Bombinhas de São João: quais cuidados e alertas se ter nos festejos juninos 
Natal, RN 25 de jul 2024

Bombinhas de São João: quais cuidados e alertas se ter nos festejos juninos 

16 de junho de 2024
5min
Bombinhas de São João: quais cuidados e alertas se ter nos festejos juninos 
festa junina Natal | foto: Joana Lima

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O período junino é marcado por comidas típicas, muito forró pé de serra, bandeirinhas e quadrilhas juninas. Outra coisa muito comum nessa época e que é sensível, por diferentes aspectos e motivos, são as bombinhas e os fogos de artifícios de São João. As explosões causadas pelos artifícios, na maioria das vezes, incomoda adultos e crianças neurodivergentes e assusta animais de estimação que tem uma audição mais delicada, como os cães e gatos. Outro fator importante de destacar é o risco das queimaduras causadas por falhas na hora da explosão ou o manuseio incorreto dessas bombinhas.

Laise Maria, estudante e tutora de 3 cachorros, contou que o mês de junho é muito difícil para ela e seus pets, porque com o grande número de explosivos na rua, os bichinhos ficam atordoados e desinquietos. “A gente resgatou nossa cachorra e, por isso, ela tem uma série de traumas. Quando ela escuta essas explosões, fica toda se tremendo e chorando muito”, conta a estudante para a Agência Saiba Mais. Laise explica que não tem o que fazer em relação a isso, porque todo mundo já soltou ou solta bombinhas juninas na vida.

“Fico sem ter o que fazer porque não posso passar o dia brigando com os vizinhos ou as crianças que ficam soltando track aqui na porta. Eu entendo que é algo cultural, porque eu mesma já soltei muito, quando criança. Mas é importante alertarmos sobre isso para que haja mudanças. Hoje em dia, dá pra escolher fogos que não façam barulho ou que apenas brilhem ao invés de explodir. É algo que precisa ser debatido”, comentou. 

A estudante também comentou sobre a atenção com crianças e idosos. Ela, que mora com a vó, relata que é dificil manter todos calmos em casa, principalmente com os festejos cada vez mais intensos. “Além da inquietação com os cachorros, ainda tenho que acalmar minha vó que também se assusta com altos ruídos. Eu tinha uma vizinha com um filho autista que precisou se mudar por causa do barulho”, lembra. 

Queimaduras também são um problema

Para acender os fogos, é necessário manusear fósforos ou isqueiros, e os perigos que isso pode trazer, trazem consequências bem sérias em algumas ocasiões. Como foi o caso da fotógrafa Elisa Elsie, que aos 12 anos de idade, acendeu uma bombinha e perdeu uma parte da audição. O acidente com Elisa aconteceu em um período diferente do ano, mas também muito comum de ter fogos de artifício: o fim do ano. 

“Eu tinha acabado de fazer 12 anos e era o dia do Ano Novo e a gente estava com muitos amigos numa casa lá em Ponta Negra. Fomos para a praça, e não me lembro de quem, mas alguém comprou esses esses cilindros, que são esses cilindros de papelão que geralmente se chama assim: ‘12 tiros’, eu não sei se tem outro nome. Meu pai sempre gostou de soltar fogos, eu sempre gostei, na época de São João e tal, só que realmente não foi no São João. E eu lembro de ter encaixado, porque por segurança você encaixa mais de um, porque se acontecer qualquer coisa, não explode na sua mão. Só que o que aconteceu foi que, o último que a gente acendeu, ao invés dele subir, ele estourou como se ele tivesse descido, ele fez o caminho contrário. E aí todos os outros, que ainda não tinham sido acesos, começaram a estourar também. E assim, né, eu não sabia como é que ele funcionava dentro, mas são pequenos cilindros com pólvora, e na hora a minha reação foi soltar o negócio no chão, abaixar a cabeça e tapar os ouvidos”, detalha.

Na hora, Elisa conta que ficou em estado de choque e que foi puxada pelo namorado de uma amiga. “E aí eu me lembro que esse rapaz, um desses cilindros acabou indo em direção ao braço dele e eu lembro que entrou, assim, no antebraço dele como uma queimadura. Ficou uma ferida, assim, bem feia no braço. E aí eu tive várias queimaduras, assim, no rosto, nos braços. Acho que na perna também. Eu me lembro que eu queimei a roupa que eu tava usando. E eu não escutava nada. O zumbido era muito alto. E eu me lembro de ter ido pra casa, assim, pra tomar um banho, trocar de roupa, que eu tava toda chamuscada. E eu lembro que eu não escutava nada. As pessoas falavam comigo e parecia que elas estavam falando a quilômetros de distância. Eu via a boca mexendo, mas eu não escutava o som. Não me lembro quanto tempo passou pra eu recuperar a audição, mas eu fiz um exame de audiometria e aí eu realmente tive uma perda, num dos ouvidos, eu tive uma perda de 5% da audição.”, lembrou. 

Superado o acidente do ano, Elisa continuou mantendo a tradição dos artifícios, mas decidiu  parar de soltar bombinhas de São João também. A fotógrafa explica que decidiu não soltar mais fogos que façam barulho ou estourem, para não incomodar mais crianças, bichinhos ou idosos, mesmo sendo uma tradição que herdou e sempre realizou com sua família. 

“Foi meio que uma mudança de perspectiva mesmo e inclusive uma mudança pensando nas outras pessoas também, né? Pensando na segurança pessoal, mas também pensando nas pessoas que formam uma comunidade e eu acho que é importante pensar dessa maneira, porque a gente quer ser respeitado, mas a gente não respeita o espaço do outro, o silêncio do outro, né? Então acho que foi um processo longo, demorou muitos anos pra agora, né, ter essa nova visão de uma comunidade. Por mais que seja super aceito no período de São João, os fogos e barulho e tudo mais, mas acho que a partir de agora eu já não quero mais ser a pessoa que vai incomodar alguém”, refletiu.

Cuidados com as queimaduras

O Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, o maior do Rio Grande do Norte, recebeu, nos primeiros cinco meses de 2024, 186 pacientes vítimas de acidentes com queimaduras. As queimaduras são divididas em: térmicas, químicas e elétricas, sendo as mais comuns as térmicas. No mês de junho, o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), que faz parte do hospital, alerta sobre os perigos dos acidentes com fogos de artifício e fogueiras.

Durante o ano de 2023, no período de fevereiro a maio, o CTQ registrou 207 atendimentos de pacientes com queimaduras, sendo 43 casos de internação. No mesmo ano, a taxa de mortalidade dos pacientes internados foi de 9,68 para queimaduras térmicas, 14,29 para queimaduras químicas e 33,33 para queimaduras elétricas.

Segundo o Ministério da Saúde, é nessa época de festejos juninos que há um aumento de casos de queimaduras. E por isso, especialistas alertam que é importante evitar que as crianças soltem fogos sozinhas (existe uma indicação da faixa etária adequada nos produtos); não se deve esperar estourar, nem tentar reacender caso o artifício não funcione na primeira tentativa. Além disso, também é importante prestar atenção às fiações elétricas, como explicou o Tenente Vasconcelos, do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Norte.

foto: Ministério da Saúde
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