Pesquisa da UFRN descobre nova espécie de ave da caatinga
Natal, RN 24 de jul 2024

Pesquisa da UFRN descobre nova espécie de ave da caatinga

4 de julho de 2024
3min
Pesquisa da UFRN descobre nova espécie de ave da caatinga
Mudanças no clima e no Rio São Francisco contrubuiram para surgimento da espécie | Foto: Pablo Cerqueira

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Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em parceria com o Instituto Tecnológico Vale (ITV), o Museu Paraense Emílio Goeldi e a Universidade Federal do Pará (UFPA), descobriu uma nova espécie de ave, que é conhecida com choca-do-nordeste-de-cauda-barrada (Sakesphoroides niedeguidonae), e que possui características genéticas distintas da já conhecida choca-do-nordeste. 

Publicada no periódico Zoologia Scripta, o estudo identificou que a interação do ambiente da choca-do-nordeste foi importante no surgimento da nova espécie. Isso porque, as alterações climáticas e também as mudanças no Rio São Francisco separaram o grupo de aves em duas espécies, surgindo assim a espécie recém descoberta com cauda barrada. 

Possuindo diferenças nas penas e no canto, os pesquisadores notaram diferenças no próprio organismo das aves, com uma variação genética de 1,8% entre os grupos de animais. 

Mapa da distribuição da espécie choca-do-nordeste-de-cauda-barrada (em verde) – Arquivo dos pesquisadores/Adaptado

A pesquisa

Para realizar o estudo, os pesquisadores Mauro Pichorim (UFRN); Alexandre Aleixo (ITV); Gabriela R. Gonçalves (UFPA); Marcelo Silva (Museu Emílio Goeldi); Pablo Cerqueira (ITV e UFPA); e Tânia F. Quaresma (ITV), colheram 58 amostras de material genético e analisaram 1079 aves, coletando, ainda, uma fêmea encontrada na Serra Vermelha, em São Raimundo Nonato (PI). 

Depois da coleta, a equipe verificou 568 registros de ocorrência, entendendo como as linhagens tinham um histórico de parentesco. O resultado do estudo incluiu também a descoberta de padrões diferentes de canto, que tem características em relação com a plumagem das aves. 

“Essa espécie nova, que vive na região mais ao norte e a oeste do Rio São Francisco, pode estar enfrentando uma diferença de perda de habitat maior do que a espécie já conhecida”, explicou Mauro Pichorim, pesquisador da Departamento de Botânica e Zoologia (DBEZ) da UFRN. No entanto, a ave, que é da Caatinga, não está em processo de ameaça de extinção, embora alguns animais que vivem nesse ambiente estejam.

O nome da espécie “S. niedeguidonae”, faz menção à Niède Guidon (1933-), arqueóloga conhecida por suas pesquisas realizadas na Serra da Capivara. As mudanças do clima e alterações do nicho ecológico, como a mudança no percurso do rio, alterou a vida da choca nordeste, como apontou o estudo. Além disso, climas mais secos, mais úmidos, quentes ou frios, ao longo da história do próprio planeta e do bioma da Caatinga, podem ter ajudado a diversificar outras espécies, além da choca-do-nordeste, como explicou o pesquisador da UFRN.

Os pesquisadores afirmam também que o tempo de divisão entre a nova espécie e o S. cristatus é consistente com o estabelecimento do novo curso do Rio São Francisco e, como consequência, criou um novo contato entre as espécies na região do Raso da Catarina (paisagem natural com cânion localizado na Bahia). 

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