Projeto da UFRN quer melhorar alfabetização de crianças com a soneca
Natal, RN 13 de jun 2024

Projeto da UFRN quer melhorar alfabetização de crianças com a soneca

8 de junho de 2024
3min
Projeto da UFRN quer melhorar alfabetização de crianças com a soneca
Para a pesquisa, a "soneca" é aliada da alfabetização. Foto: Cesar Brustolin/SMCS

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“Sala de aula não é lugar de dormir!” – e se fosse? A velocidade de leitura da criança em alfabetização pode dobrar se forem utilizadas técnicas de treinamento multissensorial – envolvendo múltiplos sentidos – aliado à soneca na escola. É o que mostrou um protocolo do laboratório coordenado pelo professor Sidarta Ribeiro, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Agora, a ideia é que o projeto seja levado às escolas públicas do Brasil, iniciando pelo RN, quando as aulas experimentais do projeto “Soneca Escolar” constituirão a pesquisa de mestrado em neurociências da pesquisadora Flora Assaf, do Instituto do Cérebro (ICeUFRN).

“O sono sempre foi tido como o inimigo da professora, do professor, o inimigo do aprendizado das crianças e dos adolescentes nas escolas. Mas o que nós vimos nos últimos quase vinte anos de pesquisa é que, ao contrário: o sono pode ser muito importante para consolidar o aprendizado de longo prazo”, ressalta Sidarta Ribeiro.

A pesquisa “Soneca Escolar”, do laboratório Sono, Sonhos e Memória, quer trazer uma melhoria real na vida das pessoas. Na última pesquisa do laboratório, as crianças de 1º ano do ensino fundamental que participaram do protocolo dobraram a velocidade de leitura. Agora, a pesquisa quer levar essa melhoria às escolas do Brasil. Para isso, está precisando de recursos financeiros para, em um primeiro momento, ser levada às escolas públicas do RN.

“Nesse primeiro momento, nós precisamos de recursos para adquirir colchonetes, máscaras e alguns equipamentos eletrônicos – computadores, celulares – que nós vamos precisar para registrar as aulas experimentais”, explica Ribeiro.

“Minha pesquisa de mestrado será justamente um estudo de como viabilizar esse protocolo de maneira escalável para todo o Brasil”, pontua Flora Assaf.

A pesquisa é uma forma de buscar alternativas para melhorar os índices de alfabetização no país. Em 2022, havia, no Brasil, 163 milhões de pessoas de 15 anos ou mais de idade. Dessas, 11,4 milhões não sabiam ler ou escrever um bilhete simples. Os dados são do censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o qual concluiu que a taxa de analfabetismo diminuiu em 12 anos – desde o censo de 2010 –, mas que as desigualdades persistem.

Para quem tiver interesse em colaborar com o projeto Soneca Escolar, pode clicar aqui. Até a manhã deste sábado, 08, o projeto havia arrecadado 6% da meta.

Como funciona o protocolo
Durante três semanas pela manhã, as turmas participarão de atividades multissensoriais com o objetivo de inibir a invariância em espelho – uma possível causa do espelhamento das letras na hora da escrita. Depois do almoço, as crianças terão duas horas para tirar uma soneca.

Após as três semanas, a pesquisa vai medir como ficou a velocidade de leitura, nível de compreensão e prazer na leitura. As medidas serão feitas na semana seguinte, 90 e 365 dias depois das atividades. Comparando com as medidas tiradas antes de o protocolo começar, saberemos se houve melhora comparado com as turmas que não participaram do protocolo.

Confira vídeo de divulgação

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