Crime organizado toca o terror; os grupos de zap também!  
Natal, RN 22 de abr 2024

Crime organizado toca o terror; os grupos de zap também!  

14 de março de 2023
4min
Crime organizado toca o terror; os grupos de zap também!   

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Quem mora no Rio Grande do Norte acordou nesta terça-feira ,14 de março, Dia da Poesia, com informações nada poéticas e na verdade bem alarmantes. Que diversas cidades potiguares durante a madrugada sofreram ataques a tiros e incêndios em comércios, veículos e órgãos públicos. Estes ataques aconteceram em Natal, e em outras 15 cidades do estado: Acari, Boa Saúde, Caicó, Campo Redondo, Cerro Corá, Jaçanã, Lajes Pintadas, Montanhas, Mossoró, Parnamirim, Santo Antônio. Tibau do Sul e São Miguel do Gostoso. Segundo a política e a imprensa, entre os alvos, o fórum de Justiça de Parnamirim, duas bases da PM e um prédio da prefeitura, além de um carro e um ônibus queimados em Parnamirim.

Possivelmente se trata de "recado" do crime organizado e/ou guerra entre facções rivais. Volta e meia eles "tocam o terror" para intimidar a população e anunciar que estão atuantes. É terrível que isto aconteça e é necessário que todos nós tenhamos cuidados. Mas quem acompanha a pauta policial, meu caso, sabe que no crime organizado existe recomendação expressa para que pessoas são sejam feridas e muito menos mortas nestas "ações" de intimidação. Continua sendo horrível, mas jornalista trabalha com fatos: o fato é que a intenção não é que algum "civil" morra e nesse terror tocado pelo crime em Natal não se tem registro de que criminosos ajam diretamente contra populares (tanto que as ações de depredação e tiros contra prédios são sempre de madrugada).

Digo isso porque meus grupos de zap, e olha que estou em poucos, amanheceram cheios de supostas informações sobre o terror da madrugada. Informações apócrifas, diga-se. Dezenas de supostas mensagens do Sindicato do Crime, áudios de supostos policiais mas sem qualquer identificação comentando (e exagerando) os crimes. Supostas informações sem qualquer procedência nem verificação de que os ataques continuaram nesta terça. Amigos e amigas me informaram que nos grupos em que fazem parte existe muito mais "conteúdo" nesse sentido.

Enfim, o mais do mesmo dos membros de grupos de zap, onde as pessoas compartilham informação sem qualquer verificação. Inclusive escrevi sobre isso aqui na coluna do Saiba Mais, no texto "Compartilhado com frequência" onde critiquei essa compulsão de parte das pessoas de enviar conteúdos de maneira automática e sem avaliação sobre veracidade e relevância do que está sendo mandado. Mas nos exemplos que citei no texto foquei em música, poesia, política, banalidades.

Evidentemente a coisa fica mais complexa (e perigosa) quando se trata de segurança pública. Compartilhar informações que não são verdadeiras ou são alarmistas geralmente assustam quem lê. Em grupos de zap esse temor se amplifica e de repente é criada uma rede de pânico e histeria baseado em fatos não comprovados e em notícias inventadas.

Aconteceu isso em outubro de 2022. Lembro com exatidão porque no dia 8, um sábado, eu estava entre os organizadores do lançamento no Bardallos ,em Natal, dos livros "Anayde Beiriz", de Valeska Asfora e "Os santos do chão bravo", de João Mathias. Na véspera o crime organizado também tinha tocado o terror com alguns ônibus queimados, porém no sábado nenhum incidente foi registrado. Contudo, as fake news dos grupos de zap profetizaram mais atentados em Natal de maneira que muita gente queria ir ao evento literário mas não saiu de casa "com medo dos bandidos". Ciceroneei os escritores paraibanos e seus amigos ao Beco da Lama, que estava vazio e batendo papo com os donos de bar eles lamentaram o movimento quase zero e o dinheiro que deixaram de ganhar. Por causa de inverdades e precipitações. Em tempo: naquele sábado andei o dia e noite por Natal e Parnamirim e estava tudo tranquilo.

Em suma, parte da população, aquela louca por compartilhar o que recebe e que parece gostar de alarde, amplifica nas redes e até aumenta o terror posto em prática pela marginalidade. Não vou ser grosseiro nem leviano para afirmar que de certa forma funcionam como assessoria de imprensa involuntária do crime no sentido de espalhar medo na população. Mas é por aí. Uma pena. Cuidado no compartilhamento de informações e bom senso, assim como cautela e caldo de galinha, não fazem mal para ninguém.

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