OPINIÃO

A solidariedade segue sendo a bandeira prioritária

Falo sobre fome, como quem sabe do que fala e não de quem já ouviu falar, mas do lugar de quem viveu uma realidade que no sertão do Nordeste parecia ter acabado, afinal não faz muito tempo que chegou cisterna, chegou escola com alimentação escolar, chegou energia, programa de transferência de renda. Lembro que quando a fome chega a nossa porta, todos os nossos outros direitos já foram retirados. Nesse momento contei com a solidariedade, toda ajuda que chegava trazia muito, pois trazia carinho e cuidado, além da comida ou outra ajuda que fosse.

Antes de me tornar professor, o caminho que me levou à escola e a minha jornada até à universidade, só foi possível com a solidariedade da vizinhança, das professoras que viam a dificuldade de minha família e sabiam que ajudando poderiam mudar a realidade de uma pessoa. Desde o golpe de 2016, vimos as várias conquistas que chegaram na nossa região ficar em risco e a pandemia escancarou esse realidade triste e mesmo com todos os esforços da nossa governadora professora Fátima, o abandono do governo Federal me faz lembrar os anos difíceis que vivi e hoje várias famílias estão vivenciando novamente.

A crise que assola nosso país já levou milhares de vidas brasileiras à morte, vítimas da COVID 19 e temos visto crescer cada vez mais a carestia: é o aumento do botijão de gás, da energia, dos alimentos, materiais de higiene e tantos outros itens e serviços do nosso cotidiano. Não apenas a doença nos mata, mas a fome e o desemprego leva o povo à essa situação.

Na última semana, nós do PT iniciamos um processo de solidariedade para juntar forças contra a fome. A campanha PT Solidário aconteceu em todo o Brasil, essa ação é construída porque sabemos que quem tem fome tem pressa e precisávamos nos somar as diversas outras ações com organizações populares do campo, das florestas, das águas e da cidade que estão na busca de levar socorro ao povo que foi abandonado pelo governo federal. Escolhemos o dia 17 de abril para fazer as primeiras doações às famílias desassistidas. Essa data marca duas lutas: O Massacre de Eldorado dos Carajás em 1996 e o Golpe contra a presidenta eleita democraticamente, Dilma em 2016, tais fatos históricos têm em comum a impunidade. A morte de 21 militantes do MST tornou-se símbolo da resistência camponesa e o Golpe de 2016 afrontou a Constituição Federal de 1988 e interrompeu o processo democrático popular em curso no país, fato que contribuiu para agravar as desigualdades sociais existentes. A PEC 95, do teto de gastos, a chegada de Bolsonaro à presidência, a pandemia do Corona Vírus, o desemprego crescente e o desmonte do Estado brasileiro, trouxe o Brasil de volta ao mapa da fome.

Só no Rio Grande do Norte, cerca de 149.446 potiguares vivem em situação de extrema pobreza. A governadora tem se empenhado em atrair parcerias para realização de campanhas de arrecadações e doações de alimentos às famílias atingidas pela pandemia, mas não é o suficiente. Outras políticas têm sido adotadas, como é o caso da dispensa de pagamento da água por três meses para beneficiar famílias dos programas sociais, distribuição de cestas básicas destinadas a grupos de maior vulnerabilidade, entrega de alimentos às famílias cujos filhos/as são estudantes de escolas públicas, dentre outras.

Graças ao engajamento coletivo e individual, tenho visto desde o ano passado, ações de solidariedade direcionadas a garantia do alimento necessário nas mesas de quem está passando forme. Mais que uma mera ação, é a certeza de que juntos/as, conseguiremos sobreviver. Tais iniciativas, não tiram a responsabilidade do poder público em assegurar políticas de enfrentamento à COVID 19, mas demonstra a responsabilidade de cooperação. A solidariedade é a alternativa encontrada para atenuar as privações das pessoas em condições de penúria as quais tem sido negado, o acesso aos direitos fundamentais de vida com dignidade.

Necessário registrar que o auxílio emergencial aprovado na perspectiva de socorrer essa parcela da população, foi suspenso e ao voltar chega reduzido em valor e número de beneficiários. Outro fator extremamente preocupante é que o governo federal não providenciou a aquisição de vacinas para toda população, nega a ciência, incentiva aglomerações, não gerencia a crise sanitária e ainda instiga a desavença entre os entes federados. É grave a forma como a pandemia está sendo enfrentada pelo poder executivo em âmbito nacional, cujas ações potencializam as crises sanitária, socioeconômica e política e agrava a situação de vulnerabilidade da maioria.

Estamos nos preparando para a chegada do 1° de maio, data marcante na luta da classe trabalhadora que resultou em conquistas importantes, hoje desconstruídas por um projeto autoritário, neoliberal com ampla representação neofascista. Em anos anteriores a pandemia, organizamos piquetes, reuniões nos locais de trabalho e a luta de rua, mas desde o ano passado, a luta se transformou em ato de solidariedade de classe com os trabalhadores e trabalhadoras garantindo a sobrevivência de outros/as trabalhadores/as. Essa tem sido a bandeira prioritária: entender que nem todos/as poderão se cuidar em casa, e aqueles/as que podem, estão na batalha diária para não deixar ninguém para trás. Afinal, garantir a sobrevivência num país marcado por tantas desigualdades, exige ampla disponibilidade de quem valoriza e defende a vida como essencial.

Identificar o sofrimento do outro, respeitar suas singularidades e se dispor a contribuir para solucionar ou amenizar o problema, tem um significado especial nas nossas construções humanas, ajuda muito nas relações sociais e pode mudar o percurso de uma historia.

Convido, portanto, todas as pessoas e organizações sociais que ainda não participaram de alguma ação em seu bairro ou cidade, para construírem mutirões de arrecadação de alimentos e se somarem à Frente Brasil Popular que recolhe em nome do Comitê RN pela Vida e tem como lema: Vida, Pão, Vacina&Educação, ou ao grupo local para continuar essa corrente de unidade e esperança. Concomitante a essas ações é urgente continuar na resistência em busca de políticas públicas estruturantes e inclusivas para todos/as. Construir um país de oportunidades, uma sociedade menos desigual, justa e solidária é um projeto a ser assumido com a participação popular.

Não podemos esquecer também das recomendações necessárias para mitigar a disseminação do vírus: uso de máscaras, isolamento social, higienizar as mãos com água e sabão, uso do álcool gel ou 70° e quando possível orientar as pessoas próximas a tomarem os mesmos cuidados.

Por Vacina Já para toda a população, auxílio emergencial digno, Vida com Direitos e em defesa do SUS.

‘’Vamos precisar de todo mundo

Um mais um é sempre mais que dois

Para melhor construir a vida nova

É só repartir melhor o pão” (Beto Guedes)

 

 

 

 

 

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