Oposição diz que prefeito quer “cheque em branco” com empréstimo de R$ 100 milhões
A oposição na Câmara Municipal de Natal criticou o projeto de lei enviado pelo prefeito Paulinho Freire (União Brasil) pedindo autorização para fazer um empréstimo de R$ 100 milhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com o objetivo de “modernizar a administração pública” através do programa “Natal Digital: Cidade Inteligente, Gestão Eficiente”.
O vereador Daniel Valença e a vereadora Samanda Alves, ambos do PT, afirmaram que o prefeito deseja “um cheque em branco” com o novo pedido de empréstimo. Paulinho Freire já havia pedido à Câmara Municipal, no mês passado, outra autorização em regime de urgência para obter US$ 50 milhões emprestados com o Banco Mundial.
Esse primeiro empréstimo, segundo o projeto de lei enviado pelo prefeito, tem como objetivo financiar o “Projeto Natal Integra”, gerido pela Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtas), cuja titular é a primeira-dama Nina Souza. Na cotação desta quarta-feira (5), o valor equivale a R$ 268,4 milhões.
“Paulinho virou o prefeito do cheque em branco. É empréstimo de quase R$ 300 milhões para a Semtas, sem a devida transparência, agora R$ 100 milhões também sem qualquer detalhamento, além da terceirização das UPAs e dos serviços médicos que também envolviam centenas de milhões”, criticou o vereador Daniel Valença.
O parlamentar lembrou que, ao assumir o cargo, Paulinho Freire divulgou a “narrativa” de que havia recebido a Prefeitura de Natal com um rombo de R$ 1 bilhão do ex-prefeito Álvaro Dias (Republicanos).
Saiba Mais: Prefeito de Natal pede empréstimo de 50 milhões de dólares para pasta da esposa
Vereadora aponta que há questões “mais urgentes” do que modernizar a gestão
A vereadora Samanda Alves, presidente do diretório estadual do PT, também usou a expressão “cheque em branco” para se referir ao novo pedido de empréstimo feito pelo prefeito Paulinho Freire.
Ela solicitou ao prefeito e aos vereadores da bancada governista um debate mais aprofundado sobre a proposta, questionando a prioridade de modernizar a gestão pública em relação a questões urgentes, como saúde e a assistência social.
Samanda destacou que muitos cidadãos enfrentam problemas diários, como falta de medicamentos e inundações, sugerindo que essas questões deveriam ser priorizadas.
Ela pediu o apoio dos colegas vereadores para que o secretário municipal de Planejamento, Vagner Araújo, compareça e explique as prioridades da administração, ressaltando a importância do diálogo e da transparência.
“Eu não vou aqui entrar no mérito [do projeto de lei]. Eu peço o apoio dos vereadores e das vereadoras para que a gente faça um debate aqui na Câmara Municipal. Não dá para o senhor prefeito mandar uma mensagem de uma folha assinada por ele, uma mensagem com seis artigos, pedindo um empréstimo para modernizar a gestão pública”, defendeu a vereadora.
Samanda pede que Câmara Municipal não aprove projeto “a toque de caixa”
A petista afirmou que, se o projeto for aprovado “a toque de caixa”, os vereadores passarão uma “mensagem errada para a sociedade”.
“A gente está dando cheque em branco o tempo todo. O que pedimos aqui é um debate. Mande o secretário [Vagner Araújo] vir aqui para tirar nossas dúvidas e explicar por que a prioridade da gestão é modernizar a administração, que é importante, mas tenho certeza que existem outras coisas mais urgentes para melhorar a vida da população”, opinou.
Samanda destacou, ainda, que, em entrevista recente a um jornal local, o secretário Vagner Araújo não elencou a modernização da gestão como uma das prioridades da Prefeitura de Natal.
Na ocasião, Vagner Araújo citou três propostas que seriam prioritárias na administração de Paulinho Freire: mobilidade urbana, requalificação da orla da cidade e melhorar a infraestrutura dos bairros.
A vereadora apelou ao prefeito para que respeite a Câmara Municipal e apresente um plano claro de gestão sobre o uso dos recursos públicos, evitando decisões apressadas e sem discussão.
A vereadora Brisa Bracchi (PT), líder da bancada de oposição, informou, através da sua assessoria de imprensa, que ainda estava “avaliando o projeto de lei” e, neste momento, “seria precipitado falar” sem estudar a matéria.
Saiba Mais: Paulinho Freire quer R$ 100 milhões para tornar “gestão eficiente”