Movimentos denunciam fechamento de residência feminina da UFRN
Natal, RN 25 de jul 2024

Movimentos denunciam fechamento de residência feminina da UFRN

10 de julho de 2024
3min
Movimentos denunciam fechamento de residência feminina da UFRN
foto: reprodução

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A residência universitária exclusivamente feminina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que ficava na Praça Pedro Velho, fechou as portas definitivamente na última terça-feira (4). O local vinha sendo esvaziado desde 2018 e diante dos problemas de falta de moradia, o Movimento de Mulheres Olga Benário e o Movimento Correnteza formularam uma denúncia à instituição e estão mapeando a situação das residências e auxílios femininos na instituição.

A residência é uma das mais antigas do estado, está localizada precisamente na rua Potengi e era planejada para receber 24 residentes, sendo um espaço para proteção e permanência das mulheres estudantes. Segundo o Movimento Olga Benário, a Reitoria da UFRN afirmou, na época, que esvaziou de forma proposital a residência, não enviando mais mulheres estudantes. “Em sua declaração, houve ‘uma ‘sensação’ de que há mais homens solicitando vagas na residência do que mulheres, o que justificaria mais estruturas para residências masculinas.’”, escreveu o movimento em denúncia. 

Kivia Moreira, militante do Olga Benario, explicou à Agência Saiba Mais que na época em que a residência foi fechada não existia um esvaziamento total do local e que a UFRN decidiu, de forma política, fechar as portas da casa.

“A questão é que, nesse período que foi fechado, foi fechado de forma proposital. Não existia, por exemplo, um total esvaziamento da residência, algo nesse sentido. Foi a UFRN que decidiu politicamente, porque isso é político, sobre a permanência das estudantes na universidade, de fechar as portas, dizendo que não existia demanda. Sendo que, inclusive, na época, as próprias residentes que estavam no espaço saíram e ficaram constrangidas, de certa forma, porque não existia realmente um diálogo acolhedor da reitoria para acolher essas mulheres”, explica. 

Movimentos cobram políticas de permanência estudantil feminina na UFRN 

Kivia também comenta que na universidade, hoje, existem mais vagas para homens ou pessoas masculinas do que para mulheres, existindo algumas residências para homens e apenas uma feminina. “A maior parte das estudantes são mulheres, Inclusive, a própria evasão escolar é consideravelmente feminina, né? Não é majoritário na universidade, mas é consideravelmente feminina.”, explica. Moreira relaciona esse abandono com a falta de políticas de permanência para as estudantes mulheres da instituição, como por exemplo, a baixa ou falta de auxílios para as estudantes.  

“Hoje, o auxílio moradia, assim como os outros auxílios que existem, é apenas 300 reais. Inclusive, auxílio creche é apenas 200. E para as estudantes que estão grávidas, estando na residência, ela é expulsa da residência, porque a norma não permite que as  mães estejam na residência. Então, como vão permanecer as mulheres, sobretudo as mães, que não têm esse espaço? É uma, na verdade, uma política de expulsão dos corpos femininos das mulheres na universidade.”, comenta.

“Nós temos feito denúncias de que hoje nenhuma creche, nem integral em nenhum período é R$200,00 em Natal e em outros municípios. Hoje, quem mais compõe a faixa da pobreza em nosso país são as mulheres, mães solo, e que têm maiores condições de vida, de moradia digna, são as mulheres. Então, por isso, as políticas públicas de moradia têm que atender às mulheres.”, completa. Nesse sentido, os movimentos têm se organizado, com passagens em salas de aula, denúncias e colagens de cartazes, para pressionar a reitoria a pensar em políticas de permanências para as alunas entrarem na universidade e conseguirem concluir seus cursos. 

Por isso, os movimentos elaboraram um monitoramento da situação das residências para pensar em estratégias que fortaleçam a permanência estudantil feminina na universidade. O link para o formulário está disponível aqui. 

Procurada pela reportagem, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte informou que o prédio da residência feminina estava sem ocupação nos últimos anos e o local passou a ser moradia coletiva para médicos matriculados em cursos do Programa de Residência Médica, oferecidos nos Hospitais Universitários da UFRN. 

“Como o prédio da residência feminina estava sem ocupação, nos últimos anos, o local vem sendo destinado à moradia coletiva para médicos matriculados em cursos do Programa de Residência Médica, oferecidos nos Hospitais Universitários da UFRN. Em respeito à legislação vigente, a instituição de ensino deve disponibilizar moradia aos estudantes da residência médica, cuja seleção ocorre por meio de edital público.”, respondeu a instituição. 

Sobre a denúncia da tentativa de esvaziamento da residência, a universidade respondeu que: “Pelo que foi apurado junto à Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis, o que vinha acontecendo é que, como a maior parte das atividades dos cursos estão no campus central, para facilitar o deslocamento, as estudantes preferiram ficar nas residências do campus universitário.”

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