Digitalização de produção moderniza setor de boné no Seridó
Natal, RN 16 de jun 2024

Digitalização de produção moderniza setor de boné no Seridó

3 de junho de 2024
10min
Digitalização de produção moderniza setor de boné no Seridó

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Por Ivanilson Júnior | Especial para Agência SAIBA MAIS

Caicó, na região do Seridó, interior do RN, é conhecida por produzir um dos melhores bonés do Brasil. O Título se deve ao fato de a região ter um setor têxtil e industrial forte e atuante há mais de 20 anos, com empregabilidade alta e com profissões distintas e necessárias ao mercado de trabalho. Mas o destaque para esse setor não se deve ao fato apenas de ter o melhor boné, mas também por ser um setor industrial importante para a região a qual está inserida. A região do Seridó segundo dados do setor se destaca por ter a segunda maior produção do Brasil. A indústria de bonés do Seridó possui um sindicato e uma associação, e conta com mais de 80 empresas, em Caicó, São José do Seridó e Serra Negra do Norte, e movimenta mais de 70 milhões por ano no Rio Grande do Norte com uma produção média de mensal de 2,4 milhões de bonés.

Indústrias do Seridó movimentam mais de 70 milhões por ano no RN com produção média de mensal de 2,4 milhões de peças


Com o surgimento de novas tecnologias e processos cada vez mais digitalizados, o setor sempre buscou tornar o boné seridoense reconhecido nacionalmente e mundialmente, e para isso investe pesado em capacitação e inovação, tendo alguns gargalhos nas suas etapas de produção. Com o avanço da indústria 4.0 e as recentes transformações digitais muitas empresas do setor buscam no mercado tecnológico ferramentas que melhorem sua rotina de trabalho, que otimizem tempo, e que gere análise de dados para tomada de decisões. Surgi nesse contexto novos modelos de negócios com a transformação digital, uma maneira de produzir analisando etapas e dados.

No contexto atual as empresas do setor têxtil continuam produzindo em larga escala, porém com alguns gargalhos, um deles é o seu processo produtivo que ainda continua sendo feito de maneira manual, acompanhado por fichas, em cada etapa de produção, um processo custoso, que apresenta perdas, em material, tempo, e entrega do pedido. Além disso, a não promoção de análise desse processo acarreta uma grande dificuldade no setor. O setor têxtil de boné, junto a associação e o sindicato, já se mobilizou em vários momentos em busca de uma solução que agora possui um modelo em uso numa fábrica instalada em Caicó.

Digitalização de processo produtivo irá medir dados de estoque e matéria prima


“Em 2014 houve uma consultoria para o processo produtivo em parceria com o SEBRAE/SENAI que viabilizou uma possível novidade para muitos fabricantes, tendo em vista que muitos ainda não possuem noção da complexidade dos processos produtivos e tempos de cada operação. Então, a consultoria despertou a informatização desses processos. Mas infelizmente não tivemos êxito devido à complexidade dos processos”, disse Arlúcio, assistente de produção da AGBonés.

Contando com uma produção de 35.000 peças entre bonés e chapéus, e uma mão-de-obra de 20 funcionários a AGBonés insistia na condição de não digitalizar seu processo, pois demandaria custo e recursos humanos; precisaria de um funcionário que entendesse todo o processo de produção e acompanhasse a produção do desenvolvimento de uma ferramenta tecnológica. Assim, em 2022 resolveu começar o processo de análise das etapas, primeiro com planilhas e acompanhamento do processo de produção por etapas e descrevendo os erros desde a chegada do pedido até a entrega do produto, considerando tempo em cada etapa.

“Começamos perceber em 2017, que tínhamos uma excelente produção, com muitos investimentos em máquinas e equipamentos, mas nosso retorno financeiro era baixo, chegamos à conclusão de que nossa produção estava cara e o nosso produto estava de baixa ou média qualidade e com preços relativamente baixos”, disse Agripino, proprietário da AGBonés.

Proprietário da AGBonés acredita que análise de etapas na produção irá trazer melhorias na produção do produto

A partir desse ponto a empresa percebeu que estava apta a adquirir um software que fosse capaz de automatizar e digitalizar todos os processos das empresas pois seria a única maneira de analisar erros na padronização do produto, desperdício de material, e acompanhamento das etapas. Entretanto, um dos pontos negativos atualmente das empresas é entender que a implementação é um processo que envolve etapas, desde a sua produção até o seu uso.

“A principal dificuldade é a resistência à mudança. Muitos empresários estão acostumados a métodos tradicionais, e acabam se preocupando com a complexidade e o tempo de aprendizado do novo sistema. A infraestrutura tecnológica insuficiente em algumas empresas também exigiu investimentos adicionais, gerando incertezas sobre o retorno”, esclarece Kermeson Kleyson, diretor da Viggo Sistemas.

