Servidores da educação federal no RN detalham greve em audiência
Natal, RN 22 de jun 2024

Servidores da educação federal no RN detalham greve em audiência

17 de maio de 2024
6min
Servidores da educação federal no RN detalham greve em audiência
Foto: Elpídio Júnior

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Uma audiência pública na Câmara Municipal de Natal debateu, nesta quinta-feira (16), a greve nacional das universidades e institutos federais. O encontro contou com a participação de líderes sindicais e estudantis, membros de movimentos sociais organizados, professores, funcionários e alunos das instituições em greve.

Os técnico-administrativos da UFRN estão em greve desde 14 de março, há mais de dois meses. Já os professores iniciaram a paralisação em 22 de abril. Propositor da audiência, o vereador Roberio Paulino (PSOL), disse que o objetivo é "buscar soluções para o impasse e, ao mesmo tempo, dar publicidade a uma situação que é grave e que pode trazer sérias consequências para o país."

"Essa é uma forma de mostrar para toda a sociedade a realidade da educação pública de nível superior. Temos os piores salários de todo funcionalismo federal, e a proposta de reajuste de 0% para este ano e 4,5% para 2025 e 2026, é um insulto. Precisamos debater uma política de valorização, inclusive atualizando o plano de cargos, carreiras e salários", ressaltou o parlamentar.

Maria Aparecida Dantas, coordenadora do Sindicato Estadual dos Trabalhadores em Educação do Ensino Superior do Rio Grande do Norte (Sintest), disse que, mesmo passados 60 dias do início da greve dos técnicos, não há um pronunciamento favorável do governo.

“Vale lembrar que a nossa pauta de reivindicação foi entregue desde outubro de 2023, com tempo hábil para que fosse incorporada no orçamento para 2024”, apontou.

Segundo ela, os técnicos somam uma defasagem salarial de 54%, se contar desde 2010, ano do último reajuste real acima da inflação que a categoria teve.

“De lá pra cá, só algumas pequenas reposições frutos das greves que fizemos, e mesmo assim não conseguimos reparar as perdas inflacionárias conforme o estudo feito pelo próprio Dieese de 2013 a 2023. Ou seja, nos últimos 10 anos acumulamos 34,32% de defasagem salarial, valor esse que estamos pedindo agora ao governo, porém o que ele nos tem apresentado para esse ano de 2024 é 0% de reajuste, o que achamos completamente descabido com a categoria, que além de ter o menor salário do serviço público e do Poder Executivo, nós ajudamos a eleger”, apontou.

Foto: Elpídio Júnior

Já Fernando Varella, coordenador geral do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe RN) — que representa os servidores do IFRN — falou sobre os próximos passos do movimento grevista. 

"Depois que tivermos uma nova proposta do governo para os técnicos, faremos uma rodada de assembleias nacionais a partir do dia 21, a fim de verificar se é possível ou não terminar a greve. Então, o assunto será discutido na próxima semana", avisou.

Segundo ele, a condição dos docentes atualmente “é menos ruim” que a condição dos técnico-administrativos dos institutos e universidades federais.

“Porque em 2016 perdemos 10% de uma negociação porque aceitamos só duas propostas, porque a gente achava que as outras duas propostas seriam propostas que a gente poderia negociar e ia conseguir um percentual a mais. Os docentes aceitaram as quatro propostas e os técnicos só aceitaram duas propostas. Nessa brincadeirinha perdemos 10% de recomposição, e daí esse sofrimento vem daquela época para cá”, contou.

Representando a Federação Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico (Fenet) e a União dos Estudantes Secundaristas Potiguares (Uesp), o estudante do IFRN Paul Kennedy disse que quando a greve iniciou, muitos setores criticaram, inclusive da esquerda.

“E é claro, a direita sempre usa isso como uma forma de atacar a gente, atacar o governo. Mas a verdade é que a gente tá fazendo greve hoje justamente por culpa da direita, que no passado, principalmente no governo Temer e no governo Bolsonaro, cortaram e atacaram a educação constantemente. Como principal prova, no ano de 2022, por exemplo, a UFRN falava que ia fechar as portas porque não tinha orçamento para nada. Não tinha orçamento para conta de luz, não tinha orçamento para conta de água, para pagar os funcionários terceirizados, e isso tudo é muito absurdo”, relembrou.

Diretora de universidades públicas da União Estadual dos Estudantes (UEE), Olive Medeiros falou sobre o papel das universidades na produção de pesquisas e na ciência.

“Nós estamos passando hoje por um processo de crise climática muito intensa. Infelizmente ocorreu um desastre no Rio Grande do Sul, que ainda está ocorrendo, mas esse cenário não é um cenário local, é uma crise nacional globalizada”, apontou. 

“Nós temos um processo de crise climática que vai se intensificar nos próximos anos e hoje o que nós sabemos que são aqueles que têm condições de pesquisar saídas para esse processo, para entender como nós vamos proteger as nossas cidades, para entender como nós vamos impedir que esse processo se siga, esse conhecimento hoje sai das universidades. E infelizmente essas universidades são as mesmas que estão a ponto de fechar”, disse.

Por sua vez, Stefany Kovalski, coordenadora geral do Diretório Central de Estudantes (DCE) da UFRN, disse que a entidade vai realizar uma consulta pública para saber o posicionamento da comunidade estudantil sobre a greve. 

"O DCE apoia e se solidariza por entender a relevância do movimento. Mas a gente também quer ouvir os outros estudantes. A nossa luta central é pela suspensão do calendário acadêmico, para que os estudantes não sejam prejudicados. A greve luta por uma universidade de qualidade. Mas esperamos que a classe estudantil não sofra qualquer tipo de consequência", frisou.

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