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Como a inteligência artificial pode ser aplicada no combate à desinformação nas eleições deste ano

12º Fórum da Internet no Brasil I Foto: cedida

Depois da disseminação em massa de notícias falsas nas eleições de 2018, da cassação dos deputados Nunes Marques e Francischini pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também por divulgação de desinformação sobre as urnas eletrônicas, e um pleito em 2022 que se aproxima, o brasileiro está de orelha em pé e olhos arregalados pra conseguir acompanhar o cenário político, econômico e social do país.

Pesquisadores do setor de tecnologia acreditam que é possível usar Inteligência Artificial para moderar conteúdos e reduzir a circulação de desinformação nas redes sociais. O assunto foi discutido no último final de semana em Natal (RN), onde especialistas do setor científico e tecnológico de Inteligência Artificial se reuniram durante o 12º Fórum da Internet no Brasil.

Nós aproveitamos o evento para falar com Laura Tresca, que é conselheira do Comitê Gestor da Internet (CGI) no Brasil. Confira:

Agência Saiba Mais – Nas últimas eleições tivemos muito uso das redes sociais para disseminação de notícias falsas. Corremos o risco de que isso se repita nas eleições deste ano?

Laura Tresca, conselheira do Comitê Gestor da Internet no Brasil – Com certeza! A desinformação se tornou uma técnica política, que confunde e influencia eleitores, prejudicando o debate público e fragilizando a democracia. Nas eleições passadas, tivemos um caso de candidatos empatados e um deles, uma mulher, sofreu com uma avalanche de notícias falsas. Quem ganhou a eleição? A desinformação. Teorias da comunicação como ‘two step flow’ demonstra que as informações consumidas dependem de opiniões preexistentes e das relações interpessoais do receptor. É o viés de confirmação. É aquele parente ou aquele vizinho que você julga confiável. É neles que as pessoas acreditam e acabam reproduzindo suas informações.

SM – Como a Inteligência Artificial pode nos ajudar nesse sentido? O que já temos disponível e o que já está em uso atualmente?

LT – Um painel do Fórum da Internet no Brasil sobre o uso de inteligência artificial para combater desinformação em contextos eleitorais demonstrou que a Meta (antigo Facebook) tem mais de 90% de conteúdos danosos identificados por inteligência artificial. É um mecanismo interessante dado o grande volume de dados que trafegam nas redes sociais, entretanto, pode incorrer em erros e o mecanismo de revisão de decisão automatizada deveria ser simples.

SM –    Quais os limites de instituições como o TSE para lidar com esse problema?

LT – O TSE tem um Programa de Combate à Desinformação que é reconhecido internacionalmente como uma boa prática e que conta com a colaboração de diversas partes interessadas. Entretanto, como se trata de um programa de adesão voluntária, não há certeza o quanto os agentes desse ecossistema vão de fato cooperar ou não. Por exemplo, até pouco tempo atrás, o Programa não tinha conseguido a adesão da plataforma Telegram.

SM –    Além das instituições, o que as pessoas comuns podem fazer?

LT – Nessa nova configuração da sociedade, somos todos líderes de opinião, influenciadores. Então, é importante agir com responsabilidade e checar as informações antes de compartilhar. Se você já compartilhou e depois descobriu que a notícia era falsa, compartilhe isso também com os mesmos grupos e pessoas para quem você enviou a notícia. Desconfie de notícias que tendem muito para um lado. Desconfie de diagramações mal feitas ou edições caseiras de vídeos. Procure fontes de informações seguras e confiáveis para se informar.

Laura Tresca, que é conselheira do Comitê Gestor da Internet (CGI) no Brasil
Laura Tresca, que é conselheira do Comitê Gestor da Internet (CGI) no Brasil I Foto: cedida
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