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Governo prorroga suspensão das aulas no RN até 14 de setembro após comitê científico vetar retorno

A governadora Fátima Bezerra confirmou nesta quinta-feira (14) que a suspensão das aulas no Rio Grande do Norte seguem pelo menos até 14 de setembro. O comitê científico estadual vetou o retorno das atividades escolares agora apesar da melhora no quadro epidemiológico da pandemia.

– Com base em parecer do nosso comitê científico, prorrogaremos a suspensão das atividades estudantis em mais 30 dias. Nossos especialistas apontaram que apesar da melhoria no quadro da pandemia no estado ainda não há, neste momento, condições sanitárias favoráveis para o retorno às aulas. Eles solicitaram mais um prazo para avaliação”, disse a governadora no twitter.

Até a conclusão desta matéria, a taxa de ocupação dos leitos críticos (UTIs e semi-intensivo) era de 52,72%. 

Fátima disse que os diálogos serão mantidos via comitê da Educação, liderado pela secretaria estadual de Educação e que conta ainda com representantes da UERN, Instituto Kennedy, além de escolas públicas estaduais, municipais e privadas.

Educação

Na quarta-feira (12), em entrevista ao programa Contrafluxo, o secretário de Educação Getúlio Marques já havia descartadoo retorno das aulas dia 17 de agosto, data que chegou a ser analisada pelo próprio Governo.

“O momento que tiver de voltar é preciso que seja feito com segurança. Por esse motivo, é necessário seguir as recomendações da ciência. O comitê científico irá se reunir e debater os pontos necessários para que seja possível o retorno das aulas. É preciso lembrar dos fatores internos e externos, como o distanciamento entre os alunos, e os dados epidemiológicos no estado”, afirmou o secretário.

Um fator que aumentou a preocupação do executivo estadual foi a ocorrência de casos da síndrome inflamatória em crianças após a infecção pelo coronavírus. De acordo com a OMS, a doença é grave e pode levar a óbito. No Rio Grande  do Norte, até o final de julho, 10 casos da doença já haviam sido confirmados:

“A chegada da síndrome inflamatória é um dos pontos que estão sendo acompanhados. Nosso sistema não foi preparado para isso. Todos os equipamentos foram adquiridos para adultos e jovens, pois são os maiores no índice de casos de contaminação. Então, isso será um dos pontos que o comitê irá avaliar”, esclareceu Getúlio Marques.

A taxa de transmissibilidade no Estado é observada pelo comitê. No entanto, o secretário de Educação afirmou que será considerado o RT dos municípios devido à presença de diversos alunos de municípios vizinhos. Ele citou o exemplo de Natal e São Gonçalo do Amarante, que possui RT 1 e 5, respectivamente.

Marques criticou a postura de alguns governadores, prefeitos, bem como o presidente Bolsonaro, por não levarem em consideração ao que a ciência afirma. Para ele, essa conduta é o que tem provocado números expressivos de óbitos.

“A falta de crença das lideranças na ciência é o que tem provocado esses números desastrosos. Faltou liderança política no Governo Federal em não acreditar na ciência, assim como alguns governadores e prefeitos. Parece que se perdeu um pouco da humanidade nesses tempos, para quem uma morte não significa mais nada”, declarou.

O programa Contrafluxo com o secretário Getúlio Marques está disponível no Youtube.

https://www.youtube.com/watch?v=ytgl9ffkBMM

Colaborou Allan Almeida

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Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"