CULTURA

Fernanda Guimarães: quem é a “galega do Alecrim” que anda fazendo um muído na internet

Quem gostou do vídeo de Fernanda Guimarães tirando onda com o Alecrim talvez não imaginasse que após pouco mais de um ano aqueles cachos estampariam importantes campanhas publicitárias no Rio Grande do Norte e estariam à frente de um programa super produzido que conta e valoriza a história dos bairros de Natal, o Muído Potiguar.

“O país Alecrim – Só quem viveu sabe”, gravado de forma despretensiosa no TikTok, viralizou em maio de 2020 e abriu portas de todos os cantos da cidade. À medida que crescia o número de seguidores no Instagram, Fernanda, hoje com 26 anos, foi recebendo convites para #publi, abreviatura das publicidades veiculadas em redes sociais.

“Foi um movimento natural. Foram chegando muitos seguidores e continuei gravando stories e alguns vídeos para o feed”, conta, ao lembrar que uma das primeiras parcerias de trabalho foi com a Rede Mais Supermercados.

Outra empresa que apostou na influenciadora foi a Cabo Telecom, que veicula no Canal 100, e patrocina, junto com o Grupo Conexão, o Muído Potiguar, por meio da Lei de Incentivo Câmara Cascudo. O produto estreou em novembro de 2021 e a primeira temporada terá 24 episódios, exibidos sempre nos dias 10, 20 e 30 de cada mês e publicados também em canal no Youtube.

Entre brincadeiras e curiosidades, Fernanda narra elementos históricos dos bairros na frente das câmeras. A equipe do programa tem 40 pessoas, entre elas, historiadores, que trabalham na construção do roteiro. A equipe, que conta com a produtora Haylene Dantas, analisa se a próxima temporada vai “correr pelo estado”.

Segundo Fernanda, a melhor parte é “ver a relação das pessoas com o lugar”. Já estão no ar: Quintas, Igapó, Candelária, Mãe Luiza, Redinha, Ponta Negra, Felipe Camarão, Potengi. O primeiro a ser retratado, claro, foi o Alecrim.

Apesar da intimidade com o bairro de maior comércio popular em Natal, Fernanda não morou lá, ou morou quando era muito pequena – fica na dúvida e não tem memórias dessa época. O misto de amor e ódio nasceu quando ela trabalhou em uma funerária por quatro anos.

Fernanda é daquelas mulheres que ao completar 18 anos começou a trabalhar. Em diferentes empresas, sua função sempre foi de operadora de call center. Assim, cursou Design de Interiores, tendo se formado em 2017, mas não chegou a atuar. Agora trilha o caminho da comunicação e da arte.

Desde os oito anos, Fernanda vive ao lado do Alecrim, no Bairro Nordeste. Mesmo agora, que foi morar sozinha, permaneceu lá. Antes morava com a mãe e a sobrinha. Ao falar da família, cita ainda o irmão e outro sobrinho, mas o bom humor, diz que puxou do pai, que mora em São Gonçalo do Amarante.

Quanto à capital potiguar, vê a necessidade de as pessoas se apropriarem e se apaixonarem por ela: “A gente precisa saber que aqui tem cultura, arte, mas muitos são apagados, pela falta de conservação das nossas raízes. Um dos motivos de ter viralizado [o vídeo sobre o Alecrim] é uma certa carência. As pessoas se acostumaram a dizer que Natal não tem nada, que é um ovo, pobre, quando na verdade tem muita coisa”.

Na opinião de Fernanda, há que se fazer muito para melhorar a cidade “em todos os aspectos, urbanístico, estrutural, mobilidade urbana, acesso democrático à cultura e eventos”.

É progressista, mas procura não expor muito sua visão política no Instagram:

“É complicado. E muita gente chegou porque queria vídeos engraçados, não está procurando isso”, justifica, ao dizer que fala mais sobre política no Twitter, já que não usa para trabalho e considera um ambiente mais informal, onde ela assina como a lenda “galega do Alecrim”.

Imagem: Reprodução Twitter
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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais