Familiares de vítimas da ditadura se mobilizam em Brasília por Justiça
Natal, RN 19 de jun 2024

Familiares de vítimas da ditadura se mobilizam em Brasília por Justiça

21 de maio de 2024
4min
Familiares de vítimas da ditadura se mobilizam em Brasília por Justiça

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Familiares de mortos e desaparecidos políticos da ditadura militar brasileira (1964-1985) iniciaram nesta segunda-feira (20) uma semana de luta na capital federal. A mobilização, que segue até 23 de maio, tem como principal objetivo pressionar o Governo Federal pela reinstalação da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, extinta em dezembro de 2022 pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, e que vem sendo protelada pelo governo do presidente Lula para evitar tensão com os militares brasileiros.

Os familiares de mortos e desaparecidos tem uma luta enorme em defesa da Memória, da Verdade, da Justiça, da Reparação e também da Democracia, porque sem Democracia não conseguimos avançar em nada”, ressalta Diva Santana, integrante do grupo Tortura Nunca Mais na Bahia.

A ativista é irmã de Dinaelza Santana Coqueiro e cunhada de Vandick Reidner Coqueiro, ambos desaparecidos na Guerrilha do Araguaia.

Relatório final da Comissão Nacional da Verdade reconhece 434 mortes e desaparecimentos e um número de mais de 20 mil pessoas torturadas. No Rio Grande do Norte, 12 potiguares estão entre os mortos e desaparecidos em decorrência da ditadura militar: Anatália de Souza Alves de Melo, Édson Neves, Quaresma, Emmanuel Bezerra dos santos, Geraldo Magela Fernandes Torres da Costa, Hiram de Lima Pereira, José Silton Pinheiro, Lígia Maria Salgado Nóbrega, Luíz Ignácio Maranhão Filho, Luís Pinheiro, Virgílio Gomes da Silva, Zoé Lucas de Brito e ainda Djalma Maranhão (morto no exílio decorrente da ditadura) e Glênio Sá (pós-ditadura em circunstâncias suspeitas).

A mobilização em Brasília busca ações concretas do governo para cumprir sentenças internacionais e da Justiça brasileira, assegurando o direito à memória, à verdade, à justiça e à reparação às vítimas de violações de direitos humanos.

A semana inclui visitas ao Ministério Público Federal, ao Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, audiência com a Corte Interamericana de Direitos Humanos, reuniões no Congresso Nacional, Marcha da Classe Trabalhadora e encontros com organizações não-governamentais e movimentos populares.

Estas audiências se devem pela necessidade de se discutir com os órgãos governamentais a reedição da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos”, avalia Diva, que era conselheira da comissão.

Uma audiência com a deputada federal pelo Rio Grande do Norte, Natália Bonavides (PT), está marcada para a quarta-feira (22), às 19h, na Câmara Federal. A parlamentar já afirmou o compromisso com a pauta durante a realização de uma audiência dos familiares com o ministro Silvio Almeida, dos Direitos Humanos, em março de 2023.

Natália é autora de uma ação judicial que teve início em 2020 e está no Supremo Tribunal Federal (STF), que tem o objetivo de proibir o governo de comemorar o golpe militar de 1964.

Durante o governo Bolsonaro houve comemorações oficiais nos aniversários do golpe por parte do Ministério da Defesa, com ordens do dia assinadas pelo ministro e divulgadas nos portais eletrônicos das Forças Armadas.

Primeiro dia de mobilização

Pela manhã, os familiares foram recebidos pela secretária-geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), a pastora Romi Bencke, que reafirmou o compromisso do conselho com a luta por memória, verdade e justiça. Romi garantiu que a entidade enviará um ofício à Presidência da República exigindo a reinstalação da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos. Ela também destacou que levará essa pauta ao Conselho Nacional de Participação Popular.

Também foi realizada uma reunião com o Sindicato dos Bancários do Distrito Federal. Durante o encontro, os bancários se comprometeram a apoiar a mobilização politicamente e acompanhar as agendas da semana.

“Este apoio é crucial para aumentar a visibilidade da causa e pressionar as autoridades”, avaliou Diva Santana.

Os familiares se reuniram, ainda, com a diretoria colegiada do Sindicato dos Professores do DF. A expectativa é que as ações resultem em avanços concretos e no reconhecimento das violações de direitos humanos sofridas.

Apoiar Saiba Mais

Pra quem deseja ajudar a fortalecer o debate público

QR Code

Ajude-nos a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Este site utiliza cookies e solicita seus dados pessoais para melhorar sua experiência de navegação.