CIDADANIA

Brasil teve redução, mas casos de violência contra a mulher aumentaram no RN entre 2009 e 2019

Apesar de o Brasil ter apresentado uma redução de 18,4% nas mortes de mulheres entre 2009 e 2019, em 14 das 27 unidades da federação a violência letal contra a mulher aumentou. Durante esse período de dez anos, as maiores altas foram registrados nos estados do Acre (69,5%), Rio Grande do Norte (54,9%), Ceará (51,5%) e do Amazonas (51,4%). No caminho contrário, o Espírito Santo (-59,4%), São Paulo (-42,9%), Paraná (-41,7%) e Distrito Federal (-41,7%) apresentaram as menores taxas, com redução nas ocorrências de violência contra a mulher.

No Rio Grande do Norte há uma média de 5,4 mortes de mulheres para cada grupo de 100 mil mulheres no estado. Isso coloca o RN em 5º lugar entre os estados mais violentos para as mulheres em todo o país. As informações foram retiradas do Atlas da Violência 2021, divulgado nesta terça (31).

Em 2019, foram registrados 1.246 homicídios de mulheres dentro de suas casas, o que representa 33,3% do total de mortes violentas de mulheres registradas. Este percentual é próximo da proporção de feminicídios em relação ao total de homicídios femininos registrados pelas polícias civis no mesmo ano. A análise dos últimos onze anos indica que, enquanto os homicídios de mulheres nas residências cresceram 10,6% entre 2009 e 2019, os assassinatos fora das residências apresentaram redução de 20,6% no mesmo período, o que indica um provável crescimento da violência doméstica.

RN é o estado onde mais se mata mulheres negras

Dados relacionados ao Brasil

Na análise da estatística de morte de mulheres negras, o estado é o que oferece maior risco para essa parte da população em todo o país. No Rio Grande do Norte (5,2), Amapá (4,6) e Sergipe (4,4), os percentuais de mulheres negras vítimas de homicídios em relação ao total de assassinatos de mulheres foram de 88%, 89% e 94%, respectivamente. Em dados gerais de mulheres vítimas de homicídios, o RN ocupa a 8ª posição.

Em 2019, 66% das mulheres assassinadas no Brasil eram negras. Em termos relativos, enquanto a taxa de homicídio de mulheres não negras foi de 2,5, a mesma taxa para as mulheres negras foi de 4,1. Com isso, os pesquisadores explicam que o risco relativo de uma mulher negra ser vítima de homicídio é 1,7 vezes maior do que o de uma mulher não negra, ou seja, para cada mulher não negra morta, morrem 1,7 mulheres negras.

Na avaliação dos pesquisadores, essa é uma tendência que vem ocorrendo há anos e que, se houve redução na violência letal, ela não se refletiu numa diminuição da desigualdade e violência racial.

Atlas da Violência 2021, publicação elaborada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN). O estudo tenta retratar a violência no Brasil, utilizando, principalmente, dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) do Ministério da Saúde. Além dos dados gerais sobre o número de homicídios do país, a edição do Atlas da Violência 2021 também traz, pela primeira vez, números sobre a violência contra indígenas e contra pessoas com deficiência, além das séries históricas de homicídios no país com recorte de gênero, faixa etária e raça, violência contra a população LGBTQI+, entre outros dados.

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