Setor Têxtil acredita busca mudar cultura de digitalização em busca de melhorias na produção do produto

Apesar da cultura resistente, os softwares de automação oferecem suporte para que as empresas se adequem e se adaptem as mudanças em processos internos. As soluções digitais devem ser vistas como investimento estratégico a longo prazo, que irá reduzir desperdícios de materiais, melhora no aumento da eficiência e mudança nas práticas diárias, como monitoramento em tempo real, análise de dados, além da integração de processos.

“Os resultados são extremamente positivos. A indústria 4.0 demanda digitalização e automação dos negócios, pois é perceptível o crescimento delas. A automação reduz erros, melhora eficiência e produtividade. E o mais importante para o mercado digital atual, a capacidade de acessar dados em tempo real permiti decisões mais informadas e estratégicas. Para o empresário do setor têxtil, digitalizar seu negócio abri novas oportunidades de mercado, resulta em aumento de receita e criação de novos empregos”, frisa Kermeson Kleyson, diretor da Viggo Sistemas.

O mercado têxtil sempre buscou soluções tecnológicas para melhorar sua produção alinhado a investimentos em aquisição de novas máquinas e novas matérias-primas. Uma delas foi modificar o modo de coleta de dados que ainda utiliza a inserção de dados em planilha. Nesse contexto surge a possibilidade de automatizar o controle das etapas, acompanhamento e monitoramento de todo os processos de produção, buscando a eficiência operacional, análises de cada etapa e controlar todo o fluxo desde o recebimento do pedido até sua expedição. Nesse contexto, surge a obtenção de buscar um software capaz de suprir pelo menos de 80 a 90% de eficácia no controle do processo produtivo.

Em 2023, surge o primeiro protótipo com os primeiros testes que atende tanto a empresa como o corpo funcional, pois em cada área do processo produtivo é importante um gestor responsável para alimentar o sistema, além do controle de estoque de matérias-primas envolvidas no processo. Um dos primeiros resultados na implementação do software foi perceber uma melhoria na eficiência no prazo de resposta (entrada e saída do pedido) que antes era de quarenta e cinco dias e com o acompanhamento diminuiu para trinta e dois dias, um ganho significativo na questão temporal e consequentemente um melhoramento no fluxo financeiro da empresa.

SOFTWARE acompanha cada etapa e processo de produção e garante melhor eficiência

Além da automação dos processos o software também dispõe de cadastramento e organização de público interno e externo, para colaboradores, modelos de bonés e chapéus, linhas de produção e pedidos, clientes, fornecedores e matérias-primas. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Bonés e Chapéus (SINDIBONÉS-RN), Francisco Sena: “nosso setor têxtil de bonés e chapéus sofre com este tipo de modernização há mais de 20 anos, já tentamos adquirir soluções no mercado, mas sempre encontramos entraves na hora do uso, e do acompanhamento no dia a dia, agora com essa solução, vamos crescer mais, e mais importante, não vamos desperdiçar tempo”.

A digitalização das etapas de produção é uma oportunidade das empresas do Seridó estarem inseridas nesse novo tipo de indústria, uma modernização que já era esperada pelo setor há tantos anos, acompanhada de monitoramento do registro do pedido até a expedição do produto. Funciona como os mais modernos softwares do mercado com telas de visualização de dados que irão apresentar quantidade produzida, clientes atendidos, modelos requisitados, faturamento por linha de produção.

“A implementação desse tipo de ferramenta no setor têxtil do Seridó trouxe alguns desafios, mas os benefícios superam as dificuldades. A automação e digitalização transformarão essas empresas, promovendo eficiência, crescimento e competitividade. Para qualquer empresa têxtil buscando inovar e crescer, investir nessa digitalização é uma decisão estratégica que vale a pena”, frisa Kermeson Kleyson, diretor da Viggo Sistemas.

Muitas empresas têm mudado a sua rotina de trabalho influenciada por novas tecnologias e por automação de funções que antes demandavam a aquisição de ferramentas de alto custo e especialistas na área tecnológica que entendessem o processo para sua utilização, entretanto, as empresas hoje já podem contar com soluções que otimizem seu tempo, e melhorem seu fluxo de caixa, reduzindo material e acompanhado estoques.

"O setor de boné representa um segmento forte, nosso trabalho é estimular através de financiamento e parceria em consultoria que as empresas encontrem soluções digitais para continuar crescendo, sem perder a qualidade e o mercado", frisa o gerente do Escritório Regional do Sebrae no Seridó Ocidental, Pedro Medeiros.

Na AG Bonés que no início do processo de produção a fábrica que funcionava dentro dos cômodos da própria residência com seis funcionários e confecção média de 12.000 a 15.000 bonés hoje, a partir digitalização desponta seu crescimento via tecnologias e novas matérias primas que irão aumentar a sua capacidade em eficiência e produção.

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