Vereador ligado ao MBL tenta intimidar manifestantes na Câmara de Natal
Durante a sessão ordinária da Câmara Municipal de Natal (CMN), nesta quarta-feira (9), quando a bancada do prefeito Paulinho Freire (União Brasil) tentou votar o título de cidadão natalense para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o vereador Matheus Faustino (União Brasil), ligado do MBL (Movimento Brasil Livre), tentou intimidar manifestantes que ocupavam as galerias em protesto conta a homenagem proposta pelo vereador Subtenente Eliabe (PL).
O grupo de manifestantes ocupou as galerias da Câmara Municipal de Natal com cartazes, faixas e palavras de ordem contra a proposta de concessão do título de cidadão natalense a Jair Bolsonaro.
Os cartazes exibidos pelos manifestantes continham palavras de ordem como “sem anistia para golpistas”, além de pedirem “prisão para os(as) golpistas”, numa referência aos extremistas que participaram da invasão à sede dos Três Poderes em Brasília (DF) no dia 8 de janeiro de 2023.

Jair Bolsonaro foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República como o maior articulador da tentativa de golpe de Estado, que culminou com os atos antidemocráticos de 8/1/2023. De acordo com a PGR, o ex-presidente aprovou, inclusive, o plano para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Incomodado com a manifestação, o vereador que propôs a homenagem a Jair Bolsonaro, Subtenente Eliabe (PL), pediu que os manifestantes fossem retirados das galerias da CMN, alegando que seu colega Matheus Faustino havia sido “desacatado”.
A tentativa de censurar a manifestação, no entanto, não foi atendida. O vereador Eribaldo Medeiros (REDE), que presidia a sessão, suspendeu os trabalhos por duas vezes.
Provocação
Matheus Faustino alegou que foi agredido por um das pessoas que protestava nas galerias com um soco na barriga. Um vídeo que circula nas redes sociais, no entanto, mostra o vereador indo para cima de um dos manifestantes.
“Você não vai intimidar assessor meu aqui não”, disse o vereador ao manifestante. Depois de discursar em plenário, Matheus Faustino se dirigiu às galerias, confrontou os manifestantes e, com o dedo em riste, tentou impedir a continuidade do protesto.
O vereador disse aos manifestantes que se eles “querem estar no plenário, ganhem votos e sejam eleitos”.

A vereadora Brisa Bracchi (PT), líder da oposição na CMN, disse que os assessores do parlamentar tentaram “provocar” os militantes que realizavam uma “manifestação pacífica”.
“O vereador [Matheus Faustino] acha que é uma boa ideia provocar”, ponderou a petista.
Vereador se irritou após sua “independência” ser questionada
O sindicalista Marcone Olímpio relatou à reportagem da Agência Saiba Mais que o vereador perdeu o controle após ouvir sua alegada “independência” como parlamentar ser questionada.
“Ele discursou dizendo que era independente, não pertencia a nenhum grupo, nem da situação nem da oposição, mas recebeu R$ 30 mil em doação eleitoral da campanha do prefeito Paulinho Freire. Eu disse isso, um assessor dele ouviu e foi contar a ele, que saiu do plenário e veio para cima de mim com gosto de gás”, contou o manifestante.

A doação da campanha do prefeito Paulinho Freire ao vereador Matheus Faustino veio à tona na semana passada, durante reunião de instalação da Comissão Especial de Inquérito (CEI), proposta pela bancada governista, para criminalizar o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB).
Naquela ocasião, Faustino disse que era “o único agente independente” na Câmara Municipal, mas foi contraditado pelo vereador Daniel Valença (PT), que lembrou o lembrou da doação recebida do prefeito Paulinho Freire.
Matheus Faustino argumentou que os recursos vieram do União Brasil, mas os dados oficiais do “Divulga Cand” mostram que o dinheiro foi efetivamente doado pelo prefeito Paulinho Freire.
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Agressão
A respeito da suposta agressão alegada pelo vereador, que após a sessão fez um boletim de ocorrência, o sindicalista deu outra versão dos fatos.
“Ele disse que um companheiro nosso agrediu ele, um idoso de 69 anos de idade, mas foram os seguranças da Câmara Municipal que agrediram o nosso companheiro”, relatou.
Marcone foi à delegacia prestar depoimento como testemunha do idoso que o vereador disse ter sido o autor da suposta agressão que teria sofrido.
Votação adiada
O requerimento do Subtenente Eliabe pedindo urgência na votação da concessão do título de cidadão natalense ao ex-presidente Jair Bolsonaro foi retirado de pauta pelo próprio vereador, que não conseguiu as 20 assinaturas necessárias para a sua aprovação.
Para aprovar um requerimento de urgência, é necessário, primeiro, o quórum mínimo de 20 vereadores. Além disso, são necessários também 20 votos favoráveis ao pedido.

“Eles [bancada do prefeito] fizeram as contas. Eu, como líder da bancada de oposição, inclusive disse que podiam colocar o requerimento de urgência em votação, mas preferiram retirá-lo ao perceber que não teriam os 20 votos favoráveis para aprovar a urgência e, assim, votar o projeto de lei”, relatou a vereadora Brisa Bracchi.
A bancada do prefeito Paulinho Freire tentará votar o título de cidadão natalense ao ex-presidente, novamente, na sessão de quinta-feira (10) da Câmara Municipal de Natal. A intenção original dos vereadores era entregar a homenagem a Jair Bolsonaro durante a vista dele, na sexta-feira (11), ao Rio Grande do Norte.
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