CIDADANIA

RN teria 1.100 novos casos de Covid-19 com volta às aulas, estima pesquisa

Um estudo elaborado por pesquisadores do Departamento de Física Teórica e Experimental da UFRN tem feito projeções a cerca do número de casos do novo Coronavírus no Rio Grande do Norte em um cenário de volta às aulas nas instituições de ensino do Estado.

De acordo com as pesquisas, se o Estado mantiver as aulas suspensas pelo menos até 31 de maio como prevê o decreto estadual, projeta-se 3.100 casos confirmados da Covid-19 no RN até 5 de junho. Já de acordo com a linha tracejada nos gráficos, que representa o avanço no número de casos e óbitos caso as escolas fossem reabertas  nesta semana – de 4 a 8 de maio -, o cenário de casos teria um acúmulo em cerca de 15 dias, podendo chegar a 4.200 casos confirmados da doença em 5 de junho.

A título de comparação, no balanço mais recente divulgado quinta-feira (7), a secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap) confirmou 1.739 pacientes infectados pelo novo Coronavírus.

O estudo é baseado em modelos matemáticos, ferramentas usadas desde 1927 na epidemiologia física para projetar situações de surtos ou pandemias. Esse tipo de estudo nasceu oito anos após a epidemia da gripe espanhola (H1N1), em 1919. Os modelos são usados em meio à ausência de uma testagem em massa que dê um diagnóstico real e preciso do cenário.

De acordo com o pesquisador da UFRN Leandro de Almeida, a liberação das aulas presenciais significaria a exposição de mais de 1 milhão de pessoas, entre alunos, técnicos, professores e demais profissionais ligados à educação, o que poderia aumentar a contaminação pelo vírus.

“Nesse novo cenário de abertura das escolas nesta semana, daqui há cerca de um mês, em 5 de junho, teríamos 4.200 casos testados da Covid-19 no RN. Pareceria, no início, que a curva de infectados estaria subindo de forma controlada, mas apenas depois de 14 a 16 dias após a abertura das escolas, o cenário iria piorar bastante”, explica.

Gráfico representa um estudo do Departamento de Física de Física Teórica e Experimental da UFRN.

Segundo o estudo, caso as escolas fossem reabertas, em 1º de junho o número de óbitos pela Covid-19 seria de 180 ao invés de 142 estimado em meio ao cumprimento do isolamento. Já em um cenário sem medidas restritivas de circulação, o Rio Grande do Norte teria, no início de abril, 212 óbitos pelo vírus.

“Essa diferença pode parecer pequena agora mas, além de toda vida ser importante, o cenário só tende a piorar nos próximos meses. Por isso é tão importante respeitarmos o isolamento social, de ficarmos em casa e de todos seguirem as recomendações de higienização e segurança determinadas pelos decretos estaduais e municipais”, reforça Leandro de Almeida.

Procurador pediu na Justiça que aulas retornassem em 5 de maio

Segundo o MPF, o procurador Kléber Martins não fala em nome da instituição

O procurador da República, Kleber Martins de Araújo, entrou com uma ação popular na Justiça para suspender os efeitos do decreto estadual que prorrogou a suspensão das aulas nas escolas públicas e privadas até 31 de maio, pedindo que as atividades sejam retomadas a partir do dia 5 de maio. O Ministério Público Federal, no entanto, divulgou duas notas públicas afirmando que a ação é uma iniciativa de um único procurador, e não condiz com o que defende a instituição MPF, que prega respeito aos decretos estaduais.

Entre as justificativas do pedido, o procurador destaca que o Governo liberou o retorno de diversas atividades comerciais antes proibidas, como lojas, barbearias, entre outros. Segundo Kleber Martins, “As crianças e os adolescentes não se encontram no grupo de risco e elas, voltando a frequentar suas respectivas escolas, não estarão mais expostas ao contágio do que as demais pessoas que voltarão a frequentar lojas, mercados, supermercados, padarias, lojas de conveniência, hotéis e salões de beleza. Noutras palavras, o raciocínio que justifica a reabertura destes últimos estabelecimentos tem inteira aplicação às escolas, inexistindo razão plausível a autorizar a restrição adicional até o último dia de maio em relação a estas últimas”, descreve a ação do procurador.

Os dados divulgados pelos boletins epidemiológicos da secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap) contradizem os argumentos do procurador. Há casos registrados de contaminação entre crianças e jovens de 0 a 19 anos, além de óbitos registrados em crianças de até 4 anos de idade no Estado.

Para Kleber Martins, os danos à educação são “reais e gigantescos” dada a suspensão de aulas e cita a manutenção de escolas particulares e sua sobrevivência financeira.  “[os danos] são reais e gigantescos, muitíssimo maiores que a diminuição ao risco de contágio (teórica, imaginada, hipotética) que o Governo do Estado supõe alcançar com a manutenção da suspensão das atividades escolares até, pelo menos, 31 de maio”, aponta o procurador em ação popular.

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Jornalista potiguar em formação pela UFRN, repórter e assessora de comunicação.