ENTREVISTA

Me Representa: “É o povo pobre que dá o suor por essa cidade e é para ele que os equipamentos públicos devem funcionar”, defende Silvino Baú (PSTU)

A série “Me Representa” traz nesta segunda (19) Silvino Baú, candidato do PSTU que concorre a uma vaga na Câmara Municipal de Natal com o número 16456. Negro e da periferia, Silvino é da comunidade Novo Horizonte, região conhecida como favela do Japão, na Zona Oeste de Natal. Silvino trabalha na Urbana, foi líder comunitário por sete anos no Bom Pastor e é militante do movimento negro Quilombo Raça e Classe.

“Me Representa” é uma série de entrevistas que propõe oferecer espaço ao debate para candidaturas de grupos subrepresentados no legislativo municipal, como negros e negras, LGBTQIA+, mulheres, população em situação de rua e periferias.

Cada convidado tem 30 segundos para se apresentar e um minuto para responder a cada pergunta. As entrevistas serão divulgadas todos os dias, a partir das 18h, tanto no portal quanto no canal do Youtube da Agência Saiba Mais. Para receber tudo em primeira mão, inscreva-se no nosso canal!

 

Confira a entrevista:

Agência Saiba Mais – Quem você representa?

Silvino Baú – Sou morador de periferia, ex-líder comunitário do Bom Pastor, trabalhador da Urbana e militante do Movimento Quilombo Raça e Classe. Represento no meu dia a dia a luta do povo negro, que é vítima do racismo nessa sociedade capitalista e da violência policial. Caso eleito, meu mandato vai atuar na defesa das comunidades periféricas de Natal, especialmente da Zona Oeste, bem como dos trabalhadores negros(as) e dos garis.

Como pretende atuar para ampliar a participação política de grupos minoritários?

Convidando e mobilizando os trabalhadores negros(as), mulheres e LGBTs para construírem o nosso mandato, constituindo os conselhos populares nas periferias, locais de trabalho e moradia. Estes conselhos populares serão espaços de discussão e decisão política dos trabalhadores e da população pobre, que iremos construir junto com nossa candidata a prefeita de Natal, Rosália Fernandes.

Como deve ser conduzida a discussão sobre Plano Diretor de Natal? Quais os principais pontos?

Devemos discutir o plano diretor com todos os moradores, em especial com os trabalhadores mais pobres, que não têm acesso à cidade. O Plano Diretor de Natal não pode ficar restrito à parcela de pessoas que têm propriedade imobiliária, como historicamente sempre foi. Defendemos inverter essa lógica. Para nós, os principais pontos são a mobilidade urbana, o déficit habitacional, a preservação ambiental e a criação de espaços de cultura e lazer nas periferias. Defendemos um Plano Diretor que acabe com a especulação imobiliária e dê aos trabalhadores direito à sua cidade, algo que nenhum prefeito ou prefeita enfrentou até hoje.

Quais suas propostas para o transporte público e a mobilidade urbana?

Primeiramente, defendemos a estatização do transporte público e a criação de uma Empresa Municipal de Transportes Coletivos em Natal, com tarefas de ônibus e trens mais baratas, mirando a tarifa Zero. Para estudantes e desempregados, vamos propor o passe livre. O transporte não pode mais ficar nas mãos do Seturn. Esses empresários de ônibus fazem o que querem com a população, com a conivência do prefeito. O Seturn deve cerca de R$ 64 milhões em impostos e a Prefeitura não cobra. Defendemos que o patrimônio desses empresários seja confiscado como forma de pagamento da dívida. Todos os trabalhadores e trabalhadoras das empresas do Seturn devem ser incorporados aos quadros do funcionalismo municipal, para compor a empresa pública de transporte, amparados nas leis que regem atualmente os servidores municipais. Defendemos também a priorização do transporte coletivo frente ao transporte individual e a mudança, no decorrer dos próximos cinco anos, da matriz de transportes de Natal para metro-ferroviária, em parceria com a CBTU.

Qual Natal você quer construir?

Uma Natal para os trabalhadores e para o povo pobre. São estas pessoas que dão o suor por essa cidade e é para elas que os equipamentos públicos devem funcionar. Luto todos os dias por educação, lazer, cultura e oportunidades profissionais para os nossos jovens das periferias. Quero uma cidade sem racismo e violência policial. Quero uma cidade onde os moradores da periferia tenham saneamento básico e unidades de saúde com equipamentos e insumos adequados. Quero uma Natal, um Brasil e um mundo socialistas.

Foto: cedida
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