Fernando Campos: “Em toda criança com câncer há um adulto com chance de viver”
Aos 32 anos, o jornalista e escritor Fernando Campos celebra os 29 anos de fundação da Casa Durval Paiva com a certeza de que o trabalho desenvolvido pela instituição, focado no diagnóstico precoce do câncer, é um dos principais propósitos da história dele, porque “em toda criança com câncer há um adulto com chance de viver.”
Fernando Campos foi diagnosticado com câncer na retina quando tinha um ano e meio de vida. Após a cura do câncer que ocasionou a perda da visão de Fernando, aos dois anos, o pai dele, Rilder Campos, com ajuda da família, deu início a Casa Durval Paiva de apoio à criança com câncer, que é referência no país no atendimento a crianças com câncer e doenças hematológicas crônicas.
Com mais de 400 mil seguidores no instagram Fernando Campos (@fernandocampos), que também é palestrante e já publicou dois livros, usa o ambiente virtual para conscientizar as pessoas sobre o diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil, sobre capacitismo, inclusão e preconceitos. “Quando digo que o câncer foi um divisor de águas em nossas vidas é disso que estou falando!”
Conversa com Fernando Campos
A Casa Durval Paiva completa 29 anos, com mais de duas mil crianças atendidas. Como é ter sido a criança que inspirou a construção dessa rede de apoio e atendimento?
Bom, para mim isso é uma grande alegria, é um momento de júbilo, realmente. É aquela sensação de que tudo deu certo, de viver cumprido, muito embora tenha muito trabalho pela frente. É uma história que, como eu cresci junto com a casa, eu fui assimilando aos poucos. E ver hoje a transformação que ela gera na vida das pessoas, o impacto que ela causa, é muito significativo para mim.
O diagnóstico precoce é a bandeira defendida pela Casa Durval Paiva e você é um exemplo de que este é o caminho para vencer o câncer. Como é a sua vida hoje?
Diagnóstico precoce é a principal bandeira defendida pela casa Durval Paiva. Vamos lá. Olha, o diagnóstico precoce é fundamental para que as chances de cura e de cura sem sequela sejam aumentadas. Até mesmo eu, se tivesse sido diagnosticado de forma mais precoce, poderia ter tido a visão preservada. Eu sou muito bem resolvido com isso, para mim tudo certo. A minha vida é bem natural, na verdade. Eu lido com isso muito bem porque minha família sempre me criou muito para o mundo. Sempre me incentivando a enfrentar os desafios. Eu sempre também tenho muita personalidade aí, que eu sempre gostei de desafios.
Além da luta pelo diagnóstico precoce, você também atua pela inclusão de pessoas com deficiência. Como é essa ser representante dessas lutas?
Eu digo que são as minhas principais bandeiras, porque eu sou um sobrevivente do câncer infantil juvenil e eu sou uma pessoa com deficiência. E eu acho que é muito natural, não teria como ser diferente para mim, entendeu? Lutar por isso, levantar essas bandeiras, são coisas muito comuns, muito natural para mim, não tinha como ter outro caminho.
Qual a importância da rede de apoio que a Casa oferece para os pacientes e familiares?
Bom, a Casa Durval Paiva hoje conta com a equipe multidisciplinar, com 92 funcionários que estão dedicados inteiramente no resgate da cidadania, da qualidade de vida, da dignidade dessas pessoas. Então, a gente tenta humanizar ao máximo o tratamento, porque é um tratamento doloroso, difícil. E a gente tem essa missão aí.
Celebrando Vidas
A Casa de Apoio à Criança com Câncer Durval Paiva completou 29 anos de fundação, no dia 11 de julho. Em quase três décadas, a instituição oferece suporte integral para crianças e adolescentes em tratamento oncológico e de doenças hematológicas crônicas, bem como acolhimento às famílias.
Desde a fundação, em 1995, a Casa Durval Paiva tem contribuído para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes e seus familiares, por meio dos mais de 80 colaboradores especializados em diversas áreas, que compõem a equipe multidisciplinar, além de voluntários dedicados à causa.
Nesses 29 anos, cerca de 2 mil crianças e adolescentes foram acolhidos pela Instituição, em mais de 12 mil atendimentos anuais.