TRANSPARÊNCIA

Litro da gasolina no RN subiu 87,5% no governo Bolsonaro

Desde o início do governo Bolsonaro, o preço médio da gasolina subiu 87,5% no Rio Grande do Norte. Enquanto em janeiro de 2019 o valor do litro da gasolina custava, em média, R$ 4,26, de acordo com a Agência Nacional de Petróleo (ANP), nesta quinta (10), vários postos de combustíveis em Natal apresentavam um valor médio de R$ 7,99, um preço que pode subir com o reajuste de 18% no preço da gasolina anunciado pela Petrobras ontem e que começa a valer nesta sexta (11).

Fonte: ANP

Apenas em 2022, a alta acumulada no preço da gasolina chega a 24,5% e a 35%, no valor do diesel, incluindo o reajuste anunciado nesta quinta. Em 2021, a gasolina foi reajustada 16 vezes pelo governo federal. Na avaliação de especialistas, é possível reverter as altas constantes no preço dos combustíveis. Mas, para isso, é preciso mudar a política de preços adotada atualmente pela Petrobras.

“A principal questão que está sendo colocada, em relação à redução do preço da gasolina, é alterar a política de preços da Petrobras, porque com essa política nova adotada há alguns anos, você internaliza todos os movimentos oscilatórios da taxa de câmbio. Ao nos desfazermos das refinarias, acabamos importando muito combustível, então toda vez que a taxa de câmbio sobe ou que a nossa moeda se desvaloriza, isso gera um constrangimento porque aumenta os custos de aquisição no mercado internacional e, mais do que isso, a política não é de importação de combustível, mas de repassar qualquer tipo de aumento de custo, quase que instantaneamente, para o mercado nacional. Então, quando o preço do combustível sobe lá fora, a Petrobras repassa aqui dentro. A questão é se essa é a melhor política de preços para uma companhia que é estatal que, em tese, está a serviço da sociedade”, expõe Cassiano Trovão, professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

A alta taxa de desemprego, a precarização do trabalho com o aumento da informalidade e o baixo poder de compra da população, fazem com que o impacto dos reajustes tenha um efeito ainda mais devastador entre as pessoas de menor renda, já que o reajuste no preço dos combustíveis também é repassado para toda a cadeia produtiva, resultando na elevação de preços de, praticamente, todos os setores. Num período de 38 meses, a gasolina já subiu quatro vezes mais do que o salário mínimo de R$ 1.212.

Há duas maneiras de se pensar: como reverter a situação para que o preço dos combustíveis caia na bomba e a segunda, é elevar a renda da população acima do reajuste no preço dos combustíveis. Mas, como fazer essa reversão nos preços é outra história. Temos a discussão no Senado da criação de um fundo de estabilização, a redução de ICMS para colocar a alíquota sobre o litro e não sobre o preço. Você impede que um aumento de preços impacte no ICMS, em quanto se paga para os estados. Se você coloca o valor de R$ 0,40 por litro, o preço da gasolina pode custar R$ 7 ou R$ 10, que o valor do ICMS será o mesmo”, exemplifica Trovão.

Gasto para abastecer o tanque

Em 2019, um motorista que abastecesse o veículo duas vezes por mês, considerando um tanque de 45 litros, gastava por ano R$ 4.574,88. Já em 2022, com a atual média de preços, esse mesmo motorista deve gastar R$ 8.629,20.

 

Saiba+

Gasolina em Natal chega a R$ 8,65 com novo aumento de 18% pela Petrobras; diesel (25%) e gás de cozinha (16%) também sofrem reajuste

Clique para ajudar a Agência Saiba Mais Clique para ajudar a Agência Saiba Mais
Artigo anteriorPróximo artigo