Pelo direito de pegar os novinhos – e eu não estou falando em pedofilia
Natal, RN 19 de jun 2024

Pelo direito de pegar os novinhos - e eu não estou falando em pedofilia

25 de maio de 2024
5min
Pelo direito de pegar os novinhos - e eu não estou falando em pedofilia

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Já prestaram atenção em uma coisa!? Um homem de 50 anos pode, de forma muito natural, desfilar com uma namorada, uma amante, a esposa ou uma ficante de 25, que ninguém se assusta. Pelo contrário, o cara é aplaudido e reverenciado como “aquele que ainda dá no couro”, ainda está em boa forma, é o homem maduro capaz de atrair as “novinhas” porque ainda se cuida, tem bom papo, transmite segurança e blá, blá, blá… Já conhecemos o discurso que ronda os garanhões de meia idade.

Agora, quando a realidade é outra… uma mulher de 50 passeia de mãos dadas com um boy de 25, o primeiro pensamento que se tem é que ele deve ser um filho, no mínimo. E se se descobre que o boy é um namorado, um amante, o marido ou um ficante… logo, logo questionam-se se ela o está bancando. Afinal, pra ficar com uma mulher “velha”, “rodada”, “caída aos pedaços”, “que passou do ponto”… só pagando, não é mesmo!?

Percebem o quanto, até em questões afetivas e sexuais, as mulheres são alvo de algum tipo de depreciação, diminuição ou especulações incrivelmente maldosas e negativas?! Ela, a mulher de 50 não poderia ser lida como a mulher que está em boa forma porque, assim como nosso homem do início dessa coluna, espelho de um monte que anda por aí, ainda se cuida?! Ela não poderia ser aquela que tem bom papo porque sempre foi inteligente, e ser também a que transmite segurança porque viveu um mesmo tanto de vida quanto sua versão masculina de mesma idade?!

Por que é que na versão feminina das relações afetivas e sexuais seu companheiro precisa estar interessado em bens materiais?! Uma mulher de 50, só ela, com toda a sua plenitude, já não é areia demais para um bocado de caminhõezinhos que transitam livres por aí?!

O que me motivou a escrever a coluna de hoje foi a história escandalosamente linda de Emmanuel e Brigitte. Sim, os Macron. Ele, presidente da França com 46 anos. Ela, uma professora aposentada, construindo há 71 anos, sua trajetória de mulher. O Macron, apaixonou-se por Brigette quando ele tinha 15 anos e ela 40. Sim, são exatamente 25 anos de diferença na idade dos dois. Mas, calma lá. Brigitte não deu uma de pedófila, não… Ela esperou seu mancebo ter idade suficiente para emplacarem um romance que dura até hoje.

A edição nº 2869 da VEJA de 24 de novembro de 2023 afirma que “A diferença etária de mais de duas décadas que separava os dois pombinhos fez com que os pais dele o enviassem para Paris, na tentativa de esfriar os hormônios. De nada adiantou. Quando estava na casa 30 e era funcionário público, Macron enfim pediu Brigitte em casamento, união tão adiada, segundo ela, também para não ferir seus filhos, com idades próximas à do marido. “Não queria destruir a vida deles, então a espera durou o tempo de colocá-los nos trilhos. Você pode imaginar o que eles estavam ouvindo, mas eu não queria perder minha vida”, desabafou ela à revista.”

Emmanuel não foi alvo das mesmas críticas e imposições e pesos e questionamentos que sofreu Brigitte. Certamente não!!! Inclusive seus próprios filhos tornaram-se um empecilho para que ela não pudesse realizar seu casamento com o jovem Macron. Observem que em sua declaração, ela afirma ter adiado a plenitude de sua realização amorosa por ter medo de “destruir a vida dos filhos”.

Me questiono: como o recomeço de vida de uma mulher, sobretudo uma mulher madura, pode representar a destruição de seus próprios filhos?! Como a realização amorosa de uma mãe põe em risco sua prole, só por se concretizar e se tornar pública?! Só porque estava pegando um novinho?!
Em que momento esse tipo de discurso foi criado e com que intuito senão o de descartar essa mulher de outras vivências, principalmente aquelas que a sociedade considera mais íntimas e comumente impróprias para uma mulher que passou de seus 50 anos?!

Ah, não pode mais beijar! Não pode mais mostrar afetividade em público! Não pode namorar! Não pode se beijar na frente das pessoas! Fazer sexo, então!!! – SAFADEZA. É feio! É impróprio! Velha enxerida! “Puta velha!” – foi assim que a Madonna foi chamada por uma moradora de Copacabana só porque simulou uma siririca entre mulheres no palco. Siririca não “pódji”!

Pois eu digo que “pódji”. Podemos! Tô bem pertinho dos 50 e não abrirei mão de nenhum novinho (maior de 18 anos, claro!) que me atraia. NÃO MESMO! Lanço agora a campanha: “Pelo direito de pegar os novinhos” HAHAHAHAHAHA!!!! E a sociedade é que se acostume a ver mulheres gozando de felicidade com suas vidas afetivas e sexuais ativas e plenas compartilhadas com seus boyzinhos e/ou boyzinhas de quaisquer idades.

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