Caso Gabriel: júri é adiado após jurado se declarar amigo de réu
Natal, RN 16 de jun 2024

Caso Gabriel: júri é adiado após jurado se declarar amigo de réu

4 de junho de 2024
6min
Caso Gabriel: júri é adiado após jurado se declarar amigo de réu

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O júri do caso Giovanni Gabriel de Souza Gomes, programado para começar nesta terça (04), foi adiado porque um dos jurados sorteados para participar do processo se declarou amigo do réu. Com isso, um novo sorteio dos sete jurados que vão integrar o júri popular do caso foi adiado para o dia 02 de julho.

“Fomos pegos de surpresa. Passamos a manhã esperando três testemunhas da defesa chegar para começarmos. A defesa dos réus ainda tentou levantar três debates, mas o juiz negou todos. Quando o júri foi formado e o último jurado estava chegando para se sentar, disse que ele era amigo de um dos acusados. A partir daí, tivemos [a acusação] que recusar. Ele disse que frequentou a casa de Bertoni [um dos réus], que era amigo de escola”, revela Hélio Miguel, advogado da acusação, que representa a família de Gabriel.

Arte feita em homenagem a Gabriel

No processo de definição dos candidatos ao júri, é realizada apenas uma análise mais simples, como verificação de antecedentes criminais do candidato.

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O júri popular é composto por sete jurados, que são escolhidos por meio de sorteio a partir de um grupo maior de 75 pessoas. Cada réu tem direito a recusar até três nomes. Como no caso de Gabriel há quatro réus, eles podem recusar um total de 12 nomes para o júri.

Eles recusaram 10 jurados, o que esvaziou a possibilidade de formar o júri porque muitos jurados faltaram. Inicialmente são convocados 25 jurados, mas muitos faltaram, seis pediram dispensa e ficaram 19, teve as recusas e seis estavam escolhidos. Não tinha mais quem sortear”, lamenta Hélio Miguel.

Todas as testemunhas já saíram do Fórum intimadas para a próxima audiência, que terá a convocação de suplentes. O julgamento seria realizado na 1ª Vara Criminal da Comarca de Parnamirim. A família de Gabriel também estava no local, mas a sessão não chegou a ser aberta pelo juiz devido à falta de jurados.

Gabriel com a mãe, Priscila Sousa da Silva I Foto: cedida

O grupo Unidade Popular, que acompanha o caso de Gabriel, manifestou indignação com mais um adiamento. Essa é a segunda vez que o julgamento é adiado por problemas para formar o júri, mas já houve outros adiamentos por diferentes motivos, como Covid-19 e até falha na gravação de depoimentos.

Relembre o caso de Gabriel

Na manhã do dia 5 de junho de 2020, Giovanni Gabriel havia saído de sua casa, no Guarapes, para visitar a namorada, que morava no Loteamento Cidade Campestre, em Parnamirim.

Ele tinha acabado de chegar ao local, mas como o relacionamento não era aprovado pelo pai da garota, Gabriel foi esconder a bicicleta numa área próxima à casa para evitar maiores problemas. 

Nessa mesma manhã, policiais foram acionados após o roubo de um carro em Parnamirim. O veículo pertencia à cunhada de Paullinelle Sidney Campos Silva, sargento da polícia militar que acionou outros três agentes: Bertoni Vieira Alves, Valdemi Almeida de Andrade e Anderson Adjan Barbosa de Souza, todos lotados no município de Goianinha, para buscas do veículo.

O grupo deslocou-se, inclusive, para uma área fora de sua guarnição à procura do veículo. O carro foi encontrado próximo ao local onde Gabriel tinha deixado a bicicleta e o rapaz acabou sendo confundido com o responsável pelo roubo do carro. 

Priscila, com a foto do filho assassinado na camisa durante protesto por justiça I Foto: cedida

Durante as buscas, uma primeira equipe de policiais abordou Gabriel, que explicou que estava indo visitar a namorada. Os PMs checaram a veracidade da história e liberaram ele.

Porém, ao sair da área de mata onde estava, Gabriel foi novamente abordado, dessa vez, por outra equipe de policiais, avisados por moradores da região sobre ‘um jovem em atitude suspeita” no local.

Gabriel foi novamente abordado e chegou a avisar aos policiais que já tinha sido revistado por policiais de outra viatura. Mesmo assim, ele foi colocado dentro da mala do veículo. Essa foi a última vez que Gabriel foi visto com vida. 

De acordo com as investigações da Polícia Civil, o jovem foi executado a tiros pelos policiais, que deixaram o corpo dele em São José de Mipibu, distante 30 km de Natal e 20 km de Parnamirim, onde ficava a casa da namorada.  

O cadáver de Giovanni Gabriel só foi encontrado em 14 de junho, depois das buscas realizadas por amigos e familiares do jovem.

Gabriel sonhava em ser professor de educação física e servir ao Exército. Em setembro deste ano, se não tivesse sido morto, Gabriel faria 24 anos.

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