estão sofrendo vítimas do maior desastre climático já registrado no Rio Grande do Sul.

Além das doações de dinheiro e mantimentos, o pouco que posso fazer estando tão longe é ligar para os amigos que tenho por lá. Afinal de contas morei na cidade de Rio Grande, entre 2019 e 2020.

Vejo muitas pessoas dizendo que não podemos misturar a catástrofe ambiental que assola o estado do RS com questões políticas. Porém, nessa pequena reflexão faço o exato papel de propor a você leitor o entendimento de que esta é sim uma questão política. Não especificamente partidária, mas sim de um projeto de país e de poder que o capitalismo defende.

E a representação mais presente desse capitalismo, nas questões climáticas tem nome, tem líderes, tem um lobby muito forte no Congresso Nacional e tem até slogan. O agro não é pop, não é tech, muito menos é tudo. Sim, o principal vilão das questões ambientais é sim o agronegócio. Não a agricultura familiar, nem produtores ruais. Mas a monocultura de cana, de soja e milho transgênicos, da superexploração dos bovinos, e todo o desmatamento oriundos dessa prática.

O planeta Terra tem um ciclo natural de vida, pois é um organismo vivo. E nós seres humanos que somos parte deste planeta nos achamos superiores, donos da Terra e detentores de todos os ciclos da natureza. Mas não, somos apenas uma parte da natureza, precisamos estar em harmonia com o meio ambiente.

Essa exploração desenfreada do meio ambiente é o maior potencializador desses eventos climáticos, que com a ação do ser humano, tem se tornado catástrofes cada vez maiores. E, infelizmente, esta do Rio Grande do Sul não será a última. Haja vista que na mesma semana em que nossos irmãos morriam afogados e perdiam tudo, deputados federais e senadores aprovavam medidas ainda mais poluentes e degradantes para o meio ambiente. Vocês leram bem? No mesmo instante que as cidades do Rio Grande do Sul estavam inundadas por água e lama, o Congresso Nacional aprovava mais leis garantidoras da destruição ambiental.

O Brasil é um dos países do mundo em que mais se utiliza venenos (agrotóxicos) no agronegócio. Venenos que são negados na Europa, EUA, chegam aqui no nosso país e são liberados para uso. Poluindo nosso solo, nossa água que está no lençol freático, nossos alimentos, etc. Somos também campeões no desmatamento, e o pior, acabamos com as florestas que estão nos leitos dos rios.

Vale lembrar que a agricultura familiar, a permacultura, a agricultura de subsistência, são os que se preocupam com o meio ambiente e estão sempre desenvolvendo estratégias de se produzir em harmonia com os ciclos da natureza. E mais, 80% da comida que chega em nossa mesa, é fruto da agricultura familiar, e não do agronegócio. Esse tal agro, serve aos interesses do capital, serve para a tal balança comercial, serve para alimentar o mercado internacional. Produzem soja transgênica para exportar pra China e demais países. E não para ir à mesa do povo brasileiro.

Além de destruir o meio ambiente e não respeitar os ciclos naturais do Planeta, o ser humano ainda altera a paisagem natural das coisas. Constrói no leito dos rios, onde antes tinham árvores, que serviam além de outras coisas, para segurar e sugar a água das chuvas e da cheia dos rios, para o solo. A gente canaliza a água dos rios, achando que ele irá caber numa tubulação de manilhas. E ainda constrói casas e pistas em cima deles.

Precisamos aprender com a natureza para saber como construir cidades sustentáveis e seguras, com a prevenção de grandes desastres ambientais. E isso passa diretamente pela vontade política de nossos governantes. Ou seja, as catástrofes climáticas são sim questão política e precisam ser vistas como tal, para que possamos combater e cobrar dos que estão com mandatos para servir ao povo, e não ao capital ou agronegócio.

Pois no Governo Federal passado, essas questões ambientais foram totalmente ignoradas. Os recursos financeiros para prevenção de desastres climáticos foram quase que eliminados do orçamento dos estados e da união. O próprio Governador do RS e da prefeitura de Porto Alegre, deixaram de fazer estudos de prevenção, e a manutenção de sistemas de segurança. Como por exemplo as bombas de drenagem de Porto Alegre, que das 23 existentes, 19 estavam quebradas por falta de manutenção.

Então meus caros leitores e leitoras... Fiquem atentos, pois somos parte da natureza, e não donos dela.

E os políticos precisam sim agir e prevenir os desastres ambientais. Pelo bem das pessoas, das cidades, dos animais, ou seja, do meio ambiente como um todo.

Desde pequeno ouço uma frase que diz:

“Quando o último peixe morrer, a última árvore cair e a última gota d’água secar, é que eles vão perceber que dinheiro não se come”.

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