Justiça condena ex-namorado por matar jovem na volta do trabalho em Natal
Natal, RN 18 de jul 2024

Justiça condena ex-namorado por matar jovem na volta do trabalho em Natal

20 de junho de 2024
5min
Justiça condena ex-namorado por matar jovem na volta do trabalho em Natal
Ato denúncia em frente à Câmara Municipal, organizado pelo campanha Levante Feminista contra o Feminicídio, colocaram 210 cruzes nas escadarias do Palácio Pedro Ernesto, simbolizando cada uma das 111 mulheres assassinadas no estado em 2022 e as 99 mulheres assassinadas em 2023 I Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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Wallace Barbosa dos Santos, de 24 anos, foi condenado a 25 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato triplamente qualificado da ex-namorada, Renata Dantas, que tinha 19 anos quando foi morta a tiros no dia 07 de abril de 2023, quando voltava da pizzaria onde trabalhava, no bairro do Nordeste, para casa onde morava, no bairro Planalto, Zona Oeste de Natal.

Wallace foi condenado como mandante do crime. Além dele, Willian Bruno Costa dos Santos, de 24 anos, foi condenado a 21 anos e 10 meses de prisão, também em regime fechado, por ter efetuado os disparos que mataram a vítima.

Renata Dantas, tinha 19 anos quando foi assassinada por ex-namorado I Foto: reprodução

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Renata já havia chegado ao Planalto, nas proximidades da Travessa João Hélio Medeiros, quando dois homens numa moto se aproximaram e efetuaram os disparos. Ela morreu ainda no local.

Renata Dantas manteve uma relação de seis anos com Wallace Barbosa dos Santos, que foi encerrada em dezembro de 2022. Wallace e Willian foram a júri popular, que durou dois dias, no Fórum Miguel Seabra Fagundes, em Natal.

Além do assassinato de Renata, a dupla também é apontada pela Polícia Civil como os autores da morte do guarda municipal Domício Soares Filgueira, assassinado com tiro na cabeça no Parque da Cidade. Ele estava na guarita que dá acesso ao Parque pelo bairro de Cidade Nova. Na ocasião, uma outra guarda também foi baleada, mas socorrida a tempo.

Feminicídios

Segundo o Atlas da Violência de 2024, que analisou os dados da década que vai de 2012 a 2022, enquanto a taxa geral de homicídios (de homens e mulheres) caiu 3,6% entre 2021 e 2022, os homicídios de mulheres não apresentaram melhora nos índices, permanecendo no patamar de 3,5 mortes para cada 100 mil mulheres brasileiras.

Além disso, apenas 13 das 27 Unidades da Federação reduziram suas taxas de homicídios femininos entre 2021 e 2022, sendo que a diminuição mais significativa ocorreu no estado do Tocantins (-24,5%), seguido pelo Distrito Federal (-24,1%) e Acre (-20,3%).

Na direção oposta, 12 Unidades da Federação registraram aumento nos homicídios de mulheres em 2022 em comparação com o ano anterior, as maiores altas foram observadas nos estados de Roraima (52,9%), Mato Grosso (31,9%) e Paraná (20,6%). No Rio Grande do Norte, houve alta de 2,6%.

Porém, considerando o período que vai de 2017 a 2022, o RN teve queda de -54,1% nos casos de homicídios de mulheres. Nesse mesmo período, apenas São Paulo (-56,1%) teve redução maior.

Tabela elaborada pelo Atlas da Violência de 2024

Dos nove estados do Nordeste, o Rio Grande do Norte é o 7º em número de morte de mulheres. O ranking é liderado pela Bahia, com 411 assassinatos do sexo feminino, em seguida aparece o Ceará (275) e Pernambuco (229).

Homicídio de mulheres no NE:

Sergipe: 36

Piauí: 67

Rio Grande do Norte: 71

Alagoas: 77

Paraíba: 84

Maranhão: 127

Pernambuco: 229

Ceará: 275

Bahia: 411

Tabela elaborada pelo Atlas da Violência de 2024

Em casa

Uma das características do assassinato de mulheres é o local da morte. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, cerca de 70% dos feminicídios identificados pelas polícias civis foram cometidos dentro de casa.

Na pesquisa, os dados não diferenciam feminicídio de homicídio porque, embora o termo feminicídio exista na legislação brasileira, não é possível identificar os casos assim qualificados a partir dos registros de declaração de óbitos, já que a tipificação do crime deve ser feita no âmbito do sistema de justiça criminal, e não do sistema de saúde.

De acordo com os registros de óbitos, 34,5% dos homicídios de mulheres ocorreram dentro da casa da vítima, totalizando 1.313 mortes em 2022. Enquanto isso, nesse mesmo período, entre os homens, somente 12,7% dos homicídios ocorreram nas residências.

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