Projeto quer reconhecer Bloco do Magão como patrimônio cultural e imaterial do RN
Natal, RN 17 de jun 2026

Projeto quer reconhecer Bloco do Magão como patrimônio cultural e imaterial do RN

15 de junho de 2025
3min
Projeto quer reconhecer Bloco do Magão como patrimônio cultural e imaterial do RN

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A Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte aprovou nesta quinta-feira (12) o reconhecimento da Agremiação Carnavalesca Ala Ursa do Poço de Sant’Ana, o tradicional Bloco do Magão, como patrimônio cultural e imaterial do estado. O projeto ainda precisa ser aprovado em plenário.

Criado em Caicó, no coração do Seridó, o Bloco do Magão nasceu há 44 anos como uma alternativa ao carnaval elitizado da cidade. Surgiu como crítica social e resistência, inicialmente com o nome de Bloco do Lixo, fazendo alusão ao abandono do Poço de Sant’Ana, local sagrado e simbólico da região. Ao longo do tempo, adotou o nome Ala Ursa do Poço de Sant’Ana e tornou-se símbolo de um carnaval popular, democrático e irreverente.

A identidade do bloco é marcada por bonecos gigantes, fantasias artesanais e uma orquestra vibrante que percorre as ruas com frevo e marchinhas. Sob a liderança do carnavalesco Ronaldo Batista de Sales, o Magão, a agremiação ganhou projeção e se consolidou como uma das principais manifestações culturais do carnaval caicoense. Com um percurso que chega a mais de duas horas de folia, o bloco arrasta multidões todos os dias da festa.

A Ala Ursa construiu uma trajetória de resistência, sobrevivendo por décadas com o apoio direto da população, rifas, campanhas de arrecadação e, mais recentemente, com incentivos do poder público municipal. Mesmo com as dificuldades enfrentadas, como o período de paralisação durante a pandemia, o bloco segue sendo referência de carnaval popular e de inclusão, acolhendo foliões de todas as origens, classes e cores.

O reconhecimento do Bloco do Magão como patrimônio imaterial pode reafirmar a importância de manter viva a tradição do carnaval de rua potiguar, celebrado com simplicidade, alegria e pertencimento coletivo. A decisão da Assembleia Legislativa contribui para preservar a memória afetiva e simbólica de milhares de foliões que fazem da Ala Ursa não apenas uma festa, mas um modo de viver o carnaval.

Além do bloco, outros projetos voltados à cultura também foram aprovados pela comissão, como o reconhecimento da Paixão de Cristo do Sítio do Góis (Apodi), da Festa de São Sebastião (Dix-Sept Rosado), da Vaquejada de Verão (Touros), do São João de Maracajaú e da cidade de Janduís como “Terra do Teatro Popular de Rua”. Todos os projetos ainda precisam ser aprovados pelo planário da ALRN.

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