Madonna, nós podemos!
Natal, RN 26 de mai 2024

Madonna, nós podemos!

11 de maio de 2024
4min
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O encerramento da turnê Celebration da diva, deusa, militante, performer, produtora, compositora, musicista, dançarina, cantora, empresária, mãe, defensora de direitos de minorias, provocadora, questionadora, empoderada, superstar Madonna reuniu 1,6 milhão de pessoas na praia de Copacabana no sábado passado. Todo mundo sabe disso! Seu show foi notícia, antes, durante e depois. Sobretudo depois… E por quê?

Porque ela fez o que ela sabe fazer de melhor: ser Madonna. Todas as Madonnas imbutidas naquele pequeno corpo de 65 anos e de 1,61 metro estavam lá. GIGANTES! ENORMES! IMENSAS! Quebrando todos os tabus possíveis e sambando, literalmente, na cara da high society. 40 anos de madonnagens – porque madonnar é verbo potente, transgressor e de enfrentamento – desfilando pelas areias da praia (A garota de Copacabana – isso dá música!) em duas horas de luzes, músicas, trocas de figurinos, danças e liberdades.

Em 40 anos, Madonna transformou-se, ampliou-se, acumulou pautas “indigestas” e brigou por elas. Abraçou as pessoas atingidas pela AIDS, defendeu-as, deu-lhes visibilidade, dignidade e amor. Adotou a comunidade LGBTQIAPN+ quando ainda éramos GLS. Empoderou mulheres no mundo todo. Deu-lhes, entre outras coisas, a liberdade de serem mulheres com suas vontades, seus fetiches e sua libido aflorada (afinal, tesão, tara, sexo e gozo não é, não pode ser de exclusividade masculina). Reconheceu as femilidades e mulheridades de mulheres Trans e Travestis.

Questionou a moralidade hipócrita da sociedade (que peca nos becos, com pouca luz, nos darkrooms, na deepweb, nos bastidores da vida “santa” propagada). Enfrentou uma ruma de processos; foi proibida, cancelada, demonizada, condenada do inferno pra dentro… Afinal ela bateu siririca no palco; ela encurralou a santidade da Igreja no palco; ela, aos 65 anos, mostrou, no palco, que ainda tem viço e fogo no rabo. Sob todos os holofotes, ela escancara que mulheres PODEM. Isso abala o patriarcado. O controle perde as rédeas, porque ela os toma, a lambidas, aos beijos, rebolando, cantando, sensualizando.

MULHERES PODEM. MINORIAS PODEM. GAYS PODEM. LÉSBICAS PODEM. BISSEXUAIS PODEM. TRANS PODEM. NÃO-BINÁRIES PODEM. INTERSEX PODEM… YES, WE CAN… Podemos existir. Podemos demonstrar afeto. Podemos formar famílias. Podemos ser, ou não, promíscuos/as/es (se quisermos), porque podemos ter nossas próprias vontades. Podemos nos expressar como somos. Podemos festejar. Podemos ocupar uma orla de praia inteira, batendo leques e cantando em coro as músicas da Madonna. Músicas não! Hinos… Verdadeiros louvores às liberdades. “Express yourself…”

Eu estava no show. É! Não fui à Copacabana, mas Copacabana veio até mim (Viva à tecnologia!). E lá de casa/orla de praia, eu cantei, dancei, chorei, suei, bati leque e senti toda a vibração daquele megaespectáculo. Eu vibrei com cada momento. E me dei conta de que eu acompanho a Madonna e sua saga há quase o mesmo tempo de carreira dessa diva. Já tive dúvidas sobre mim (Who´s that girl?); já fui uma “Material girl”; já tive medo do sexo “Like a virgem”; já busquei no divino alguma resposta para minhas dúvidas “Like a prayer”; já fui “Erotica”, peguei fogo com “Fever”; questionei a “Human nature”; entre “Rain” e Frozen” eu esfriei; dancei com “Music”; curti meu “Holiday”; tive “Something to remember”; e como um “Ray of light” virei uma “Girl gone wild”…

Então… “Don’t tell me”… Não digam que eu não posso. Não digam que não podemos… estamos recebendo 40 anos de lições em forma de canções nos dizendo o contrário. Como Madonna, podemos ser muitas, podemos ser todas. Ela nos abraçou, nos adotou, nos empoderou, nos deu liberdades para sermos, tirou-nos do sexo o pecado, nos reconheceu como seres humanos, genuinamente humanos, nos ensina que envelhecer não é crime. Por isso, não nos freiem, não nos impeçam, não nos proíbam, não nos persigam, não nos acusem, não nos condenem…. Simplesmente por que, quem não podem, são vocês.

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