CULTURA

Josimey Costa quer “imortalidade” para atualizar Academia Norte-riograndese de Letras

A cadeira 32 da Academia Norte-Riograndense de Letras, vaga desde a morte do ex-governador Geraldo Melo (1935-2022), deve ser ocupada por uma mulher. Os imortais chegaram a esse consenso diante da baixa representatividade feminina no grupo fundado em 14 de novembro de 1936. Dos 39, apenas quatro nomes são femininos. Embora as inscrições possam ser realizadas até 26 de julho, uma candidatura já surge com perfil diferente dos já consagrados: Josimey Costa da Silva, pesquisadora e escritora de ensaios, contos e poemas.

De origem popular, professora de Comunicação na Universidade Federal do Rio Grande do Norte por 35 anos, conectada e estudiosa das novas mídias, ela pretende contribuir com a experiência literária e acadêmica e acredita que sua eventual eleição será importante também como um projeto pessoal.

“Quando perguntaram se eu não teria interesse em disputar, pensei se poderia ter alguma contribuição à Academia ou ao cenário literário. Achei que poderia ser uma movimentação importante pra mim nesse momento, porque estou deixando aos poucos de ser professora universitária e estava com planos de ter uma atuação mais presente na Literatura, começar uma nova carreira, digamos assim, embora eu tenha muitas publicações”, explicou, entusiasmada em se juntar a Eulália Barros, Sônia Faustino, Diva Cunha e Leide Câmara.

Vendo a ANRL como um espaço de preservação do patrimônio cultural, revela que tem o desejo de trabalhar pela defesa desse patrimônio, mas também pretende ajudar na ampliação do acesso e da difusão da cultura letrada.

Josimey avalia que a internet e as novas tecnologias estão ocupando muito o tempo que era antes dedicado aos livros e é preciso valorizar a cultura livresca.

“Considero que é uma dimensão da vida social e cultural da humanidade e que a gente tem que empreender esforços pra que não se perca. Nas bibliotecas, nos clubes de leitura informais… Vejo que a gente que está mais próxima de outras linguagens pode ajudar na atualização da Academia com essas novas linguagens. De fluxo de informação, na direção de uma ampliação desse patrimônio com a incorporação dos novos modos de conhecimento”.

História e inspiração

Nascida em Guarulhos (SP), Josimey Costa é filha, junto com duas irmãs, de uma natalense das Rocas e um pernambucano. A mãe, dona de casa e formada em História; o pai, mecânico de automóveis. Mas Josimey fala com maior inspiração é da avó materna, Maria Ferreira – uma autodidata, que aprendeu a ler sozinha em casa para acompanhar os filhos que estavam indo à escola.

“Considero que ela fez uma pequena revolução. Trabalhava como costureira e bordava. E, nos anos mais avançados da vida, começou a desenhar de forma sistemática”.

Com doação de material da neta, a matriarca produziu quadros que estão hoje em muitas paredes, chegando até a países como França, Estados Unidos e Canadá, por meio de amigos e admiradores. E em breve autoanálise, a professora-escritora diz acreditar que é por causa da avó que está aceitando trilhar esse caminho novo.

“A minha escolha pelo Jornalismo foi por causa da escrita. Trabalhei no mercado e depois de 10 anos fui buscar uma nova carreira, porque fiz concurso para ser professora, passei e fiquei até 2017”, conta, ao esclarecer que permanece na instituição ministrando aulas em pós-graduações de Ciências Sociais e Estudos da Mídia. O tema é “escrita científica” e a ele quer unir a Literatura.

“Quero fazer esse casamento com a nova atividade profissional, explorar a criatividade dentro de uma escrita bastante regrada, que é científica”.

 

 

Eleição

O advogado e escritor Lívio Oliveira, ocupante da cadeira nº 15, explica o processo de eleição na instituição. As candidaturas são voluntárias e já estão aptas ao pleito intelectual Josimey Costa e a também professora e gestora Isaura Rosado, ex-diretora da Fundação José Augusto.

“Cada um e cada uma se apresenta mostrando o seu currículo e a sua produção literária. No dia da eleição nós temos o escrutínio que vai escolher quem ocupará a cadeira que ficou vaga. Nós temos um momento muito rico com a participação feminina intensa, de candidaturas de valor”, disse Lívio, que considera fortes os dois nomes que serão submetidos a avaliação prevista para o mês de agosto.

“Nós temos há algum tempo a participação das mulheres, mas quanto mais, melhor. Há duas candidatas muito fortes, as professoras Josimey e Isaura. Duas pessoas que escrevem, trabalham com as Letras, trabalham com a Cultura e ambas têm méritos. Agora é com os acadêmicos a decisão”, concluiu.

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais