Jogo digital de pesquisadora da UFRN busca ajudar gestantes
Natal, RN 25 de jun 2024

Jogo digital de pesquisadora da UFRN busca ajudar gestantes

26 de maio de 2024
6min
Jogo digital de pesquisadora da UFRN busca ajudar gestantes
Tecnologia tem como principal objetivo ajudar mulheres em trabalho de parto. Foto: getty images

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Ajudar mulheres em trabalho de parto, gestantes em pré-natal e indução, além de puérperas, com informações sobre as etapas do trabalho de parto. Esse é o objetivo do “Jogoparto”, um jogo educativo, no formato de amarelinha, que é resultado uma pesquisa de Ana Paula Ferreira em seu mestrado profissional em práticas de saúde e educação, do programa de Pós-graduação em Saúde e Sociedade da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que rendeu o registro junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Foto: cedida

O estudo foi orientado pela professora Simone Pedrosa, professora da Escola de Saúde da UFRN. O jogo possui 10 casas e o céu, e foi pensado com o foco em cinco áreas: orientações; linguagem de Cordel; o lúdico, por meio de desenhos e cores; métodos não farmacológicos de alívio da dor e períodos do parto. 

Ana Paula, que desenvolveu a pesquisa, é enfermeira há 27 anos, sempre atuando na área da obstetrícia, especialidade da saúde que atua no cuidado de gestantes. Há 10 anos, ela atua em maternidade escola. Atualmente, trabalha no Hospital Universitário Ana Bezerra (Huab), da UFRN, e no Centro Obstétrico do Apodi. Ela conta que a experiência na área incentivou o desenvolvimento do projeto.

“A partir da prática desses anos todos de obstetrícia, principalmente em relação ao pré-natal, isso me puxou muito para a questão da autonomia. As pessoas não falam do parto no pré-natal. E nós [enfermeiros] temos de 4 a 5 horas para falar sobre o parto já dentro de um contexto de contrações. E aquilo me deixava muito apreensiva sobre como ajudar aquela mulher na questão da sua autonomia, do seu corpo, de trazer ela realmente para o protagonismo”, conta Ana Paula.

Como explicam as pesquisadoras, que desenvolveram o projeto com o apoio de vários enfermeiros obstetras, o objetivo do Jogoparto é promover, de forma educativa, lúdica e digital, o empoderamento e o protagonismo da mulher no trabalho de parto, em indução – período quando a mulher pode ficar muito ociosa, como explica Ana Paula – e as puérperas, ou seja, mulheres em período pós-parto.

“Em linhas gerais, o jogo destina-se a mulheres em trabalho de parto, que estão internadas na maternidade. Quando elas são internadas, é oferecido a esta mulher a ela jogar. E esse jogo são as casinhas da amarelinha, e a cada vez que ela vai andando as casinhas – pelo celular –, cada casinha vai dizendo o que está acontecendo no trabalho de parto dela. Então, o intuito foi, através do lúdico, trabalharmos a autonomia dessa mulher, para ela entender o que está acontecendo com o corpo dela. Entender a fisiologia dela e, a partir dessa compreensão, ela poder ajudar nesse trabalho de parto”, explica a orientadora do mestrado, Simone. 

“A mulher pode ter o conhecimento do que está acontecendo com o corpo dela naquele momento, e ao conhecer, o medo pode ser minimizado ou mesmo não acontecer", completa a professora.

O jogo permite facilitar o entendimento da mulher sobre o que está acontecendo durante o trabalho de parto, defende Simone.

“O jogo aproxima mais do lúdico, da infância daquela mulher. Ele gera, até mesmo, um vínculo diferente entre o profissional e a parturiente, o que vai facilitar muito mais a comunicação. Uma coisa é o profissional chegar e explicar, mas outra coisa é como a mulher vai receber e processar a informação. O jogo vem de uma forma de intermediar e de facilitar esse processo de comunicação e de entendimento”, conta.

O jogo já foi utilizado por algumas mulheres em trabalho de parto. Com a tecnologia agora patenteada, há a perspectiva de que o jogo seja utilizado em massa, explicam as pesquisadoras.

“A partir da patente que a gente desenvolveu, a ideia, de fato, é compartilhar esse jogo, porque é um conhecimento elaborado que precisa ser compartilhado. Agora, com a patente, vemos como compartilhar da melhor forma”, ressalta Simone.

Acessibilidade

O Jogoparto foi pensado com uma preocupação de ser acessível para todas as mulheres, explica Ana Paula.

“A comunicação dele é feita de duas formas: tanto visual, para pessoas que são portadoras de problemas auditivos, como também é muito auditivo, então a pessoa pode só escutar, se tiver problemas de visão.”

Escolhas como a comunicação baseada no cordel, com uma linguagem mais coloquial e lúdica, bem como o uso do jogo a partir do uso de botões intuitivos, demonstram a preocupação de fazer o programa acessível, independente do grau de instrução das gestantes.

Jogo também homenageia enfermeiras da maternidade escola Ana Bezerra. Foto: cedida

Além disso, a representatividade também foi pensada. No jogo, existem personagens de diferentes características físicas, para que todas as mulheres possam se identificar.

O jogo será acessado a partir de um link e senha em uma plataforma on-line, podendo ser utilizado em aparelhos móveis e computadores conectados a um monitor ou tela de televisão. Como explicado pelas pesquisadoras, está sendo estudado a melhor forma de disponibilizar o Jogoparto para o público.

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