Praias de três cidades do RN estão entre as mais poluídas por plástico no Brasil
Natal, RN 6 de jun 2026

Praias de três cidades do RN estão entre as mais poluídas por plástico no Brasil

24 de setembro de 2024
7min
Praias de três cidades do RN estão entre as mais poluídas por plástico no Brasil

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O estado do Rio Grande do Norte enfrenta uma crise ambiental, com três de suas cidades – Extremoz, Natal e Baía Formosa – figurando entre as cinco com praias mais poluídas por macrorresíduos plásticos (que incluem grandes pedaços de plástico, como garrafas e sacolas) no Brasil. É o que aponta um estudo da ONG Sea Shepherd Brasil, em parceria com o Instituto Oceanográfico da USP, publicado na última quinta (19).

Os dados expõem a severidade da poluição nas praias potiguares e reforçam a urgência de ações para combater o descarte desenfreado de plásticos no litoral potiguar.

A Praia de Santa Rita, em Extremoz, foi elencada como a quinta praia com maior densidade de macroplástico por metro quadrado em todo o Brasil. Esses resíduos, que podem levar séculos para se decompor, representam uma ameaça constante para a fauna marinha e para a saúde dos ecossistemas costeiros. Em 6º lugar está a Praia do Pontal, em Baía Formosa, com cerca de 5 macroresíduos por metro quadrado.

A Praia do Forte, em Natal, a capital potiguar, também aparece no estudo. Além de ser uma das que possuem a maior quantidade de macroplástico (39,83 por metro quadrado), ela ocupa a quinta posição no país em termos de densidade de microplásticos, pequenos fragmentos de plástico que são praticamente invisíveis a olho nu, mas que causam danos ambientais gigantescos.

Poluição nas praias do RN

Ao todo, 20 praias em 13 municípios do Rio Grande do Norte foram avaliadas durante a expedição, que percorreu mais de 7 mil quilômetros da costa brasileira, analisando 306 praias em 201 cidades do país. Os resultados são que 100% das praias brasileiras têm algum nível de poluição por plásticos, que representam 91% de todo o lixo encontrado no litoral.

O Rio Grande do Norte agora lida com o desafio de controlar a contaminação que afeta não só sua biodiversidade, mas também a economia local, fortemente baseada no turismo. Além de Natal, Extremoz e Baía Formosa, foram analisadas praias das cidades de Areia Branca, Parnamirim, Nísia Floresta, Porto do Mangue, Grossos, Tibau do Sul, Touros, Rio do Fogo e São Miguel do Gostoso.

No entanto, uma exceção notável foi a cidade de Guamaré, especificamente na Praia do Minhoto, que apareceu como uma das que menos apresentam macroplástico em nível nacional, o que a destaca positivamente em meio ao cenário estadual.

Esses microplásticos foram identificados em análises laboratoriais, que seguiram um protocolo rigoroso do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP). Eles são categorizados por cor, forma e tamanho, permitindo que sua origem seja traçada e reforçando a gravidade do problema de contaminação marinha.

A maré de plástico: uma crise nacional

O estudo da Sea Shepherd Brasil, intitulado Expedição Ondas Limpas, lançou luz sobre o tamanho do problema da poluição marinha no país. Ao longo de 16 meses, a expedição, considerada o maior estudo já realizado sobre resíduos sólidos nas praias brasileiras, revelou que o plástico é onipresente em todas as regiões costeiras. Bitucas de cigarro, apetrechos de pesca, embalagens descartáveis e até microplásticos acumulam-se nas praias, gerando uma crise sem precedentes para o meio ambiente.

“Pretendemos que os resultados do projeto não somente choquem, mas provoquem a ação, trazendo à tona a necessidade de políticas públicas e de uma mudança na cultura de consumo de plástico no Brasil”, alertou Nathalie Gil, presidente da Sea Shepherd Brasil.

No relatório, a presidente acrescenta que os resultados da pesquisa serão usados como uma maneira de alertar cidades pelo país a seguirem desenvolvendo suas políticas locais de gestão de resíduos e reciclagem, citando que a ONG já faz esse trabalho nas cidades de Anori, no Amazonas, e em Baía Formosa, no Rio Grande do Norte, com a ambição de expandir para mais localidades.

Para chegar a esses resultados, a expedição seguiu um método científico que utiliza peneiras e ferramentas específicas para coletar amostras de microplásticos em quadrados de 0,25 m². Os macrorresíduos foram pesados e categorizados no local, e os microplásticos enviados para análise laboratorial.

Cada área de pesquisa foi delimitada considerando a distância de interferências como barracas, entradas de praia, e também a linha mais alta da última maré e o início da zona de praia. Para a coleta de macrorresíduos, foram definidas 4 seções (bandas de 5 m de largura), distribuídas aleatoriamente ao longo da área de estudo (100 m).

O relatório final, que ainda terá um artigo científico detalhado, já está disponível neste link https://seashepherd.org.br/files/relatorio_olne.pdf, com diagnósticos e propostas de soluções para enfrentar essa crise ambiental.

O estudo também apresenta uma série de recomendações para combater a poluição plástica em todos os níveis de governo. Em âmbito federal, defende-se a criação de políticas nacionais de redução de plásticos descartáveis e de uso único, bem como o fortalecimento da fiscalização nas áreas de proteção ambiental e a inclusão da gestão de resíduos sólidos nos planos de manejo de unidades de conservação.

Nos níveis estadual e municipal, o documento sugere o desenvolvimento de planos de gestão específicos para microplásticos e macrorresíduos plásticos, além de campanhas de conscientização comunitária, educação sobre descarte consciente e a proibição de materiais plásticos descartáveis em áreas costeiras.

Apesar do estudo apresentar um ranking de praias e cidades mais poluídas, é importante considerar com cautela os resultados dessas análises mais focais, devido à menor representatividade do tamanho das amostras em algumas áreas. Ainda assim, os dados fornecem uma fotografia indicativa relevante para gestores locais, ajudando a orientar ações de limpeza e preservação.

A urgência da mudança

Os números são claros: o Brasil está em meio a uma crise de poluição marinha que exige uma ação imediata e coordenada entre governos, empresas e a sociedade.

“Esta parceria tem a importante missão de realizar uma leitura abrangente do perfil dos resíduos na costa do Brasil como nunca antes feita no mundo”, ressaltou Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico da USP e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano.

Para mais detalhes sobre o estudo e as ações propostas, acesse o relatório completo e interativo através deste link. A Sea Shepherd Brasil é uma organização sem fins lucrativos de proteção à vida marinha, fundada em 1999 pelo Capitão Paul Watson, também fundador do Greenpeace em 1971 e da Sea Shepherd Conservation Society, em 1977.

A luta contra a poluição nos oceanos continua e as soluções estão ao nosso alcance. Resta saber se estaremos à altura do desafio ou nos afogaremos em meio à uma maré de plásticos.

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