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Estátua de bronze e capitólio do mausoléu de João Câmara são furtados do cemitério do Alecrim, em Natal

Uma estátua de bronze instalada no mausoléu de João Câmara, um conhecido comerciante e político potiguar que morreu em 1948, foi roubada do cemitério do Alecrim, em Natal, na madrugada do sábado (19) para o domingo (21).

A estátua, que era de grande porte, representava o deus Hermes, considerado protetor dos comerciantes. O roubo foi confirmado pelo Secretário Municipal de Serviços Urbanos de Natal (Semsur), que chegou a comentar o fato em suas redes sociais.

Só pelo tamanho e o peso, dá para ver que pelo menos uns 15 caras levaram ela do Cemitério. Tá f…”, criticou.

O cemitério do Alecrim é protegido por lei como parte do Patrimônio Histórico e Cultural da Cidade, o que não impediu o roubo da estátua, que era uma das poucas no local que não fazia parte da cultura cristã.

A estátua não é de nenhum artista famoso, mas era importante no conjunto do patrimônio do cemitério. Era por si só diferenciada porque num cemitério cristão, é uma das poucas estátuas não cristã, com seus capitéis jônicos, da mitologia grega. Era um espaço de curiosidade dentre os demais túmulos e tinha o propósito de ser a memória referente a um personagem importante da nossa história. Ela representava o deus grego Hermes, considerado protetor dos comerciantes, não era a representação da figura de João Câmara, porque muita gente se confunde! Simbolizava o papel de João Câmara, que foi um grande empreendedor potiguar, comerciante e industrial”, comenta a professora do Departamento de Ciências da Religião da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Irene van den Berg.

A professora também explica que a estátua, que tem proporções de uma pessoa de baixa estatura, fica entre outros túmulos e, por isso, não há espaço para margem de manobra, o que implica na necessidade de várias pessoas para conseguirem retirá-la do local.

Não tinha muita área de manobra e, mesmo assim, o túmulo não teve nenhum dano. Além da estátua, embaixo dela havia uma base que era um fardo de algodão, que era um peso adicional, representando uma das atividades comerciais de João Câmara. Estive no cemitério hoje pela manhã e pelo que dava pra ver, a estátua era fixada com dois parafusos, que ficaram aparentes. Mas, o peso em si já era suficiente para fixá-la no local. Acrescenta a professora da UERN.

Uma das colunas do mausoléu já estava derrubada na última visita ao local feita pela professora do Departamento de Ciências da Religião dada UERN, em novembro do ano passado. Agora, além da estátua, uma das colunas que ladeava a estátua também teve o capitólio de bronze roubado.

A coluna está no chão, ao lado do túmulo. Mas o capitólio não está nela“, observou.

Detalhe do capitólio, também roubado I Foto: Bartolomeu Carneiro

O túmulo de João Câmara estava entre um dos mais visitados do Cemitério do Alecrim por pessoas que faziam passeios históricos na capital potiguar.

O poder econômico das pessoas de uma cidade também se reflete no cemitério, que também deve ser um espaço de visitação, mas não temos isso aqui. Tenho um projeto de caminhada em espaços sagrados do centro histórico de Natal, que começa no centro e se encerra no cemitério. Lá falamos sobre algumas tumbas, simbologias. O de João Câmara era um dos mais cobiçados pelos visitantes para entender quem era aquele personagem. O professor Henrique Lucena também tem um trabalho muito interessante sobre pontos históricos da nossa cidade e já gravou até vídeos no cemitério”, revela Irene van den Berg.

Mausoléu de João Câmara antes e depois do roubo da estátua
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