DEMOCRACIA

Ministro Fábio Faria sugere fechamento de instituto depois de pesquisa que aponta possível vitória de Lula em 1º turno

Fábio Faria e Elon Musk

Responsável por mostrar o que o governo de Jair Bolsonaro (PL) tem de bom, o ministro das Comunicações, o potiguar Fábio Faria, sugeriu até o fechamento do Instituto de Pesquisas Ipec (antigo Ibope), depois da mais recente pesquisa de intenção de voto, divulgada nesta segunda (20), que apontou o crescimento do ex-presidente Lula, que passou de 46% para 47% das intenções de voto em uma semana, enquanto o atual presidente da República se manteve na casa dos 31%.

A pesquisa do Ipec também apontou para uma possível vitória do petista no 1º turno já que, levando em consideração apenas os votos válidos, Lula chega a 52% das intenções de voto. Para a pesquisa, que tem margem de erro de 2 pontos percentuais, foram entrevistadas 3.008 pessoas neste último sábado (17) e domingo (18,) em 181 municípios do país.

Em suas redes sociais, Fábio Faria escreveu: “TSE, anote esses números que o IPEC está dando, que no dia 02 de outubro a população vai cobrar o fechamento desse instituto. Chega desses absurdos com pesquisas eleitorais!!! A hora da verdade está chegando”.

A postagem rendeu uma série de críticas e alguns eleitores até lembraram ao ministro que o único instituto que apontou a liderança de Bolsonaro para a presidência foi o Instituto Paraná Pesquisas que, suspeitamente, recebeu R$ 2,7 milhões do partido de Bolsonaro durante a pré-campanha. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o PL usou dinheiro do Fundo Partidário para fazer os pagamentos.

Assim como Rogério Marinho (PL), Fábio Faria é uma espécie de cabo eleitoral do presidente da República no Nordeste, região onde Bolsonaro segue com o menor índice de intenção de voto e onde Lula segue com maior vantagem. Em uma segunda postagem, Faria mostrou-se novamente indignado com o resultado que aponta um aumento do percentual de intenções de voto em Lula entre os nordestinos, passando de 61% para 63%. Enquanto isso, Bolsonaro caiu de 22% para 18%, mostrando que sua capacidade de influência em sua própria região de origem parece não ser tão significativa.

Filho do ex-governador do Rio Grande do Norte Robinson Faria (que deixou 4 folhas de pagamento do funcionalismo público em atraso) e casado com a filha do apresentador Sílvio Santos, o ministro Fábio Faria tenta criar uma imagem mais moderna, “descolando-se” da formalidade do cargo e construindo uma imagem de “influencer”.

Com um perfil no Instagram que soma mais de 752 mil seguidores, Faria tem dividido as publicações na rede entre propaganda, reuniões sobre o 5G sem explicar exatamente o que a tecnologia significa, posts favoráveis ao presidente, além de críticas à imprensa e tentativas de levantar suspeita sobre toda notícia que não lhe é favorável. Porém, a considerar o resultado das pesquisas de intenção e voto realizadas até aqui, ele parece não ter a força necessária para reverter a atual tendência entre os eleitores nordestinos.

Já Rogério Marinho, outro investimento de Bolsonaro na tentativa de captar votos na região onde Lula apresenta maior liderança, tenta se desvincular da imagem de corrupção resultante dos desvios apontados pelas investigações do orçamento secreto na compra de veículos e equipamentos pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), estatal que foi comandada pelo seu antigo ministério, o do Desenvolvimento Regional, de onde só saiu no início deste ano para concorrer às eleições.

Rejeição a Bolsonaro cresce

Outra preocupação para os cabos eleitorais potiguares de Bolsonaro é que, além de não ter crescido na intenção de voto, o presidente da República manteve seu índice de rejeição na casa dos 50%, enquanto o ex-presidente Lula reduziu sua rejeição de 35% para 33%, em comparação com a pesquisa anterior realizada pelo Ipec há uma semana.

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