Estudantes cobram Uern por falta de professores e de infraestrutura
Natal, RN 21 de jun 2024

Estudantes cobram Uern por falta de professores e de infraestrutura

28 de maio de 2024
5min
Estudantes cobram Uern por falta de professores e de infraestrutura
Ato foi feito no campus de Assú em 23 de maio | Foto: divulgação

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Falta de professores, banheiros sem itens básicos, laboratórios sem produtos para aulas e falta de restaurantes universitários em todos os campi. Estes são alguns dos problemas enfrentados por alunos da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), em uma carta dirigida à reitora da instituição. 

Segundo o documento, desde 2020 estudantes de vários cursos relatam a falta de professores nas salas de aula, sendo impedidos de cumprir várias disciplinas, incluindo aquelas obrigatórias. Desse modo, atrasam a graduação ou têm uma carga horária muito maior do que o necessário em um mesmo semestre, uma vez que precisam pagar as disciplinas atrasadas em caráter especial ou nas férias para não adiar ainda mais o curso. A situação geraria sobrecarga, estresse, ansiedade e maior inclinação a desistir da graduação, aponta o texto.

Ainda de acordo com a carta, em diferentes campi há falta de falta de produtos básicos para higiene nos banheiros; nas salas de aula, tomadas quebradas, fios expostos, mofo, as centrais de ar-condicionado sem funcionar pela falta de manutenção; nos laboratórios e clínicas estão utilizando produtos vencidos pois não há no estoque, sem luvas para as práticas, equipamentos que precisam de água destilada sendo usados com água da torneira ou do filtro; internet de má qualidade que afeta a realização de pesquisas e trabalhos e mais.

“Hoje mesmo aqui em Mossoró, a gente foi em diversos banheiros e não tinha papel higiênico no banheiro. Então essa é uma realidade não só no campus de Mossoró, mas no campus de Assú, no campus de Natal, no campus de Caicó. Os estudantes da saúde em Caicó sequer têm um laboratório para poder ter as suas aulas práticas. Os estudantes de odontologia conseguiram uma parceria para conseguir ter os utensílios básicos para ter aula prática, porque não estava tendo na universidade”, narra Carol Sorriso, coordenadora-geral do DCE Uern.

A estudante de História em Assú diz também que há uma demanda por transporte na instituição.

“A gente não tem o amplo acesso aos campi porque os transportes dependem de prefeituras, dependem de acordos, que os estudantes consigam ter o acesso à universidade. E aí isso inviabiliza também o nosso ensino, já que a gente não tem acesso amplo à universidade”, diz.

Há também reivindicações por ampliação das políticas de permanência, denúncia de falta de acessibilidade para pessoas com deficiência e casos de assédio e homofobia (confira a carta aberta completa ao final).

Na última quinta-feira (23), uma manifestação foi realizada no Campus Assú para denunciar a resolução que regulamenta o trabalho voluntário na universidade.

“Isso é completamente inconcebível. Então hoje nossa luta também é pela questão dos professores”, afirma a estudante.

Na última semana, o Sindicato dos Professores da Uern realizou assembleia e também discutiu sobre a resolução que regulamenta o trabalho voluntário na universidade e campanha salarial. 

De um lado, segundo a assessoria de comunicação da entidade, alguns associados argumentaram a favor do documento, destacando que o voluntariado já é realidade em várias universidades, em todo o país. Outro ponto seria de que o trabalho voluntário seria utilizado apenas em situações pontuais e extraordinárias. Por outro lado, uma parcela de associados manifestou forte oposição ao memorando. Esses membros criticaram a prática, classificando-a como uma forma de precarização do trabalho docente.

Após quase duas horas de discussão, a assembleia, que contou com a participação de docentes em Mossoró, Natal, Assú e Pau dos Ferros, votou para que o sindicato não se posicione contrário à regulamentação do trabalho voluntário na Uern. Foram 33 votos favoráveis ao memorando e 28 contrários.

Nesta terça (28), o DCE da Uern realiza uma plenária estudantil que iniciou pela manhã e segue até a noite. Às 14h, o DCE tem uma reunião com a Reitoria para entregar um dossiê à reitora Cicília Maia, onde mostra dificuldades enfrentadas pelos discentes dos campi.

“A gente quer que a nossa universidade seja referencialmente reconhecida, a gente quer que seja uma potência dentro do nosso país. E para isso a gente precisa pensar a UERN juntos”, defende Carol Sorriso.

Procuramos a assessoria de comunicação da Uern para um posicionamento, que informou que estava em reunião com o DCE e que não havia tomado conhecimento da carta. Ainda assim, a universidade informou que o trabalho voluntário é regulamentado na Uern por meio de uma resolução de 2022 e não tem relação com o déficit de professores.

"Surgiu a partir da provocação de professores aposentados e professores egressos dos cursos de graduação e pós-graduação que gostariam de desenvolver essa ação voluntária na Uern. Sua atuação na instituição precisa ser referendada pelos departamentos, ou seja, a autonomia dos departamentos é respeitada", disse a instituição. O espaço segue aberto para demais esclarecimentos.

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