Brisa diz que parecer do relator pedindo sua cassação reforça “perseguição política”
Natal, RN 16 de jun 2026

Brisa diz que parecer do relator pedindo sua cassação reforça “perseguição política”

13 de novembro de 2025
6min
Brisa diz que parecer do relator pedindo sua cassação reforça “perseguição política”
Foto: Fracisco de Assis/Assessoria CMN

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A vereadora Brisa Bracchi (PT) divulgou nota oficial afirmando que o parecer do vereador Fúlvio Saulo (Solidariedade), relator do processo que pede a cassação do seu mandato, ignorou “grande parte das alegações apresentadas pela defesa, bem como os depoimentos e outros documentos apresentados, reforçando o processo de perseguição política”.

Fúlvio Saulo divulgou, nesta quinta-feira (13), seu parecer favorável à cassação do mandato da petista. O relatório será votado na próxima segunda-feira (17) na Comissão Especial Processante (CEP) da Câmara Municipal de Natal, que apura denúncia apresentada pelo vereador Matheus Faustino (União Brasil). Em seguida, o texto irá à votação em plenário.

“Reafirmamos que a decisão final cabe ao Plenário da Câmara Municipal de Natal, espaço legítimo de manifestação da vontade popular expressa nas urnas. Nossa defesa é técnica, sólida e consistente e demonstra de forma clara que não há qualquer prova que sustente um pedido de cassação. Estamos confiantes na força da verdade, da democracia, da análise isenta do conjunto dos vereadores e do apoio popular que sustenta esse projeto coletivo”, disse, em nota, a vereadora.

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Em parecer, Fúlvio acusa Brisa de quebra de decoro parlamentar

Fúlvio Saulo pediu cassação do mandato de Brisa Bracchi. Fotos: Francisco de Assis/CMN

Fúlvio Saulo votou “pela procedência da denúncia, reconhecendo a prática de infração político-administrativa e quebra de decoro parlamentar pela vereadora Brisa Bracchi”, bem como “pela consequente penalidade de cassação do mandato”.

“Diante de todo o conjunto probatório coligido e das provas testemunhais e documentais analisadas nesta Comissão Especial Processante, constata-se, com a nitidez que o caso requer, que a conduta da vereadora Brisa Bracchi, ao destinar recursos oriundos de emenda impositiva para custear evento de natureza explicitamente política e/ou partidária, sob a denominação ‘Rolé Vermelho: Bolsonaro na Cadeia’, constitui ato incompatível com a dignidade do mandato parlamentar e ofensivo aos princípios estruturantes da função legislativa”, escreveu o relator em seu voto.

O relator determinou, ainda, que autos fossem encaminhados à Presidência da Câmara Municipal de Natal “para que seja aprazada sessão de julgamento, na forma do Regimento Interno”.

O processo foi instaurado há quase três meses, com base na acusação de que a petista teria destinado R$ 18 mil em emenda impositiva à Fundação Capitania das Artes (Funcarte) para custear o evento “Rolé Vermelho”, realizado em 9 de agosto de 2025, que teria assumido “caráter político-partidário” após ser divulgado nas redes sociais como “Rolé Vermelho: Bolsonaro na Cadeia”.

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Para relator, “Rolé Vermelho” teve “conotação político-ideológica”

De acordo com o parecer do relator, a divulgação do evento com o título “Bolsonaro na Cadeia”, o uso de pulseiras com essa inscrição e a participação da vereadora em vídeos de convite seriam indícios suficientes de que a verba pública serviu para custear um ato de natureza política.

“A destinação de recursos públicos para comemorar fatos de conotação político-ideológica afronta o princípio republicano e compromete a moralidade no manejo do dinheiro público”, escreveu o relator.

O relatório também rejeitou as preliminares apresentadas pela defesa – como inépcia da denúncia, ausência de convocação do suplente do denunciante e alegação de perseguição política –, considerando que o processo tramitou regularmente e sem prejuízo à defesa.

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Fúlvio afirma que defesa usou “tese de vitimização”

“A defesa na conclusão de suas alegações finais procura deslocar o foco do exame jurídico para uma narrativa de suposta perseguição política e violência de gênero ao sugerir que o processo está eivado de tais vícios”, destacou o relator, rejeitando o que chamou de “tese de vitimização”.

Fúlvio Saulo defendeu que o processo foi conduzido “com absoluto respeito às garantias do contraditório e da ampla defesa, em ambiente institucional, transparente e imparcial, sem qualquer indício de discriminação”.

Em relação à argumentação de que os artistas abriram mão dos cachês, Fúlvio Saulo afirmou que “a infração consuma-se no ato de desvio de finalidade, independentemente da ocorrência de prejuízo patrimonial”.

“O vício não reside na execução financeira, mas na finalidade viciada que motivou a destinação da verba pública”, argumentou.

O parecer conclui que Brisa Bracchi “incorreu em infração político-administrativa grave, atentatória ao princípio republicano e ao dever de moralidade institucional”, recomendando a cassação do mandato da vereadora.

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Leia a íntegra da nota da vereadora Brisa Bracchi:

Cerca de 24 horas após a entrega das alegações finais da nossa defesa, o relator da Comissão Especial, vereador Fúlvio Saulo (Solidariedade), emitiu seu parecer a favor da cassação do nosso mandato, ignorando grande parte das alegações apresentadas pela defesa, bem como os depoimentos e outros documentos apresentados, reforçando o processo de perseguição política.

O documento será votado pelos membros da comissão na segunda-feira (17), às 09h, para posterior votação dos 29 vereadores, que deve ocorrer ainda na próxima semana.

Reafirmamos que a decisão final cabe ao Plenário da Câmara Municipal de Natal, espaço legítimo de manifestação da vontade popular expressa nas urnas.

Nossa defesa é técnica, sólida e consistente, e demonstra de forma clara que não há qualquer prova que sustente um pedido de cassação.

Estamos confiantes na força da verdade, da democracia, da análise isenta do conjunto dos vereadores e do apoio popular que sustenta esse projeto coletivo.

Convocamos todas e todos que acreditam na justiça, na democracia e na defesa do voto popular para seguirem atentos e mobilizados.

Seguimos firmes, de cabeça erguida, ao lado da verdade e da justiça.

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