Natal: campanha denuncia falta de remédios psiquiátricos na saúde
Natal, RN 21 de jun 2024

Natal: campanha denuncia falta de remédios psiquiátricos na saúde

20 de maio de 2024
4min
Natal: campanha denuncia falta de remédios psiquiátricos na saúde
Rede de Atenção Psicossocial atende pessoas com transtornos mentais graves e em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Foto: Lívia Ferreira

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Uma campanha de arrecadação de medicamentos para usuários da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) está sendo realizada pela Associação Potiguar Plural – coletivo de usuários dos serviços de saúde mental de Natal –, o Centro de Convivência de Natal (Cecco) e o Centro Acadêmico de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (CAPSI/UFRN). As entidades denunciam que “há meses usuários da RAPS de Natal estão sem seus medicamentos psiquiátricos”.

A RAPS atende pessoas com transtornos mentais graves e em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Wanessa Mabel, bacharel em psicologia associada à Associação Plural, explica que o cenário prejudica ainda mais o tratamento das pessoas assistidas pela Rede – que, segundo ela, já enfrenta problemas.

“A situação da RAPS já é delicada, muitos dos dispositivos da rede estão gravemente sucateados, produzindo um cenário de profunda precariedade nos serviços, ações e estratégias de cuidado. Nesse contexto, o que vem basicamente sustentando o tratamento das pessoas assistidas na RAPS é o tratamento medicamentoso - que isoladamente não é a melhor alternativa para a produção de saúde, cidadania e dignidade das usuárias e usuários. O cenário se torna ainda mais grave quando as pessoas atendidas na RAPS não acessam os medicamentos aos quais têm direito”, pontua Mabel.

Outra questão que a psicóloga chama atenção é que, quando há a interrupção abrupta no uso dos medicamentos psiquiátricos, sem o acompanhamento terapêutico, isso pode prejudicar o tratamento.

“O uso dos medicamentos deve ser acompanhado e sua utilização de maneira continuada é importante para garantir seus efeitos terapêuticos de maneira adequada e segura. Quando há uma interrupção - ou seja, quando o medicamento é suspenso de maneira abrupta, por falta de medicamentos – suas funcionalidades terapêuticas são afetadas, além de produzir outros agravamentos na saúde, visto que um processo de retirada de medicamento precisa ser acompanhado dentro de um projeto terapêutico singular”, ressalta.

Mabel ainda pontua os efeitos na vida cotidiana dos usuários que sofrem com a falta da medicação, o que, segundo ela, acaba “deixando os usuários suscetíveis a crises e internações que comumente são situações violentas e degradantes”.

De acordo com a psicóloga, a falta de medicamentos psiquiátricos na RAPS “trata-se de um grave descaso e não de falta de dinheiro. Estamos diante de uma má gestão da prefeitura que tem custos na dignidade e na vida de muitas pessoas. Ou seja, uma má gestão que ao invés de cuidar acaba por produzir mais sofrimento na vida de muitas pessoas”.

A Agência Saiba Mais entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Natal, que faz o repasse dos medicamentos, para saber se a pasta teria algum posicionamento sobre, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto.

Campanha: como doar

A campanha de arrecadação para compra de medicamentos para usuários da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) é uma ação do Centro Acadêmico de Psicologia Ulysses Pernambucano (CAPSI/UFRN), a Associação Potiguar Plural e o Centro de Convivência de Natal (Cecco).

“Embora seja uma ação de solidariedade, é importante dizer que ela é, também, uma denúncia à Secretaria de Saúde de Natal, que não está cumprindo com seu papel no repasse dos medicamentos aos usuários”, afirma Thiago Silva, estudante de psicologia e presidente do CAPSI/UFRN.

As pessoas interessadas em realizar doações podem enviar qualquer valor na chave PIX [email protected] e a prestação de contas será realizada no Instagram do CAPSI/UFRN.

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