Período junino aumenta queimaduras; saiba como se prevenir 
Natal, RN 18 de jul 2024

Período junino aumenta queimaduras; saiba como se prevenir 

21 de junho de 2024
0min
Período junino aumenta queimaduras; saiba como se prevenir 
foto: reprodução/prefeitura de Natal

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

O período junino é a época de milho assado, bombinhas e fogueiras. Durante os festejos, que começam em junho e só terminam em julho, o número de queimaduras aumenta por causa dos acidentes envolvendo o fogo. Em alguns casos, o número de queimaduras pode aumentar em até 2 mil %, de acordo com especialista ouvido pela reportagem. Por isso, a Agência Saiba Mais separou dicas de como evitar e cuidar das queimaduras.

De acordo com Marco Almeida, cirurgião plástico do Centro de Queimados do Hospital Walfredo Gurgel, fogos de artifício e fogueiras, normalmente, elevam o número de acidentes com queimaduras nesta época do ano. O Ministério da Saúde, também já sinalizou que nessa época de festejos juninos há um aumento de casos de queimaduras em vários estados brasileiros. No Rio Grande do Norte, o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, o maior do Rio Grande do Norte, recebeu, nos primeiros cinco meses de 2024, 186 pacientes vítimas de acidentes com queimaduras. 

Durante o ano de 2023, no período de fevereiro a maio, o CTQ registrou 207 atendimentos de pacientes com queimaduras, sendo 43 casos de internação. Marcos explica que: “Fogos de artifício, fogueiras normalmente elevam muito o número de acidentes por queimadura. Nesse mês chega a aumentar em até 2 mil%. A primeira orientação que eu posso passar é que fogos de artifício, de preferência, nenhuma criança deve brincar com nenhum tipo de fogo de artifício. Porque mesmo um chumbinho ou um chuveirinho que se jogado no rosto de outra criança pode levar a uma cegueira se lesar o globo ocular ou mesmo deixar uma marca definitiva.”. 

Leia também: Bombinhas de São João: quais cuidados e alertas se ter nos festejos juninos 

Para o cirurgião, fogos de artifício só deveriam ser manipulados ou manuseados por pessoas habilitadas, treinadas do ponto de vista técnico.  “É por isso que no Rio de Janeiro, no Réveillon, o show de fogos de artifício foi levado pra dentro da Baía da Guanabara, em cima de balsas, como uma questão de segurança. Fogos de artifício é muito comum levarem a mutilações nas mãos, com pedaços de dedos, às vezes alguns dedos da mão, às vezes a mão inteira. Enfim, são lesões muito graves quando acontecem. Eu sei que existe uma faixa etária adequada pra cada tipo de fogos de artifício, mas, na minha opinião, os fogos de artifício deveriam ser manipulados somente por pessoas treinadas.”, conta. 

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM), as mãos são as maiores atingidas nos acidentes. Segundo levantamento da SBCM, com base nos números do Ministério da Saúde, a maior ocorrência é atribuída a queimaduras de segundo grau, com lesões nos membros superiores: mãos e punhos, que são as partes mais expostas, braços, tronco, rosto e olhos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também informa que cerca de 180 mil pessoas morrem por ano devido a queimaduras gerais, sendo considerada a quinta causa mais comum de lesões não fatais na infância. As lesões podem causar morbidade, hospitalização prolongada, desfiguração, cicatrizes, incapacidade e levar à morte.

Cuidados e recomendações

“Quando a gente pensa em fogueiras, a gente tem algumas dicas importantes. Primeiro: evitar fogueiras muito altas, porque vai ter um momento em que ela vai desmoronar e quem tiver do lado pode se queimar.”, explica o cirurgião. De acordo com o especialista, também é importante evitar construir fogueiras perto de fiações elétricas. “Deve-se evitar fazer fogueiras embaixo de linha elétrica, embaixo de árvores ou perto de janelas, porque batendo vento pode levar uma fagulha para dentro de casa e isso causar um acidente grave, importante”, conta.

“Outra dica importante é lembrar de apagar o braseiro da fogueira assim que acabar a festa, estando-se sempre consciente e alerta de que enquanto as pessoas estão brincando em torno da fogueira, é comum que as crianças estejam livres e aí elas entram para dentro de casa e a maior parte das queimaduras acontecem dentro de casa.”, continua. 

Marcos explica que cerca de 80% das queimaduras acontecem dentro de casa. “A cozinha então sempre que possível isolar a cozinha do resto da casa, colocando uma cancela, colocando barreira física para que a criança não tenha livre acesso à casa principalmente a cozinha.”, completa.

Classificação:

As queimaduras são classificadas quanto à profundidade que atingem a pele. Sendo elas de 3 tipos:

Primeiro grau: quando as lesões atingem somente a camada epidérmica.

Segundo grau: quando há comprometimento da epiderme e a camada superficial ou profunda da derme.

Terceiro grau: acomete, além da pele, outros tecidos como o subcutâneo, músculos, tendões e até mesmo os ossos.

O especialista recomenda que, havendo queimaduras, a primeira medida a tomar é evitar de passar gelo, porque o gelo também queima. Além disso, também é preciso evitar passar qualquer outro tipo de substância química, ou clara de ovo, borra de café ou casca de banana.  “Qualquer substância deve ser evitada, porque isso pode atrapalhar a primeira avaliação feita pelo médico, assim como pode aprofundar a queimadura, ou mesmo causar mais dor na retirada dessas substâncias da área queimada, durante a primeira avaliação médica.”, explica. 

“É importante que a gente simplesmente lave com água corrente de forma abundante para tirar o dolorimento, e também algum resíduo que possa estar aderido à pele, e em seguida se cobre com um pano limpo e se leva para uma avaliação imediata ao médico, numa UPA ou Pronto Atendimento ou a SAMU. Eles é que vão regular o paciente e que vão encaminhar o paciente para o CTQ, O Centro de Tratamento de Queimaduras no Walfredo Gurgel.”, completa. 

As primeiras horas são cruciais para um atendimento eficaz, segundo o especialista. "As primeiras horas são muito importantes nas queimaduras, principalmente se for uma queimadura muito extensa, onde o paciente necessita obrigatoriamente de receber uma super hidratação por via endovenosa, isso em ambiente hospitalar. Por isso que não se aguarda, não se espera um, dois, três dias, porque a queimadura tem que ser tratada o mais breve possível", finaliza.

As mais quentes do dia

Apoiar Saiba Mais

Pra quem deseja ajudar a fortalecer o debate público

QR Code

Ajude-nos a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Este site utiliza cookies e solicita seus dados pessoais para melhorar sua experiência de navegação.