DEMOCRACIA

Eleitos pelo PSL no RN se esquivam sobre escândalo dos Bolsonaro

O primeiro escândalo de repercussão nacional envolvendo a família Bolsonaro antes mesmo da posse do futuro presidente da República não foi suficiente para alterar o humor dos representantes eleitos pelo PSL no Rio Grande do Norte. Tanto o deputado federal eleito Eliser Girão (general Girão) como deputado estadual eleito André de Azevedo (coronel Azevedo) preferiram não se posicionar sobre as movimentações financeiras suspeitas na conta do ex-motorista do deputado estadual Flávio Bolsonaro, apontadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF).

O general Girão e o coronel Azevedo foram os únicos parlamentares eleitos pelo PSL no Rio Grande do Norte nas eleições de outubro de 2018.

De acordo com o COAF, Fabrício José Carlos de Queiroz movimentou aproximadamente R$ 1,2 milhão entre 1º de janeiro de 2016 e 31 de janeiro de 2017, o que chamou a atenção do Conselho. Ele é servidor da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e tem renda mensal de R$ 23 mil. O jornal O Globo publicou nesta terça-feira que Fabrício, ex-policial militar, mora numa casa simples na zona Oeste do Rio.

Outro fato que chama a atenção da Receita Federal é que os saques realizados pelo ex-auxiliar de Flávio Bolsonaro ocorriam, geralmente, nos dias seguintes aos depósitos realizados na conta dele, o que segundo especialistas configuraria uma conta de passagem de dinheiro.

Procurado pela agência Saiba Mais, o coronel Azevedo acredita que é ”prematuro fazer julgamentos” sobre o caso e que as denúncias não colocam sob suspeita a índole do presidente eleito Jair Bolsonaro. Já o general Girão, eleito deputado federal, foi mais econômico nas palavras e disse que está aguardando novos fatos e acredita que por ora “as respostas já foram dadas pelo presidente Bolsonaro”.

General Girão foi o único deputado federal eleito pelo PSL no RN e acha que Bolsonaro já respondeu

“Acho que todo cidadão, independente de ser do PSL ou não, espera que se apure a verdade. O tempo vai apresentar os fatos e as provas. A gente não pode se precipitar e pré-julgar ninguém. Então vamos aguardar”, disse Coronel Azevedo, ao mencionar que acredita que o próprio Bolsonaro quer que se apure a verdade.

Sete ex-assessores do deputado Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente eleito, fizeram depósitos na conta do ex-motorista Fabrício José Carlos de Queiroz, que chegou a depositar R$ 24 mil na conta da futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Fabrício movimentou um total de R$ 1.236.838 entre 1º de janeiro de 2016 e 31 de janeiro de 2017, valor considerado suspeito pelo conselho.

O relatório do Coaf apresenta movimentações financeiras de servidores e ex-servidores da Assembleia Legislativa do Rio e de pessoas relacionadas a eles que, segundo a investigação, são incompatíveis com a capacidade financeira dos citados.

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais