Greve UFRN: professores realizam assembleia segunda-feira, 17
Natal, RN 18 de jul 2024

Greve UFRN: professores realizam assembleia segunda-feira, 17

13 de junho de 2024
5min
Greve UFRN: professores realizam assembleia segunda-feira, 17
Foto: Adurn-Sindicato

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Os professores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), sindicalizados ao ADURN-Sindicato, realizam uma assembleia geral na próxima segunda-feira, 17. A atividade acontece às 13h30, de forma híbrida, sendo presencialmente no auditório Otto de Brito Guerra, localizado na Reitoria, campus central da UFRN, em Natal, e de forma remota.

Na assembleia, os docentes farão uma análise de conjuntura e avaliação da reunião de negociação da categoria no Ministério da Educação (MEC), que acontece nesta sexta, 14. Além disso, os professores darão encaminhamentos para a greve geral por tempo indeterminado.

Outro ponto a ser discutido na assembleia é a mobilização dos docentes em um abaixo-assinado pela desfiliação do Adurn-Sindicato ao Proifes-Federação.

“Atendendo a pedido constante em abaixo-assinado, em respeito ao que determina o art. 9, inciso III do Estatuto do ADURN-Sindicato, o segundo ponto de pauta da reunião é a discussão sobre desfiliação da entidade ao Proifes-Federação”, declarou o sindicato.

Entenda motivos da reivindicação pela desfiliação do Adurn ao Proifes

Haroldo Carvalho, professor do Departamento de História da UFRN, relembra que a reivindicação organizada dos docentes pela desfiliação do Adurn-Sindicato ao Proifes veio logo após os professores serem surpreendidos, no dia 27 de maio, com o anúncio de que a Federação faria a assinatura de acordo com o governo, mesmo a categoria docente rejeitando o acordo na maioria das universidades que estão com as atividades paradas no país. O posicionamento, afirma Haroldo, produziu uma grande insatisfação entre docentes.

“Seja nas bases do Proifes, como nós aqui da UFRN – que já havíamos rejeitado essa proposta –, seja na percepção geral dos docentes do Brasil, que em meio a negociação, se viram novamente de frente com a mesma iniciativa feita em 2015 e 2012, quando a Proifes também se antecipa e assina acordos com o governo tentando enfraquecer o movimento docente”, ressalta o professor.

Como ele defende, a pauta de desfiliação ao Proifes será central na assembleia convocada pelo Adurn no próximo dia 17, buscando, segundo o professor, uma autonomia sindical da UFRN e um cenário no qual os docentes da instituição não sejam vistos como uma entidade que se submete aos interesses da Federação.

“Porque entendemos que a Proifes abdicou da representação sindical das universidades, sobretudo das grandes universidades, como a UFRN, a Federal de Goiás, Bahia, Santa Catarina, o IF [Instituto Federal] do Paraná e mesmo a Federal do Rio Grande do Sul. Todas essas grandes universidades que são vinculadas ao Proifes rejeitaram essa proposta do acordo e o Proifes optou por levar à mesa de negociação uma série de sindicatos cartoriais que não representam as bases das categorias e, com isso, gerou essa insatisfação”, afirma Haroldo.

“A nossa ideia é tentar dar início a esse processo de discussão, apontando a desfiliação do Proifes e que isso seja construído de forma tranquila, que a nossa entidade sindical conduza isso, já que a gente fez um requerimento com assinatura de mais de 10% dos sócios, quando no dia 3 de junho entregamos esse documento. Então a expectativa é que a gente possa construir uma autonomia aqui do sindicato e, a partir daí, a gente discuta os rumos do nosso movimento, integrando com as lutas dos servidores. O Sintest [Sindicato Estadual dos Trabalhadores em Educação do Ensino Superior do RN], que é um parceiro nosso, se vê muito isolado em relação ao enfrentamento dessas pautas por conta da dificuldade de alianças com a própria Adurn.”

Segundo o professor, o Proifes-Federação é uma entidade que se coloca a serviço do atual governo, o que pode fragilizar o Adurn, que é um de seus sindicatos filiados.

“A própria carta sindical que eles [Proifes] receberam nesta última segunda-feira, depois de anos de travado esse processo no Ministério do Trabalho, mostra que o governo também enxerga, na Proifes, o seu braço sindical. E é muito ruim um governo que tem, na figura do presidente Lula, um líder sindical importantíssimo na história do Brasil e do mundo, acabar induzindo a formação de uma federação sindical que tem como objetivo fragmentar a categoria. Então a carta sindical que o Proifes recebeu, se dá legalidade, não dá legitimidade”, pontua.

Para Haroldo, o debate é um caminho para que a UFRN possa estar preparada diante dos enfrentamentos atuais e futuros, como o da recomposição orçamentária.

“A gente sabe que a luta pela recomposição das universidades ou pela sua recolocação no cenário público é uma luta que começa agora, nesse passado o primeiro ano do governo Lula. Mas a gente sabe que ela vai se colocar de uma forma permanente. As forças que operam no Brasil hoje operam na disputa do orçamento, e nós queremos fortalecer a nossa posição e o papel que representamos em termos da pesquisa científica, da formação de quadros qualificados para a sociedade e em termos de inovação.”

A reportagem entrou em contato com o Adurn-Sindicato para comentar sobre as pautas da assembleia desta segunda, 17, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

Serviço

O quê? 35ª Assembleia Geral Extraordinária do ADURN-Sindicato

Quando? Segunda-feira, 17 de junho de 2024, às 13h30

Onde? Presencialmente no auditório Otto de Brito Guerra, localizado na reitoria da UFRN; e remotamente via Zoom.

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