Muçulmana é constrangida ao tentar entrar com véu na Assembleia do RN
Natal, RN 13 de jun 2024

Muçulmana é constrangida ao tentar entrar com véu na Assembleia do RN

6 de junho de 2024
5min
Muçulmana é constrangida ao tentar entrar com véu na Assembleia do RN
Foto: reprodução TV Assembleia RN

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Uma mulher muçulmana foi inicialmente barrada de entrar na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN) na manhã desta quinta-feira (6). Ana Maria Pimenta foi até a Casa legislativa para participar de uma reunião da Comissão de Direitos Humanos, mas a segurança não queria a deixar entrar com o véu islâmico. Depois de uma pressão, a entrada foi permitida.

A denúncia foi feita primeiramente por Mohamad Tawfic, marido de Ana Maria e membro do Comitê Estadual Intersetorial de Atenção aos Refugiados, Apátridas e Migrantes do RN (CERAM/RN), que falou durante a reunião.

“A Ana Maria, com o véu dela, muçulmana, minha esposa, foi barrada na entrada, e só depois que chamaram o número 2, o número 1, no microfone, que deixaram entrar com a insistência nossa e dos presentes também”, disse. 

A alegação da segurança do local era sobre as normas da Assembleia. Ele pediu que os deputados revejam essas regras.

“Porque eu não sei se as freiras entram ou não entram aqui? As irmãs das matrizes africanas entram ou não entram aqui? Imagine amanhã uma funcionária muçulmana com um véu. Como ela vai trabalhar? Têm concursos, não têm concursos? Se uma muçulmana ganhar a vaga, como ela vai trabalhar usando o véu?”, questionou.

Mohamad Tawfic, esposo de Ana Maria | Foto: Eduardo Maia

Ana Maria, convidada como representante da comunidade muçulmana no RN, também assumiu o microfone e falou sobre o caso.

“Se você faz qualquer tipo de reunião, você vai proibir alguém de entrar? Como é que vai acontecer? No caso, ele disse que eu não poderia entrar, que é uma norma da Casa. E seria exatamente a minha fala sobre isso, uma proposta para que seja vista essa norma, porque como tem eu muçulmana, tem outras muçulmanos, têm as freiras, têm as pessoas de matriz africana e tem qualquer pessoa que queira entrar nessa casa, a casa é do povo”, reivindicou.

“Eu nem acreditei na hora quando ele me barrou porque é uma coisa tão impensável, hoje em dia, em pleno século XXI existir esse tipo de coisa”, lamentou a mulher.

A reunião na ALRN contou com a participação de 14 dos principais órgãos e instituições no RN que tratam dos direitos humanos e que integram a rede de proteção a esses direitos no estado. O objetivo foi estreitar o diálogo com estas entidades a fim de fortalecer a rede e intensificar as ações. 

A comissão é presidida pela deputada Divaneide Basílio (PT) e ainda tem como membros titulares Ubaldo Fernandes (PSDB), como vice-presidente, e a deputada Terezinha Maia (PL).

Em nome dos três, Divaneide pediu desculpas e disse que os parlamentares vão buscar rever as normas.

“Queremos, em nome da Casa, dizer que isso realmente não é um procedimento que nós concordamos. A gente se solidariza porque é um momento difícil, quando a gente é abordado de forma indevida e quando a gente é barrado na porta de algum estabelecimento. Eu já passei isso várias vezes aqui, inclusive, e eu quero dizer para você que o deputado Ubaldo já falou aqui também comigo, dando a sugestão de nós realizarmos uma reunião com a Procuradoria, porque as vestes têm a ver com a identidade de cada povo, então não pode ter esse tipo de cerceamento, senão a gente não vai ter a participação efetiva”, explicou Divaneide.

Para Ubaldo, a população tem que ter acesso à Casa independente das vestimentas, porque fazem parte da cultura de um povo e dos migrantes que estão no Brasil.

“Então nós vamos propor essa reunião o mais rápido possível para tratar desse assunto. Se for regimental, muda o regimento”, afirmou Fernandes. Terezinha Maia também se solidarizou com Ana Maria.

De acordo com Divaneide Basílio, o caso se tratou de mais um aprendizado.
“Todo dia é um aprendizado. A gente vem discutir para pensar projetos de futuro e a gente se esbarra numa coisa que para a gente já devia estar vencida. Mas contem conosco. É para isso mesmo que existe essa comissão”, reafirmou.

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