Natal: com greve dos motoristas de ônibus, passageiros temem ser os mais prejudicados
Natal, RN 20 de jun 2024

Natal: com greve dos motoristas de ônibus, passageiros temem ser os mais prejudicados

28 de maio de 2024
3min
Natal: com greve dos motoristas de ônibus, passageiros temem ser os mais prejudicados
Foto: STTU

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O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Rio Grande do Norte (Sintro/RN) aprovou, na manhã desta terça-feira (28) a greve dos motoristas de ônibus de Natal. O Sintro também informou que ainda nesta quarta (29) acontece uma nova rodada de negociação e também a definição de um calendário de lutas da categoria dos motoristas rodoviários. Diante disso, usuários de transporte público que utilizam o serviço para estudar ou trabalhar temem ser os mais prejudicados com a paralisação.

Passageiros de diversas zonas da cidade ouvidos pela reportagem, contaram que não sabem o que fazer diante da paralisação divulgada hoje em assembleia. Como é o caso de Nathalie Viviane, que trabalha em um hospital durante o dia e estuda farmácia no período da noite. “Eu saio de casa às 5h30m da manhã e só chego às 23 horas da noite. Onde eu moro, na Zona Norte, já não tem muito ônibus, em greve deve ficar pior. Eu pego o primeiro ônibus do dia e volto no último, agora, não sei o que vou fazer.”, desabafou. 

Situação semelhante a do garçom Vitor Gabriel, usuário da linha 29, que faz a rota Nova Natal-Nova Descoberta, o jovem pega o transporte a cada 20 e 40 minutos. “Quando a gente perde uma linha, tem dia que esperamos de 40 a 50 minutos pra poder pegar outra. Isso em dias normais. Na greve a frota é reduzida, né? A gente já espera que esse tempo de espera vá ser pior. Isso sem contar a superlotação e o engarrafamento na Ponte Velha. O medo é não chegar a tempo no trabalho, né? Muitos chefes não querem saber o motivo do seu atraso.”, comenta o garçom. 

Já para Rayane Barbalho, moradora do Planalto e estudante de Língua Portuguesa, a espera por um ônibus que vai até a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), onde estuda, chega a 1 hora todos os dias.

“Essa greve só vem para piorar mais ainda a situação das pessoas que dependem do transporte público em Natal. O estado dos ônibus na nossa cidade já é lamentável, faltam diversas linhas de ônibus, onde eu moro, no Satélite, só temos, literalmente, três opções de ônibus, que só passam a cada 1 hora ou mais. Nos fins de semana não tem como pegar o transporte público e ficamos à mercê dos preços dos aplicativos de corrida. Saber sobre essa greve só traz mais aflição e revolta quanto a situação da mobilidade urbana em Natal, que simplesmente não existe. Horas de espera em paradas, ônibus lotados e engarrafamentos sem fim: esse é o cenário cotidiano dos trabalhadores e estudantes que dependem desse serviço.”, expressa a estudante. 

Entenda a greve

Dentre as reivindicações dos trabalhadores rodoviários da cidade estão o aumento salarial acima da inflação de no mínimo 5%; a garantia de R$600 de vale alimentação; plano de saúde pago integralmente pelas empresas e renovação da carteira de habilitação dos motoristas também paga integralmente pelas empresa; além da manutenção de todas as cláusulas que já estão na convenção coletiva.

“Deveremos fazer caminhadas na cidade, fazer coletivas, até culminar com o movimento de greve, em que toda a cidade estará já sabendo, porque a partir da próxima semana nós iremos para as ruas para informar ao povo de Natal de que a culpa de ter uma greve na cidade não é dos trabalhadores, que todos os dias estão ralando, todos os dias transportam vidas e todo dia têm dificuldades para sair e chegar em casa, mas não largam do trabalho. Estão lá, garantindo à população o direito de ir e vir”, afirmou Carlos Silvestre, assessor do Sintro/RN, em coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira.

“Queremos pedir à população a contribuição e a compreensão. A luta dos trabalhadores é uma luta de toda a sociedade, e só estaremos fazendo essa greve porque empresários e o prefeito não querem ouvir as necessidades da classe trabalhadora rodoviária”, complementou o assessor.

Ainda na última quinta (23) representantes do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos (Seturn) pediram à Secretaria de Mobilidade Urbana (STTU) reajuste no valor da passagem de ônibus, alegando que estavam operando com um déficit de R$ 0,45 em cada passagem e que o problema seria agravado, justamente, pelo aumento de salário dos motoristas de ônibus, que ainda está em fase de negociação. Já na sexta (24) em reunião para debater o reajuste de salário da categoria, os motoristas e empresários não se entenderam sobre o reajuste do salário.

Saiba mais - Ônibus: motoristas e empresários não se entendem sobre reajuste de salários

Em 2023, a Prefeitura do Natal concedeu aumento de 14,47% na tarifa de ônibus, que passou de R$ 3,90 para R$ 4,50.

Leia também: Empresários pedem aumento de tarifa de ônibus de Natal

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