DEMOCRACIA

Styvenson propõe militarização de escolas em todas as regiões do Estado

O senador Styvenson Valentim (PODE), candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, traz uma proposta controversa em seu Plano de Governo: a adoção de, pelo menos, uma escola do modelo cívico-militar em cada diretoria de ensino da Secretaria de Estado de Educação do Rio Grande do Norte (SEEC). Atualmente, o RN possui 16 Diretorias Regionais de Educação. Portanto, seriam 16 escolas seguindo o modelo de militarização.

Na proposta de governo, Styvenson diz que as escolas cívico-militares são um “espaço indutor de formação de cidadãos conscientes, participativos e responsáveis, com valores e princípios sólidos e preparação do aluno para os estudos superiores e para o mercado de trabalho”. 

Ele já havia adiantado a intenção de aumentar o número de escolas cívico-militares anteriormente. No lançamento da candidatura ao governo, ao ser questionado pela Agência Saiba Mais se iria ampliar o número de escolas cívico-militares caso fosse eleito, ele foi enfático: “claro”. De acordo com Styvenson, mais uma escola militarizada está sendo preparada na cidade de Nísia Floresta com seu apoio enquanto senador. Para ele, o modelo “é uma opção a mais” de educação.

Na mesma ocasião, o senador criticou educadores e disse que os professores deveriam aprender a educar as crianças. “Disseram uma vez para mim que era adestramento. Melhor do que estar roubando, assaltando, fumando pedra nas escadarias dessas favelas”, alegou.

O palco das declarações anteriores foi na Escola Estadual Professora Maria Ilka de Moura, no bairro Bom Pastor, zona Oeste de Natal. Ele levou o modelo militarizado à unidade enquanto atuou como capitão da Polícia Militar e tem a escola como seu grande exemplo. Na fachada da unidade, além do brasão do Rio Grande do Norte e do símbolo do colégio, consta também o brasão da PM.

Styvenson tenta se afastar do bolsonarismo mas adota proposta de Bolsonaro

Na disputa ao Governo do RN, o senador Styvenson Valentim (PODE) busca se desvencilhar da imagem de bolsonarista e não declara apoio ao presidente, que tem como candidato no Rio Grande do Norte o ex-vice-governador Fábio Dantas (SD). A intenção de militarizar a educação, entretanto, é uma bandeira antiga de Bolsonaro, adotada também por Styvenson.

Em 2019, o Governo Federal lançou o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim), que tinha a intenção de implementar 216 escolas em todas as unidades da federação até o final deste ano. 

Dentro da proposta, equipes de militares da reserva, como policiais, bombeiros ou membros das Forças Armadas, atuam no que o Ministério da Educação considera como “disciplina dos alunos” e na área administrativa dos colégios. As aulas são de responsabilidade de professores civis.

No evento de lançamento do programa, o presidente exaltou o período da Ditadura Militar para falar dos benefícios do modelo escolar. “Tem que botar na cabeça dessa garotada a importância dos valores cívicos-militares, como tínhamos há pouco no governo militar, sobre educação moral e cívica, sobre respeito à bandeira”, disse à época.

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