TRABALHO

Pesquisadores do Lais/UFRN usam inteligência artificial para prever casos de dengue com até seis semanas de antecedência

Até março deste ano, o Rio Grande do Norte apresentou um aumento de 27% no número de casos de dengue, de acordo com os boletins epidemiológicos da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap). Foram 1.754 casos notificados e 229 confirmados, enquanto em 2021, houve 179 casos confirmados nesse mesmo período.

Mas, as políticas públicas de prevenção à doença poderão receber um reforço tecnológico com o método desenvolvido por pesquisadores do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Lais/ UFRN) que envolve o uso de inteligência artificial.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores desenvolveram um algoritmo usando técnicas de inteligência artificial como o machine learning (aprendizagem de máquina), por exemplo, que ensina os computadores a identificar determinados padrões. A partir daí, os cientistas fizeram a análise dos dados resultantes da contagem dos ovos depositados pelos mosquitos em 397 ovitrampas (uma espécie de armadilha) espalhadas por Natal, que eram coletadas semanalmente.

A ideia é usar o histórico de contagem de ovos de ovitrampas espalhadas na cidade para prever casos nas semanas seguintes. Nós fizemos duas análises: uma com a série histórica de casos de dengue registrados na cidade para as semanas seguintes; e uma segunda avaliação, com indicadores obtidos pela contagem de ovos. Os dois modelos tiveram resultados próximos, com correlação de 90%. Mas, o interessante é que quando usamos o indicador a partir dos ovos, a capacidade de antecipação é maior. São dois modelos com resultados satisfatórios, mas o que permite maior antecipação é a contagem de ovos. É algo bastante importante porque permite antecipar ações de controle da doença com maior folga de tempo”, detalha Ignacio Sanchez-Gendriz, principal autor do estudo que foi publicado no Scientific Report, periódico do grupo Nature, um dos principais repositórios científicos do mundo.

Ignacio Sanchez-Gendriz I Foto: cedida

De acordo com a pesquisa, o uso da inteligência artificial na análise dos dados permite antecipar a ocorrência dos casos de dengue com antecedência de quatro a seis semanas.

Essa é uma técnica que pode ser reproduzida em outras cidades do país”, avalia Ignacio Sanchez-Gendriz, que publicou o artigo em parceria com Gustavo Fontoura de Souza, Ion Garcia Mascarehas de Andrade, Adrião Duarte Doria Neto, Alexandre de Medeiros Tavares, Daniele Montenegro da Silva Barros, Antonio Higor Freire de Morais, Leonardo Judson Galvão-Lima e Ricardo Alexsandro de Medeiros Valentim.

Apesar do mosquito Aedes Aegypti ser o transmissor de quatro doenças virais conhecidas como arboviroses – a febre amarela, dengue, zika e chikungunya – a pesquisa foi realizada apenas para os casos de dengue, com dados coletados entre os anos de 2016 e 2019.

Link para o artigo: https://www.nature.com/articles/s41598-022-10512-5

Imagem: reprodução Nature

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Ovitrampas, são recipientes específicos com água e uma palheta que simulam um ambiente perfeito para a procriação do Aedes aegypti e onde os mosquitos depositam ovos que, posteriormente, são coletados e contados pelo Centro de Controle de Zoonoses de Natal através de microscópio por técnicos treinados. A partir daí, os pesquisadores obtêm a incidência populacional do mosquito na cidade.

Exemplo de uma ovitrampa I Foto: cedida pela Secretaria Municipal de Saúde de Natal
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